Cinco pontos para entender a péssima fase do Sesi

Cinco pontos para entender a péssima fase do Sesi

Sétima colocação e uma campanha com mais derrotas que vitórias (8 x 11). Nem em seu pior pesadelo, o torcedor da equipe feminina do Sesi poderia imaginar essa situação na Superliga 2015/2016. A cereja do bolo veio na noite dessa sexta (12), com uma surpreendente derrota para o novato Renata Valinhos/Country. O time do interior paulista teve seus méritos, claro, mas o resultado não deixa de ser decepcionante para a equipe vermelha.

Com um alto investimento, capaz de segurar a campeã olímpica Fabiana e trazer Jaqueline, o Sesi chegou a sonhar com o título no começo da temporada. Nesse momento, porém, passar das quartas-de-final já parece muito difícil. Tentamos analisar nesse post o que levou o clube a tal situação.

Mais notícias de vôlei? Melhor do Vôlei!

1. Demitir o técnico Talmo de Oliveira sem ter um plano B

Quando a má fase ficou escancarada, a diretoria do Sesi optou pela clássica solução do futebol: trocar de técnico. Talmo de Oliveira, que acompanhava o projeto desde a criação, em 2011, foi substituído por seu assistente Giuliano Ribas, o Juba. O problema não foi nem a troca em si, mas a forma como ela foi feita: do nada, como se a simples substituição de uma pessoa fosse fazer a engrenagem funcionar. Não houve qualquer planejamento ou tentativa de incorporação de outra filosofia de trabalho. E os maus resultados persistem…

2. Ausência de levantadoras com bagagem

Peça fundamental no funcionamento de um time, a posição de levantadora exige uma enorme capacidade de suportar a pressão, além de experiência fora e dentro do clube. Quando decidiu renovar totalmente a posição, substituindo Claudinha e Carol Albuquerque por Pri Heldes e Carol Leite, o Sesi sabia que estava correndo um enorme risco. Apesar de serem bons nomes da nova geração, as atuais armadoras do time não estão amadurecidas o suficiente para encarar como uma situação como esta. Pra piorar, dificilmente têm a chance de trabalhar com um passe A.

“O Brasil é o grande favorito no Rio”, diz Paula Pequeno

3. Falta uma atacante definidora. A bola de segurança é uma central

Bicampeã olímpica, Fabiana é uma jogadora fantástica e é a única titular que tem mantido um bom nível de ataque nessa temporada, com direito a estar no top 10 das maiores pontuadoras da competição. Mas ela tem um “problema”: é central. Ou seja: se está fora da rede ou o passe não vem legal, não pode ser acionada em sua plenitude. Aí fica difícil.

4. Jaqueline caiu muito em relação à última temporada

Essa bola de segurança poderia ser Jaqueline, mas isso não tem acontecido. Depois de uma excelente temporada no Minas, na qual foi diretamente responsável por mudar o status do time dentro do campeonato, Jaqueline chegou ao Sesi cercada de enormes expectativas. Porém, nem parece a mesma jogadora: com 23% de eficiência no ataque, ela está abaixo de seu próprio nível e ainda sofrendo com lesões que já a tiraram de quatro jogos nesta Superliga.

5. Falta cada vez mais confiança

Sabe aquela fase que tudo, absolutamente tudo, dá errado? Não importa o que você tente, vai falhar. Aí, você acaba perdendo confiança no que faz de melhor e às vezes até gostaria de desistir, mas não pode. É isso que o que está acontecendo com as meninas do Sesi. Quebrar essa espiral de coisas ruins é fundamental para o time evitar um vexame ainda maior na temporada, independente de qualquer coisa que esteja acontecendo nos bastidores. Uma boa oportunidade acontece já nesta terça (16), quando o desafio é encarar o Vôlei Nestlé Osasco fora de casa em um jogo no qual não é nada favorito. Será que as coisas vão começar a mudar?

* Esse texto contou com a colaboração de João Batista Jr. e Sidrônio Henrique

This article has 1 comment

  1. Em minha humilde opinião, acho que o ponto nº 2 é a raíz de todos os demais problemas, com uma leve exceção para o problema nº 4, pois Jaqueline, além, claro, de estar sobrecarregada e muito marcada, parece estar com problemas extra-quadra, jogando com um semblante quase triste. Acho também que tanto o ponto nº 1 (demissão de Talmo) quanto o nº 2 (falta de levantadoras e a não renovação com Carol Albuquerque) parecem ter o dedo da diretoria do patrocinador, possivelmente de algum espertinho metido a entendedor de voleibol. Já até imagino como foram as reuniões de início de temporada no Sesi: o treinador Talmo avisando que sem levantadoras não teria como manter uma equipe competitiva e algum diretor do patrocinador dizendo que com atacantes como Fabiana e Jaqueline qualquer levantadora serviria. Algo surreal. No meio do campeonato, Talmo deve ter sido cobrado pela mesma diretoria e limitou-se a ´proferir aquele famigerado bordão e comum refúgio dos que tem razão: “Eu avisei”. Logo em seguida veio a demissão. Deu no que deu.