Campeão mundial, Sada Cruzeiro colhe os frutos do que plantou

Campeão mundial, Sada Cruzeiro colhe os frutos do que plantou
Na final contra o Lokomotiv, Sada fez um dos melhores jogos da história do vôlei brasileiro (Foto: Divulgação/FIVB)

Na final contra o Lokomotiv, Sada fez um dos melhores jogos da história do vôlei brasileiro (Foto: Divulgação/FIVB)

Vai e vem de patrocinadores é algo tão comum no vôlei brasileiro que todo fim de temporada criamos, ainda que inconscientemente, uma expectativa sobre qual será o time que fechará as portas. Em muitos casos, a resposta é aquele formado no máximo três anos antes com um investimento altíssimo, porém mal feito, o que acaba gerando resultados abaixo do esperado e, consequentemente, muita frustração.

Se alguém ainda duvidava que esta maneira de colocar dinheiro no vôlei é equivocada, a prova cabal aconteceu neste fim de semana, com o título mundial do Sada Cruzeiro. Iniciado em 2006, os investimentos da empresa de transportes começaram discretos, mas foram feitos de maneira direcionada e, principalmente, paciente. Pouco a pouco, os resultados apareceram: o primeiro Mineiro demorou dois anos para chegar, a taça da Superliga só foi levantada em 2011/2012, mesma temporada do Sul-americano, e, agora, o time está no topo do mundo.

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Um vice mundial esperado, justo e digno

Observem, porém, que até subir ao ponto mais alto do pódio em todos esses campeonatos, o Sada precisou encarar muitas derrotas, incluindo em finais. Mas nem por isso o patrocinador resolveu acabar com a equipe ou reformulá-la por completo. Nomes como Serginho, William, Wallace e Filipe, por exemplo, estão lá há tanto tempo que já se confundem com a história do clube…

Confiar em longo prazo na capacidade do técnico Marcelo Mendez também foi um fator fundamental para que os mineiros chegassem tão longe. Pouco badalado, mas com trabalhos consistentes na carreira, o argentino provou o quanto entende de vôlei e não deixa nada a dever aos principais nomes que ocupam a função ao redor do mundo. Afinal, dar um show de vôlei ao poderoso Lokomotiv pode até ser atípico, mas não é nada desprezível.

Não podemos ignorar ainda as parcerias do Sada com o poder público e privado das cidades ao redor de Belo Horizonte, proporcionando bons espaços para jogos, apoio para trazer o Mundial e escolinhas de vôlei. Por fim, se associar a um time de futebol, o Cruzeiro, significou a perda da simpatia da massa atleticana, mas conferiu imediatamente ao time uma torcida fanática, que ajuda muito durante as partidas.

Definitivamente, o Sada Cruzeiro é merecedor do lugar que ocupa agora.

Quanto ao jogo da final, reproduzo aqui o que já escrevi no Facebook e no Twitter:

“Impecável o Sada Cruzeiro neste domingo! Merecidamente o novo campeão mundial de vôlei. Desde o líbero Serginho, eficientíssimo no passe até o fenomenal Wallace, garoto talentoso e gente boa, passando pelo William, que deixou os russos tontos com sua distribuição hoje. No meio, Éder e Douglas foram imparáveis, enquanto Leal e Filipe esbanjaram garra nas pontas. Não vamos esquecer o competente Marcelo Mendez no banco, assim como o trabalho muito bem feito pela diretoria mineira em todos esses anos. O Lokomotiv nem viu a cor da bola e o Brasil finalmente quebra o jejum de nunca ter vencido um Mundial de clubes masculinos. Parabéns!”

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  1. Como atleticano (e minastenista), perdi a simpatia que tinha pelo Sada/Betim quando ele se tornou Sada/Cruzeiro. (E pouco antes disso, o time já tinha se colocado um pouco como “vilão” ao fazer uma troca repentina de treinador, Talmo por Marcelo Méndez após perder um título estadual para o Montes Claros treinado pelo argentino.)

    Mas o trabalho firme do Sada tem que ser reconhecido. Manter a maioria do elenco por tantos anos mesmo com alguns insucessos é um grande mérito, e clube e jogadores fazem um grande trabalho de divulgação. William, Serginho e Felipe, principalmente, são presenças constantes nos programas esportivos aqui em MG. Nessa semana pós-título, foram praticamente onipresentes.