Algumas impressões sobre o caso “Mari x Zé”

Crédito: Felipe Christ/Amil

Durante o lançamento das Superligas masculina e feminina de vôlei, nesta quarta (22) em São Paulo, encontrei o técnico José Roberto Guimarães. E, claro, um dos assuntos da entrevista não poderia deixar de ser as fortes declarações de Mari para a “Isto É 2016″.

Como já havia feito antes, Zé não quis aumentar a polêmica e limitou-se a dizer:

“Cada um tem a sua opinião e a dela tem que ser respeitada”

Ainda tentei insistir um pouco e perguntei se, caso volte a jogar bem, Mari poderá ser convocada novamente. A resposta, também curta, dá o tom do quão delicada é a questão:

“Isso é outra coisa…”

Estou longe de ser dona da verdade, mas gostaria de compartilhar minhas impressões sobre o caso (são apenas impressões, por favor):

1. É improvável que Mari volte, seja porque não quer, seja porque Zé Roberto dificilmente se arriscaria a ter uma convocação negada. Isso não significa que as portas estejam definitivamente fechadas, já que a relação entre ambos viveu altos e baixos nos últimos anos e uma conversa profunda entre eles podem apaziguar as mágoas que estão evidentes para o público

2. Apesar de nem todo mundo aprovar as suas atitudes, Mari ainda continua respeitada no grupo e não é por acaso que ninguém a critica veementemente. Algumas jogadoras até dizem que ela “tem razão em muita coisa”, conforme saiu em destaque em muitos sites por aí.

3. O fato de concordarem com parte das declarações de Mari não significa que as jogadoras estejam contra Zé Roberto. Problemas existem, claro (quem aqui tem uma relação perfeita com o chefe?), mas daí a imaginar que as atletas não suportariam a sua permanência na seleção é errado.

4. A principal concordância com relação ao que Mari disse está na parte onde ela declarou que o “clima estava ruim” no time. Isto, porém, não aconteceu em função de diferenças pessoais irreverssíveis, mas sim por conta da péssima fase vivida pelo Brasil entre o fim de 2011, com o fracasso na Copa do Mundo, até a primeira fase em Londres, quando nada dava certo e a eliminação só não veio por conta da honestidade americana e/ou incapacidade turca

Enfim, a seleção feminina está longe de ser aquela coisa bonita de livros motivacionais e certas atitudes e decisões deixam consequências, muitas vezes ruins. Cada um tem suas razões nessa história e cabe a cada um tirar as suas conclusões

This article has 10 comments

  1. Acompanho o volei feminino há mais de 30 anos e crises e momentos delicados fazem parte de toda seleção, por melhor que ela seja. O importante é superar esses períodos ruins e isso nossas meninas sabem fazer muito bem. Quanto as pequenas desavenças, fica a máxima: “Uma torcida não quer paz, uma torcida quer é glória!!!”

  2. Tipíco da mídia brasileira. Discutir um assunto de maneira exagerada até que se possa tirar dele, ou pelo menos achar que se tira, um pouco de atenção. Mari é ouro olímpico com um merecimento indiscutível. Seu corte para londres foi justo e, queiram ou não, o Brasil voltou com o ouro de Londres e com sua credibilidade resgatada. Agora é bola pro saque e que comece a Superliga. Deixe a Mari na turquia com suas injeções para amenizar suas dores na perna e deixe o Zé em Campinas, trabalhando por um lugar ao sol na Superliga com seu time de campinas.

  3. A Mari sempre apresentou problemas de relacionamentos, ZRG já qdo jogava no Pesaro, Italia, dps com o Rizzola e Mauro Grasso pelo Sanca, com Bernardinho tb não foi as mil maravilhas, enfim… Praticamente uma encarnação da Venturini, mt provavelmente será a Mari, e não a Venturini, quem nos dirá quem é o Zé Roberto de verdade, rsrsr

  4. A Mari é uma boa jogadora, mas sempre se mostrou muito imatura. O Zé Roberto com certeza deve errar muito, mas ele é o comandante. Felizmente, temos muitas jogadoras de alto nível no Brasil. Ninguém é insubstuível! Maus e bons momentos no trabalho temos todos os dias. Ou alguém aqui é seu próprio chefe? Fico cansada de ler essas declarações da Mari, de ver a Fabizinha mandando o mundo “calar a boca”, etc. Isso não é atitude de profissional! Essas “meninas” precisam amadurecer muito ainda. São as melhores, não tenho dúvidas, mas ainda sim deixam a desejar na postura enquanto profissionais. Já pensou se todos aqui irritados com a posição do chefe começassem a dar declarações assim? Estaria todo mundo na rua. Acompanho o vôlei feminino há uns 15 anos. Sou apaixonada pelo esporte, mas tenho uma opinião forte que vale pra Mari e as demais: Quem tem amor a seleção supera essas dificuldades, busca melhorar para merecer a posição no time. Quem honra de verdade a camisa que veste evita ficar dando qualquer declaração por aí, jogando “merda no ventilador”. Isso é coisa de amador! Tá complicado, procura ajuda psicológica no time, na empresa… ou então caí fora! Temos excelentes ponteiras vindo aí… ela já deu uma boa contribuição na seleção.

  5. Parabéns pela maneira como debate o caso. Sendo um espaço onde se discute e informa sobre voleibol, o assunto deve ser comentado, porém com o cuidado de ser imparcial, neutro, apenas esclarecer verdades e não pressa em julgamento.

  6. Apoiadíssima!

  7. Como sempre Carol com a declaração mais sensata de toda essa história. Só não entendo porque tanta polêmica, se o ZRG só fez o trabalho que lhe cabe como técnico: cortar algumas jogadoras em prol de outras. Realmente tem que ter muita paciência e controle emocional pra comandar um grupo de mulheres. É muita vaidade em jogo. E quanto a futuras convocações não acredito que Mari e Paula voltem mais pra seleção, tanto pelo que veem jogando quanto pelas declarações que deram após olimpíadas.

  8. Excelente este post! Concordo plenamente com os comentários da Eliana Hafiza. A Mari é uma excelente jogadora. Tenho certeza que, se voltar a seleção, vai ainda nos dar muitas alegrias! Espero que ela mostre toda a sua competência na bola e que realmente mereça uma posição na seleção.

  9. O problema do Zé Roberto é que ele colocou em um tottem suas estrelas, dando poderes além da quadra para as atletas criando a maior panela já vista numa seleção. Quando viu, estava fraco e desacreditado perante o grupo. Na minha humilde opinião, o corte da Mari foi mais para tentar reconquistar o respeito das jogadoras mas foi um tiro no pé! Se fosse uma questão técnica ou de relacionamento, ou mesmo disciplinar a Mari deveria ter sido cortada em 2010. Então, faltou sabedoria para o sr Ze Roberto para não deixar que as jogadoras como Sheila Fabizona e Fabizinha assumissem as rédeas da seleção. Agora aguenta!

  10. [...] nem Bernardinho são perfeitos. Zé, por exemplo, vive um desgaste claro com as meninas, apesar de eu achar que a situação não é tão grave assim. Bernardinho, por sua vez, também cometeu “cabeçadas” ao longo do último ciclo [...]