Brasil precisa superar a si mesmo para ganhar o tetra no Mundial; entenda

Brasil precisa superar a si mesmo para ganhar o tetra no Mundial; entenda

Às vésperas de toda grande competição, o discurso do técnico Bernardinho se repete. Pode o Brasil estar vacilante ou arrasando que o treinador vai dizer que uma série de times tem chances de chegar às medalhas e que pelo menos a metade deles é candidato ao ouro. No caso do Mundial de 2014, os números exatos ditos por ele são: 10 times com possibilidades de pódio e seis de ouro.

Em certas ocasiões, o Brasil estava tão bem que era evidente que a fala do técnico era uma estratégia para diminuir a pressão de seus comandados e não incitar muita motivação nos adversários. Afinal, a melhor maneira de empolgar um rival é sair falando que “somos os melhores”, “não vai ter para ninguém”, etc, etc. Neste caso, porém, não: por tudo o que vimos ao longo dos últimos meses, é evidente que os brasileiros não podem ser considerados favoritos únicos ao título. Estão lá em um primeiro escalão, junto com EUA e Rússia e talvez a dona da casa Polônia, mas não seria surpresa para ninguém se esse time parasse na semifinal.

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Ou seja: estamos diante do Mundial mais difícil dos últimos anos. Se vier, o tetra será suadíssimo. E, para que isso aconteça, a equipe verde-amarela terá que não só superar as outras seleções, mas também resolver alguns problemas dentro de si mesma. Quais? Veja abaixo (vale lembrar que a estreia será às 8 horas (de Brasília) contra a Alemanha):

- Murilo estar bem

Pense na Liga Mundial 2014, onde o Brasil passou perto de fazer sua pior campanha desde a década de 90: por mais que Murilo não tenha jogado o suficiente para ser nomeado MVP, a seleção só emplacou quando o ponteiro começou a ter melhores atuações. Ok, houve vitórias sem que ele estivesse em quadra, mas a estabilidade que o ponteiro deu no passe a partir dos jogos contra a Itália no fim da primeira fase foram o impulso rumo à final. Quem o acompanha há anos, sabe que o ponteiro ainda tem potencial para ir muito além, especialmente no ataque e isso pode ser decisivo no Mundial. Com dores no pescoço, ele é dúvida para a estreia do Mundial, mas o próprio Gustavo disse que isso não passa de “coceira”. Vamos confiar.

- Passe estável

Quando se fala em Murilo, automaticamente a palavra “passe” vem à cabeça e, consequentemente, lembramos do líbero Mario Jr.. E, se no feminino Camila Brait já se sente muito à vontade no lugar de Fabi, o mesmo ainda não podemos dizer do substituto de Serginho. Na Liga Mundial, o carioca começou muito mal e por pouco o Brasil não pagou caro por isso. Depois, ao lado de um Murilo melhor fisicamente, teve atuações realmente muito boas e o time melhorou bastante. Qual líbero veremos no Mundial?

- Oposto com confiança

O fundo de quadra não é o único ponto a se ficar alerta com o time nacional. Nos quatro amistosos que o Brasil fez antes de chegar à Polônia, a única dúvida que aparentemente ainda atormenta a comissão técnica com relação ao time titular é: quem fica com a posição de oposto? Leandro Vissotto tem uma pequena vantagem no momento, mas possui tantos altos e baixos que Wallace pode entrar a qualquer momento. O problema é que o jogador do Sada Cruzeiro também ainda não se sente tão à vontade na seleção e não ter um matador com confiança pode gerar muitas dores de cabeça para o time…

- Reservas que mantenham o ritmo de jogo

O banco brasileiro, aliás, é uma coisa que me incomoda um pouco atualmente. Nos últimos meses, ninguém ali, nem mesmo o próprio Wallace ou o levantador Rapha, conseguiu fazer o suficiente para ameaçar os atletas titulares – e olha que, entre os ponteiros, por exemplo, oportunidades não faltaram. Espero que com os treinos isso tenha mudado e, na necessidade de se virar um jogo complicado, esses jogadores apareçam bem a ponto de mudar a cara do jogo.

- Saque

Se tem um fator que o Brasil ainda não encaixou este ano, é o saque. Na primeira fase da Liga Mundial já abordamos o tema e as estatísticas comprovam: até começar os jogos decisivos, nosso melhor sacador, Lucão, era apenas o 23º colocado em eficiência. Na fase final melhorou um pouco (Lucão foi pra nono e Sidão pra 14º), mas os brasileiros ainda estão devendo neste fundamento. Se continuar assim, vai ser difícil levar o ouro de novo…

E você, o que acha que pode atrapalhar o tetra do Brasil?