A grande conquista do Vôlei Norte-Americano

A grande conquista do Vôlei Norte-Americano

Ninguém duvidava de que a vaga da Norceca para o torneio feminino de Vôlei das Olimpíadas do Rio-2016 seria dos EUA. Com o ocaso do Voleibol Cubano, as campeãs mundiais não tem adversário à altura em sua confederação, o que fez o pré-olímpico da América do Norte, Central e Caribe ser mera formalidade. Por isso, no sábado, dia 9, a vitória por 3 a 0 sobre a Rep. Dominicana não causou surpresa nem aumentou o favoritismo das tri-vice-campeãs olímpicas, foi apenas parte do protocolo. A vitória maior, no entanto, não se deu na área de jogo, e sim, nas arquibancadas.

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O público presente ao Pinnacle Bank Arena, em Lincoln, estado do Nebraska (EUA), foi um aspecto mais relevante do que o resultado das partidas. Na quinta-feira, 6.322 pessoas viram os EUA vencerem o Canadá por 3 a 1, na estreia da competição. Na sexta, o público foi de 6.501 espectadores para acompanhar o 3 a 0 do time da casa sobre Porto Rico. E, no sábado, 10.213 viventes ignoraram a partida entre Pittsburgh Steelers e Cincinnati Bengals, pelo wild card da NFL (a liga esportiva mais popular dos EUA), e vibraram com a confirmação da classificação norte-americana para os Jogos. Foi, também, uma rara partida de vôlei (de quadra) transmitida ao vivo, para todo o país, pela NBC.

(As entradas, caso interesse saber, não eram gratuitas: o preço dos ingressos variava de 10 a 30 dólares – ou de 21 a 81 dólares, para que comprasse um tíquete válido para os três dias de evento em Lincoln.)

Comparar a média de público desses jogos dos EUA (7.678) com a das partidas da Superliga é covardia, embora não devesse ser, já que o vôlei de quadra é popular aqui, e não lá – na atual Superliga, o Vôlei Nestlé liderou a média de público no feminino com 1.570 espectadores nos jogos do turno em casa, enquanto o Copel Telecom Maringá, maior média no masculino, teve 2.728 torcedores por jogo em seu ginásio. A comparação mais justa, por assim dizer, é com as presenças de público nos jogos da Seleção Brasileira masculina e da feminina do ano passado.

Na primeira fase da Liga 2015, a divisão entre público presente e jogos realizados, nas partidas do Brasil como mandante de quadra, foi de 7.207 – duas partidas em Belo Horizonte, duas em São Bernardo do Campo e duas em Cuiabá. Nos dois jogos da fase final, no Maracanãzinho, um evento que foi teste para as Olimpíadas, a média caiu para 5.915 espectadores, o que dá, no geral, 6.884 espectadores por partida nos oito jogos disputados em casa pela Seleção, na Liga Mundial de 2015.

Já no Grand Prix, os três jogos do Brasil, no Ibirapuera, contra Bélgica, Tailândia e Alemanha, tiveram público médio de 6.417 espectadores – o jogo contra a Alemanha, na manhã de domingo, foi o maior público, 7.244 pessoas.

Nessas duas competições, as médias de público do Brasil foram boas, isso é inegável, mas lustram ainda mais o que a Seleção Norte-Americana feminina obteve no último fim de semana.

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Curiosa e ruidosamente, se a comparação não tiver de ser com o voleibol e for ampliada para com o futebol brasileiro, o público médio dos EUA nesse pré-olímpico foi maior do que o menor público médio de um clube específico na Série A do ano passado: com 6.281 pagantes por jogo, a Ponte Preta ficou a 1,4 mil espectadores dessa média dos EUA.

Para não ficar apenas na média, e, aí, sim, comparar com a Superliga, registre-se um fato aterrador: sem uma liga profissional, sem jogadoras largamente conhecidas pelo grande público norte-americano (nomes como Nicole Fawcett, Alisha Glass, Jordan Larson ou Foluke Akinradewo podem ser célebres no mundo do vôlei, mas são menos conhecidos, nos EUA, do que jogadores da NBA ou da NFL), os EUA colocaram 23.036 pagantes nas arquibancadas, nesses três dias, contra 22.876 de Rexona-AdeS, Vôlei Nestlé, Sesi e Dentil/Praia Clube, em casa, na fase de turno da Superliga feminina 2015-16, em 23 partidas somadas. São os três clubes de maior orçamento do campeonato feminino e o time de campanha mais surpreendente no torneio, e não conseguiram, em metade da competição nacional, igualar o número de espectadores dos EUA num fim de semana de torneio pré-olímpico.

Não se deve creditar o sucesso da Seleção Norte-Americana na bilheteria à casualidade ou à circunstância de ser uma competição pré-olímpica. Nas finais do Grand Prix 2015, por exemplo, em Omaha, a média de público nos cinco jogos dos EUA foi de 7.081 espectadores. E para que não fique só no feminino, os seis jogos da Liga Mundial nos EUA chegaram à média de 6.745 presentes.

Somando os jogos dos EUA em seu território, entre 2015 e 2016, na Liga Mundial, no GP e no pré-olímpico, foram 98.915 espectadores presentes em 14 jogos, média de 7.065 torcedores por partida – ainda uma média superior à do Brasil na Liga e no Grand Prix e à da Ponte Preta no Brasileiro/2015. E trata-se, diga-se, de um público (ou “um mercado”, se preferir) que costuma valorizar mais suas competições nacionais de clubes (ou “franquias”, se preferir) – chamando-as, com arrogância ou justeza, de “mundiais” (“World Series” para o beisebol, “World Championship” para o basquete) – até em detrimento aos jogos da seleção nacional.

Se alguém esperava um sinal de que é hora de criar uma liga profissional de vôlei na terra do Tio Sam, o sinal está dado e ganhou mais assonância num fim de semana de concorrência com o futebol americano.

Foto: Eric Francis/USA Volleyball

This article has 4 comments

  1. Nunca li tanta besteira em um só texto. Comparar jogo de seleção com jogo de clube? Em países com realidades econômicas, sociais e culturais diferentes? Não há nada que faça o texto crível.

  2. Os jogos foram em Nebraska um Estado com grande tradicao no circuito universirtario americano. Tanto que a universidade do Estado acabara de ganhar o titulo batendo o Texas menos de um mes atras. Se fosse em um Estado com menos tradicao esses numeros seriam bem menores. Essa comparacao e sem logica!

  3. Viajou longe, irmão brasileiro.
    Que mania de brasileiro de se subjugar! É impressionante!

  4. Texto certo quando evidencia o crescimento do voleibol nos EUA. Vem ganhando espaço entre as modalidades já consolidadas. Mas a comparação com a audiência do público brasileiro demonstra falta de lucidez na diferença do tamanho das populações assim como seu poder aquisitivo. Bom, salvo o texto porque pelo menos trouxe informação. Espero ler mais sobre o backstage do voleibol.
    Parabéns, e obrigado.