A grande questão após o Grand Prix

A grande questão após o Grand Prix
Campanha perfeita na fase final deve ter surpreendido as próprias brasileiras (Foto: Divulgação/FIVB)

Campanha perfeita na fase final deve ter surpreendido as próprias brasileiras (Foto: Divulgação/FIVB)

Quando apostei aqui que o Brasil seria o campeão da edição 2013 do Grand Prix, não imaginava que seria de uma maneira tão superior. Pra ser sincera, acho que nem o técnico José Roberto Guimarães e nem as jogadoras  acreditavam nisso. Afinal, apesar dos bons números, a equipe fazia uma temporada cheia de altos e baixos com o elenco misto e a formação “titular” (entre aspas porque Monique e Sheilla se alternaram) que jogou na última semana foi bem, mas é difícil ter algum parâmetro diante de rivais reconhecidamente mais fracos como Cuba, Holanda e Cazaquistão.

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Pois os jogos da fase final em Sapporo começaram e, como definiu o João Baptista Junior, do Índice Olímpico, o Brasil jogou em ritmo de Olimpíadas enquanto os rivais estavam em um esquema de Montreux. Se eu tivesse que destacar um ponto alto dessa seleção seria a defesa, extremamente bem posicionada e eficiente, mas nada teria sido conquistado sem o bom aproveitamento nos ataques e contra-ataques, os saques bem executados e o bloqueio atento. Só não digo que acompanhamos apresentações tecnicamente perfeitas porque os erros no passe ficaram acima do desejável.

Individualmente falando (vou detalhar isso depois, em outro post), Sheilla, Thaísa, Fernanda Garay e Gabi estão em tão boa fase que vi pessoas apontando que o título de MVP poderia ser dado para qualquer uma delas. Seria justo em todos os casos, mas achei correta a eleição da central, uma vez que não é de hoje que ela vem jogando bem em uma posição um tanto quanto ingrata – se o passe não sai, o meio-de-rede tende a sumir do jogo.

A grande questão que devemos nos ater após este Grand Prix é: pensando no Mundial de 2014, o quanto o Brasil está à frente das seleções rivais? A julgar pelo resultado, aliado ao título olímpico, a resposta seria muito, mas números e conquistas podem ser traiçoeiros quando o contexto não é observado.

O contexto, neste caso, é o fato de os principais rivais das brasileiras nessa disputa, Estados Unidos e Rússia, estarem passando por um processo grande de renovação. Estrelas dessas duas equipes, como Sokolova, Gamova, Hooker, ficaram de fora dos torneios internacionais este ano, mas devem voltar para o Mundial. A própria Itália certamente possuirá um elenco bem melhor para jogar em casa, ao passo que a China sob o comando de Lang Ping tem tudo para ocupar um status superior ao que conseguiu no último ciclo olímpico. Sérvia, Japão, Bulgária e Turquia, por suas vezes, não devem brigar pelo título, mas não me surpreenderia se derrubassem alguns dos favoritos. Vale lembrar ainda que ficou a impressão que muitas estrangeiras focaram menos no Grand Prix do que poderiam.

O Brasil, porém, levou a competição muito a sério e foi merecidamente premiado com o título. Para os próximos meses, a única grande mudança que deve acontecer é a volta de Jaqueline, proporcionando uma disputa que será pra lá de interessante com Gabi. Diante de tudo isso, vejo o time de Zé Roberto um pouco acima dos rivais, sendo o principal favorito ao único título de relevância que falta ao país. Mas não tanto, pelos motivos expostos acima. Ganhar o Grand Prix desta forma certamente foi um feito que merece aplausos, mas não pode ser pretexto para esta equipe relaxar.

This article has 21 comments

  1. “Para os próximos meses, a única grande mudança que deve acontecer é a volta de Jaqueline”.
    Esqueceu da Natalia e da Tandara…

  2. Não esqueci não, Edson. Na minha opinião, a volta delas não é uma “grande mudança”, pois elas já não estavam jogando de titular. No banco, certamente teremos muitas alterações e disputas, mas acredito que o time titular para o próximo ano é esse aí (fica a dúvida Jaque x Gabi). Abs!

  3. Concordo com o seu texto Carol, o Brasil estudou todos as Seleções, e além disso jogou com o Nível Superior em todos os fundamentos. Isso resultou em mais um título do Grand Prix.
    Enquanto para o Mundial, os treinadores não vão poupar jogadoras, e ainda irão surgir velhos e novos talentos para o futuro, ou não acha que Larson, Arindewo, Hooker, e entres outras não vão voltar?

  4. Acho que o Brasil foi extremamente superior como muitos acham. Sheilla voltou a jogar em grande estilo, Thaísa provou porque está entre as melhores centrais do mundo e Fernanda Garay com Gabi na ponta, dispensam comentários. O mundial tem tudo pra ser o mais disputado de todos os tempos.. Vale lembrar que o Brasil ganhou da Sérvia sofrido, mesmo estando com um time totalmente reserva. O mesmo foi com a China, que não contou com duas de suas principais atacantes. Acho que o grande nome em 2014 será sem dúvidas a seleção sérvia. Uma seleção que entrou no cenário mundial do volei agora e já quer grandes espaços. Creio eu que, Russia e Estados Unidos, principalmente, voltam com tudo para o mundial, mas sem chances de chegarem à final. Itália, Japão, Turquia devam ser os coadjuvantes de luxo. Enquanto Brasil, China e Sérvia brigarão de igual para igual em possível final. Olhos bem atentos a este time sérvio, com grandes atacantes como tem atualmente, vão dar trabalho para muitas seleções.

  5. Como seria bom se todas as atacantes cubanas pudessem representarem a sua nação. Com certeza daria uma apimentada diferencial nos campeonatos internacionais. E podendo sem sombras de dúvidas se equiparar à uma seleção campeoníssima como foi na década de 90, com Mireya e cia. Colocar Ruiz, Ramirez, Palacios, Carcaceres, Herrera, e mais uma grande de leva de cubanas espalahadas pelo voleibol afora, seria o mesmo que relembrar a grande época vitoriosa do volei cubano. Imensas saudades!!!

  6. Desculpe Carol, mas não concordo com você em um único ponto! A Natália só não jogou de titular por causa do dopping! A Gabi jogou absurdamente, mas não sei se a Natalia jogando bem, ela seria titular. Afinalo Zé, quando contratou a Natália para o time dele, ele foi bem claro, dizendo: “Hoje considero a Natália uma das CINCO melhores ponteiras do mundo”.

  7. Concordo com vc Leonardo, a Gabi só ficou de titular porque a Natália estava afastada. Em condições de jogo a Natália nunca vai ser banco, o Zé já deixou bem claro que a Natália é a preferida dele, ela só está atravessando um tempo de azar sem dúvida ela será a titular da seleção quando voltar.

  8. Discordo em partes, a grande mudança não será simplesmente a volta de jaque, pois natália e tandara entram na briga tanto pra ponta quanto para saída… a sheilla foi bem d+, porém, infelizmente, é visível que perdeu força física no ataque e num mundial, com todas as seleções jogando o fino da bola, talvez o papel dela seja outro no time do Brasil.

  9. Vale ressaltar que a Brankica vai estar treinando com o Bernardo. Basta lembrar a evolução das jogadores depois de sua batuta (jaque, thaisa, dani lins, sarah, gabi, fabizona, fabizinha, jucy, monique, michele etc). A jaque deu uma entrevista que a sua ótima recepção ocorreu após sua passagem pelo time carioca. Assim, a Branka poderá se tornar uma arma poderosa da sérvia.

  10. Bem, Carolina, de fato, a seleção mereceu o título por ter levado a competição a sério. Fiquei também contente com a atuação da Dani Lins, mesmo com o passe complicado, como você assinalou. Prefiro a Fabíola (que pediu dispensa agora, mas pode ser reintegrada no Mundial) e acho que Claudinha merecia mais chances. Concordo com os outros comentaristas que mencionaram a Natália como (possível) ponteira titular, disputando com Gabriela (Jaqueline, claro, também não pode ser esquecida). E Thaisa jogou muito (além do mais, como saca bem!).

    Um abraço.

  11. Rafael, o Bernadinho não evoluiu o passe da Mari, então não concordo com seu comentário. Mas aposto muito na Sérvia como a Seleção que mais vai dar trabalho pro Brasil e os EUA também com a volta da Hooker/Larson/Akinradewo.

  12. Tandara eu acho que vai ser a reserva da Sheilla. E acho que das que restaram (Gabi, Natalia, Jaque e Fe Garay) as que tiverem um melhor aproveitamento no passe serão as preferidas para serem titulares.

  13. E só lembrando…O Brasil também não tem o título da Copa do Mundo, que é bastante prestigiado também, então não é só o mundial que não temos

  14. Esperava mais de China e Servia nestes jogos finais. Que pena que jogaram com as reservas. ia ser um jogo muito disputado, mas com certeza se o Brasil entrasse com o mesmo ritmo das outras partidas, sairia vitorioso. Vamos esperar o mundial pra ver o novel destas seleções com as suas principais armas. Acho bacana o JRG entrar nos campeonatos com as titulares, afinal elas pediram pra jogar. A cada jogo vão ficando mais afinadas e preparadas para este titulo que nos falta.

  15. Somos campeões de fato e direito! Temos a equipe mais coesa do mundo. Gabi é uma boa jogadora, mas ainda não é titular absoluta.
    A volta de Jaque e Tandara movimentara algumas posições.
    Fe Garay é a melhor ponteira do Brasil no ataque, cresceu muito no bloqueio e esta evoluindo no fundo de quadra. Acho que ela joga de titular com um das já citadas. Sheila em boa fase é nossa melhor oposto, e deixaria Natalia na sua reserva. Fabi melhor libero. Dani Lins confirma sua titularidade, mas Claudinha é “insossa”. Espero que Fabiola volte. No meio surge uma 3ª vaga em aberto já que Zé andou alternando entre Jucyele e Adenizia. Thaisa e Fabiana são absolutas como titulares.

    Só vejo 2 equipes páreas a nossa: Estados Unidos e Rússia completas. Porque se forem mescladas somos superiores. A Sérvia com Brakocevic e Mihajlovic e a boa levantadora vão dá trabalho. A China sem o fenômeno Zhu não é favorita. Japão está evoluindo e promete configurar entre as tops. Itália jogando em casa com o apoio da torcida deve render mais no Mundial. Polônia, Turquia, Bulgaria e Coréia do Sul devem render bons jogos.

  16. Não vejo a hora de chegar este Mundial, só o título nos interessa e esta seleção está mais que preparada para a conquista, será um grande mundial certamente todos os outros times irão querer ganhar do Brasil e a rivalidade será grande contra EUA e Russia. Só discordo no ponto que a Sérvia não deve brigar pelo título, ao meu ver está mais preparada do que a Itália mesmo esta jogando em casa o Mundial.

  17. Rússia e EUA. São os únicos times que brasil não entra como favorito, pelos fatores dos EUA terem a melhor seleção do mundo. E Rússia ter grandes estrelas.

    Mas em 2014, esperamos a volta de Hooker, Logan Tom, Larson, Megan Hodge e akinradewo, Harmoto promete evoluir ainda mais e ALisha Glass idem.

    Rússia são jogadoras novas. Mas com a volta de Sokolova e Gamova, fica um dos favoritos ao titulo.

    Sem contar com Sérvia e China.
    Essas duas são seleções jovens, mas com grandes revelações.

    Seleções como: Itália, Japão, Coreia, Bulgária, Turquia. Não devem ser campeões, mas tem muitas chances de ficar entre o terceiro a quinto lugar.

  18. Velha mania do povo endeusar o que é do fora! Aff…
    Se os Estados Unidos fossem a melhor seleção do mundo ganharia as Olimpíadas e o Grand Prix com esse time mesclado.

    O Brasil ganha de forma soberana a final das Olimpíadas e o Grand Prix e seria o que?!?!

  19. A verdade é uma só: jogando confiantes, as meninas são imbatíveis. Pode vir Rússia completa, Estados Unidos ou o escambau que não tem para ninguém.

    Sabe qual é o nosso diferencial? Temos banco. Nossas ponteiras não deixam nada a dever, temos uma central que é a melhor do mundo (Thaisa) e uma oposta que mesmo sem o vigor de antes é muito malandra e ganha na inteligência de qualquer uma. E se os truques dela não funcionarem, temos uma porradeira no banco (Tandara) para descer a madeira nos adversárias.

    Quando a nossa levantadora defender um ataque, temos uma libero gaiata chamada Fabi, que levanta aceleradamente de toque para as extremidades. Pra que coisa melhor?

    O nosso time tem que manter esse jogo confiante que é o maior legado de Londres. Perdeu o primeiro set? Recuperamos no segundo e assim por diante. O passe estourou? Joga pra Garay que ela resolve bolas altas.

    Agora é torcer para que em 2014 tenhamos todas as atletas em excelentes condições físicas, porque foi por não poder contar com todo o nosso poderoso arsenal que não vencemos os 2 últimos mundias. Em 2006 estivemos sem nenhuma ponteira de definição. Paula recém parida, Mari se adaptando a posição, e o que sobrou de titular foi Jaque e Sassá. É pra rir, né? Elas são boas, mas têm a mesma função tática, que é passar e defender e por último atacar e bloquear.

    Em 2010, Mari e Paula estavam lesionadas, então sobrou para a “novata” Natália e Jaque. E o banco? Garay sem ter oportunidades ainda e Sassá.

    Que venha 2014 com muita saúde para essas mulheres!

  20. Bom nesse impasse de Gabi, Natalia e Jaque vou levantar a seguinte idéia: acredito que ZRG não ira abrir mão dessas ponteiras mais a Garay. Acredito que ele deixará Tandara fora pois Natália pode sim desempenhar a função de ponta e oposto, força equivalente mas impulsão e explosão de ataque melhor que Tandara.

  21. Por mais talentosa que seja, a Gabi não entra na briga pela vaga de titular, pelo menos não no mundial. Nati e Garay devem ser as titulares, Jaque será a primeira opção no banco para segurar o fundo de quadra. Bem, fazendo uma análise mais tática, Jaque é necessária pra podermos jogar mais com as centrais, neste sentido, Jaque e Garay ou Jaque e Nati. Particularmente prefiro a segunda opção, mas dificilmente a Garay não seria titular, por isso acho q a Jaque ficará no banco.