Cabeça erguida e seleção do Grand Prix

(Divulgação/FIVB)

Em um país no qual ser segundo ou último colocado é quase a mesma coisa, fico feliz em ver que a maioria dos fãs de vôlei está satisfeita com a prata no Grand Prix. De fato, em um momento complicado como o qual a seleção vive, terminar com duas vitórias por 3 a 0 sobre Itália e China é motivo para ter muito orgulho.

O Brasil começou mal a fase final da disputa, com uma derrota completamente inesperada sobre o Japão, foi mais ou menos contra a Polônia, deu muito trabalho ao campeão Estados Unidos e simplesmente aplicou duas surras para encerrar participação. Um bom trabalho, mas que ainda demanda muitos ajustes.

O principal deles é o passe, que de uma maneira geral foi irregular durante a competição – nem a Jaqueline, que é a Jaqueline, conseguiu render tudo o que pode neste fundamento. Curiosamente, os melhores momentos da recepção aconteceram com Natália de ponteira, ao lado da Jaque e da líbero Fabi. Uma boa surpresa, forçada pelo destino, mas que também deve ser creditada na conta do Zé Roberto e sua insistência em fazê-la treinar em outra posição.

O alerta vermelho deste campeonato fica para o revés diante das nipônicas, ocorrido quando as lesões da Mari e da Paula ainda não tinham acontecido. Depois de um primeiro set muito bom, a equipe desconcentrou, foi perdendo a paciência e acabou derrotada. No fim esse resultado nem fez tanta diferença – os EUA seriam campeões do mesmo jeito -, mas pode ser fatal em um Mundial.

Quanto à derrota para as norte-americanas, foi normal. Acontece, porque a equipe delas é muito boa, estão mais entrosadas e mereceram ganhar o Grand Prix. É impossível saber se com a Paula em quadra o Brasil ganharia, até porque o jogo foi muito disputado até o fim. Os EUA agora entram para o rol de favoritos ao Mundial, mas tenho minhas dúvidas se as jovens jogadoras do time vão seguir o bom ritmo e aguentar a pressão. 

Sinceramente, acho que elas vão dar trabalho, mas não levam o Mundial. Bronze na China, a Itália certamente vai jogar bem mais que o visto esta semana, enquanto há séria possibilidade de o Japão tirar o posto de melhor asiático da China. Rússia e Cuba são grandes incógnitas.

Por fim, a minha seleção do Grand Prix:

Levantadora: Takeshita
Oposta: Hooker (Sheilla)
Ponteiras: Jaqueline e Logan Tom
Centrais: Akinradewo e Thaísa
Líbero: Fabi

Enquanto isso…

- A FIVB continua fazendo piadas em suas premiações individuais. Thaísa merecia ser a melhor sacadora, mas dar o título para Wang não foi absurdo. Agora Zhang, a comandante daquela linha de passe ridícula da China, ganhar como melhor líbero é a prova que de que nem sempre dá para confiar em estatísticas.

Amanhã eu volto com uma avaliação individual de cada jogadora do Brasil

This article has 2 comments

  1. Em muitos anos não via uma premiação perto da perfeição. Se fosse no Japão as japonesas ganhariam todos os prêmios por terem vencido BRA e ITA.

    A melhor líbero da competição foi a Sano. Mas o prêmio poderia ser de qualquer uma, nenhuma foi unanimidade. Se a Cardullo tivesse jogado talvez, mas não.

  2. Esse negócio de dar uma forçadinha de barra para o país-sede é constrangedor, especialmente quando nem se chega ao pódio. Sério mesmo que você daria “melhor sacadora” para a Wang? Ok que eles se basearam em estatísticas, mas nem sempre os números dizem a verdade… quanto à líbero, concordo.

    Abs, Carol