Campeão é o Sada, mas Brasil Kirin sai da Superliga com a cabeça erguida

Campeão é o Sada, mas Brasil Kirin sai da Superliga com a cabeça erguida

É inevitável: todo vice-campeonato tem um gostinho amargo. Estar tão perto da taça e não conseguir levantá-la é frustrante. Que o diga o Brasil Kirin: exceção feita ao terceiro set, a equipe de Campinas jogou de igual para igual contra o poderoso Sada Cruzeiro, mas não foi suficiente para evitar a derrota por 3 sets a 1, parciais de 23-25, 25-23, 25-15 e 30-28.

Aos torcedores e jogadores do Brasil Kirin, um conselho: quando sentirem tristeza pelo resultado negativo, olhem o placar. Ali, está claro o quanto o time foi corajoso e colocou a melhor equipe do mundo em dificuldades. Dessa vez não deu, mas ficou claro que é possível acabar com a hegemonia azul no cenário nacional. Vai exigir muito trabalho, mas não é impossível.

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Um dos caminhos para isso demonstrados no Nilson Nelson é apostar no ataque pelo meio. Ousado, o levantador argentino Gonzalez abusou do recurso no primeiro set com Luzinho e, principalmente, Maurício Souza. É verdade que os paulistas acabaram beneficiados de erro de arbitragem quando perdiam por 19 a 18, mas isso não tira o mérito da vitória deles na parcial.

O embalo seguiu no segundo set, mas aí o Brasil Kirin cometeu um erro fatal contra o time do naipe do Sada: desperdiçou chances. Inexplicavelmente, o volume de jogo com os centrais também caiu, o que permitiu aos mineiros crescerem. Éder se uniu a Leal, o melhor do jogo, como uma boa alternativa de ataque para William e fechou o placar com um ace.

O terceiro set foi atípico: perdido, Campinas não conseguiu agredir no saque e viu um verdadeiro show cruzeirense, com Wallace aparecendo no jogo. Aliás, nem o oposto e nem o seu xará do outro lado da quadra estiveram em grande dia. Me arrisco a dizer que, se o Wallace de Campinas tivesse conseguido jogar tudo o que sabe, certamente havia um tie-break.

Enganou-se quem pensou que o atropelamento na etapa anterior afetaria o Brasil Kirin para o quarto set. Lucas Loh chamou a responsabilidade para si e manteve a equipe viva na final. Mas o excesso de erros no saque (nove) prejudicou demais. E vocês já sabem: não se pode vacilar contra o Cruzeiro. Depois de uma emocionante troca de pontos na reta final da etapa, o jogo acabou em um erro de ataque de Loh, que falhou ao tentar explorar um bloqueio. Título justo para os comandados de Marcelo Mendez, que foi ainda mais valorizado pela luta do Brasil Kirin.

De negativo na partida, o excesso de erros de saque de ambos os lados. O bloqueio também pouco apareceu. Já Leal demonstrou o porquê se ser considerado o melhor jogador em atividade no Brasil neste momento. Como o joga o cubano, que também tem crescido muito no passe!

Guardadas as características de cada jogo, o que aconteceu neste domingo (10) em Brasília foi semelhante ao que fez o Dentil/Praia Clube diante do Rexona na semana passada: um estreante em finais causando muitos problemas para o gigante favorito. Nenhum deles foi recompensado com o título, mas saem com uma moral enorme para brilhar ainda mais nas próximas temporadas.