Cuba: passado glorioso, presente de tristezas

Cuba: passado glorioso, presente de tristezas
Brasil x Cuba: nunca foi tão fácil (Foto: Divulgação/FIVB)

Brasil x Cuba: nunca foi tão fácil (Foto: Divulgação/FIVB)

Quinze anos atrás, se alguém falasse que Cuba estaria próxima de terminar um Grand Prix sem uma vitória sequer, seria taxado como louco. Em que pese todos os problemas causados pelo embargo econômico na ilha de Fidel Castro, “las chicas” montavam boas equipes e tiveram como auge o esquadrão fenomenal tricampeão olímpico e bi-mundial entre 1992 e 2000.

Por isso, me deu tristeza de ver aquele time que foi facilmente batido pelo Brasil nesta sexta (16), com parciais de 25-16, 25-11 e 25-20. Esforço da parte delas certamente não faltou ali, mas isso não basta. No atual nível que as duas seleções se encontram, as brasileiras só perdem para as cubanas se quiserem. E talvez nem assim consigam.

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Com suas principais atletas fora da seleção por preferirem atuar no exterior, Cuba é obrigada a atrapalhar o desenvolvimento de atletas de potencial para jogar as principais competições internacionais. Tem gente de 13 anos em quadra (!!!) e nenhuma jogadora inscrita no GP nasceu antes de 1990. Pior que nem resultado isso dá, já que o time tem se apanhado constantemente de todo tipo de rival.

Depois de 2008, quando ficou em quarto lugar nas Olimpíadas de Pequim, o vôlei de Cuba se perdeu de tal forma que parece difícil acreditar que um dia volte a ser o que foi. Após os jogos, as entrevistas do técnico Juan Carlos Gala Rodriguez segue um padrão: parabenizar o adversário, dizer que o time cometeu muitos erros, é jovem e vai melhorar. Porém, me parece cada vez mais claro que ele próprio está decepcionado com tantos resultados negativos e não sabe mais o que fazer.

Diante de tal decadência, só me resta lembrar do passado. Já indiquei aqui pra vocês o filme “Pátria”, do diretor Fábio Meira e que trata da rivalidade entre Brasil e Cuba na década de 90. Recentemente, a TV Record de debruçou sobre o tema e fez uma série de quatro reportagens baseadas no documentário. Desfrute-as abaixo:

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

This article has 6 comments

  1. Nosssaa….. muito massa! Falar sobre o grand prix de 96 e o Pan era o que faltava no Pátria! Foi o troco do Brasil em Cuba!! Emocionante!!

  2. Comecei a despertar meu interesse por volei no auge das disputas entre Brasil x Cuba. Eu, ainda criança, chorava horrores pois jogar contra Cuba era sinônimo de rivalidade, de disputa e muitas vezes de derrota. E foi todo esse clima que me fez ter o volei como paixão. Infelizmente hoje fico triste em ver o quanto Cuba – uma potência tão temida – se transformou nesse time sem predicatos. Fico triste sim! Cuba tinha um volei de raça, despertava a ira mas também admiração. Elas tinham um modo particular de jogar. Era interessante ver uma equipe com posicionamento tático diferente, jogadoras versáteis e muita, muita força. Força pra bater a bola e pra vencer as adversidades. Não podemos prever o futuro, mas gostaria de vê-las reerguer-se e sentir novamente o gostinho de enfrentar e vencer Cuba.

  3. Por melhor que elas foram, sempre vai ficar para mim a dúvida a respeito do mérito de sua supremacia. Cuba jogava a base de provocações, de ofensas pessoais. Nesses vídeos não mostraram o que eu vi no documentário, que é uma das cubanas, se não me engano a Carvajal, assumindo que chamava determinadas jogadoras de “lesbiana”. Imaginem o quanto esse tipo de baixaria desestabilizava o nosso time.

    Eu sinto saudade desses jogos históricos, mas é bom que se tenha em mente que os resultados poderiam ter sidos bem diferente se Cuba não se utilizasse de um expediente tão vil.

  4. Minha primeira lembrança de jogos de vôlei é de Atlanta 96, eu tinha 8 anos e lembro de todos lá em casa na torcida por nossas meninas. Foi ali que minha paixão pelo vôlei começou. Assim como Lilyan, chorei muito já por conta de Cuba. hehe
    Acho que provocações, dentro do limite que não fira o respeito, acho legal. Pois é assim que se cria as rivalidades.
    Enquanto os atletas que atuem fora da “ilha” não possam defender a seleção, Cuba vai declinando cada vez mais. E se essa política for mantida por muito tempo, futuramente vai desaparecer das competições internacionais. Pois já não se classificaram para as Olimpíadas 2012 e correm o serio risco de ficar de fora de outras competições, pois “já” são a 4ª força de um continente atrás de EUA, Rep Dominicana e o fraco Porto Rico.

    Não desejo a Cuba um tempo aureo, mas que elas se reerguam e consigam ser um time competitivo, proporcinando bons jogos e quem sabe acumulando alguns “vices” nas decisões contra o Brasil! ;)

    Atualmente só admiro em Cuba o fato delas jogarem 4×2 e o uniforme continua lindo. Diferente do nosso atual que não gosto. Prefiro o amarelo com verde com em Pequim 2008. ;)

  5. Quando eu fui investigar um pouco mais do poder de Cuba no Voleibol em antes de 2000, eu fiquei fascinado, há boatos até que as ‘chicas’ livraram o seu País de uma Crise Financeira, e ajudo na evolução de outros esportes.
    A Seleção Cubana se acabar com regras rígidas e idiotas, podemos ter Ramirez e companhia de volta, e ver a Cuba como era antes, ou mais ou menos…

  6. Olá Carol,
    Como sou um pouco mais velho, as minhas primeiras lembranças de rivais foram as peruanas (cecília, gabi del solar, natalia malaga…), que eram nosso calo. O,volei peruano se acabou e vieram as cubanas, que padeceu do mesmo mal, ou seja, dependia apenas do investimento estatal, resultando no seu empobrecimento técnico. Assim, tanto o peruano quanto o cubano não conseguiram realizar a transição da fase amadora para profissional, em virtude da falta de investimento privado e a ausência de uma liga interna forte.