Campeã após tumor e perseguição, Natália comemora “grande vitória da vida” com a mãe

Campeã após tumor e perseguição, Natália comemora “grande vitória da vida” com a mãe
Maior pontuadora do jogo com 22 acertos, Natália fez o ponto decisivo graças a "presente" de Fofão (Divulgação/CBV)

Maior pontuadora do jogo com 22 acertos, Natália fez o ponto decisivo graças a “presente” de Fofão (Divulgação/CBV)

(matéria originalmente publicada no Portal  R7. Clique aqui para ver)

A sensacional virada conquistada pela Unilever sobre o Sollys Osasco na final da Superliga feminina de vôlei, disputada na manhã deste domingo (7) teve um gostinho especial para uma jogadora: Natália. Ponteira da equipe carioca, a catarinense da pequena cidade de Joaçaba considera que o título representa uma volta por cima em sua carreira, marcada nos últimos meses por um tumor benigno na canela esquerda e a “perseguição” dos torcedores do time paulista, onde foi lançada como atleta e teve uma saída atribulada dois anos atrás.

Considerada o maior destaque da nova geração do vôlei brasileiro, Natália viu sua trajetória ser posta em dúvida por conta do problema físico, descoberto ao fim da temporada 2010/2011. Ficou meses sem jogar e, mesmo tendo se recuperado a tempo de fazer parte do grupo bicampeão olímpico, recebeu críticas por parte da torcida por praticamente não ter atuado em Londres 2012. Para piorar, fãs de Osasco não engoliram bem sua saída para o maior rival e lhe vaiavam constantemente a cada encontro entre as equipes, incluindo o duelo este domingo.

Diante de tudo isso Natália estava em êxtase após a conquista do título no ginásio do Ibirapuera, em uma partida na qual dividiu o posto de maior ponteira com a canadense Sarah Pavan – cada uma marcou 22 vezes. E foi a mãe, dona Lucimar, sua maior apoiadora, quem definiu melhor o momento da atleta:

- O tumor era pouco significante, mas as dores eu ele causava eram muito intensas. Para ser franca, hoje eu senti que minha filha está curada, tanto do tumor quanto da parte psicológica. Hoje foi a grande vitória da vida da Natália.

Natália concordou plenamente com as palavras da mãe e acrescentou:

- Só aqueles que estavam do meu lado, como meus pais, o pessoal da equipe e meus amigos, sabem o que eu sofri. Foi uma vitória muito importante para mim.

Último ponto “de presente”

Não bastasse todo o significado desta vitória, Natália ainda teve a honra de fazer o último ponto da final. Mas engana-se quem pensa que isto foi obra do destino ou apenas uma coincidência. Levantadora da Unilever, a experiente Fofão confessou que mandou a bola decisiva para a catarinense de propósito, como um simbolismo por tudo o que ela passou:

- Eu tinha a possibilidade de levantar para a Juciely, mas só a gente que está ali sabe o que essa menina passou esse ano. Para mim, ela é muito especial como jogadora e como pessoa. Queria que ela fechasse o jogo para vê-la feliz com esse último ataque. Olhei para ela e pensei: “É você quem vai definir este jogo, pois você merece”.

Informada das palavras de Fofão, Natália se disse agradecida pela confiança, mas ressaltou que “não tinha ouvidos para a torcida do Osasco, só da Unilever”. Apesar disto, o técnico Bernardinho aproveitou a oportunidade para alfinetar os fãs do rival:

- Nossa torcida no Rio de Janeiro tem respeito pelas pessoas que passaram por lá e a Natália foi muito agredida verbalmente. Todo mundo sabe que ela não saiu de lá por dinheiro e ainda teve uma lesão muito séria. Além disso, teve a pressão de jogar em uma posição nova (ponteira) e, por incrível que possa parecer, muitas vezes eu tive mais paciência com ela do que ela mesma. Então, por tudo o que ela viveu, ele teve o “merecimento”.

This article has 3 comments

  1. Marcos Luiz Bernardino Gomes
    domingo 7 abril 2013, 9:35 pm

    EU SOU FÃ DESTE CLUBE

  2. Algumas coisas que eu gostaria de saber:
    1- a comissão técnica de osasco sabia que ela tinha um tumor na canela?; 2- se sabia pq não fez nada?; 3- se não sabia, foi por negligência ou incompetência,ou outra razão?; 4- independentemente de saber ou não do tumor, pq continuou permitindo que a jogadora entrasse em quadra, durante meses, sentindo fortes dores?

  3. Oi, Viviane. Quando estava em Osasco, a Natália já sentia dores, mas à época não se sabia que era um tumor e inicialmente o caso foi tratado como uma inflamação no osso. Só algum tempo depois, quando ela já estava na Unilever, foi descoberta a real causa do problema (aí não vou saber te dizer se foi o pessoal da seleção ou do Rio que deu o diagnóstico). Sinceramente, não tenho conhecimento médico suficiente para saber se o Sollys foi imprudente ou não, por isso prefiro não opinião. Abs!