De volta ao Brasil, maior pontuadora da história da Superliga descarta seleção: “Deus me livre!”

De volta ao Brasil, maior pontuadora da história da Superliga descarta seleção: “Deus me livre!”
Depois de mais de dez anos na seleção, Érika agora só veste a camisa do Brasil para fazer fotos (Foto: Divulgação)

Depois de mais de dez anos na seleção, Érika agora só veste a camisa do Brasil para fazer fotos (Foto: Divulgação)

Érika Coimbra possui um currículo respeitável: um bronze olímpico, dois pódios pan-americanos e seis títulos da Superliga, competição na qual ocupa o posto de maior pontuadora da história. Após quatro temporadas no exterior, ela volta ao Brasil para defender a recém-criada equipe de Brasília na próxima temporada com a moral de ter sido eleita a melhor jogadora da Liga Polonesa, onde foi campeã pelo Atom Sopot. Um bom campeonato por aqui podia colocá-la novamente à seleção brasileira, mas… quem disse que é isso o que ela quer? Nem a Olimpíada em casa, no Rio 2016, é capaz de fazê-la aceitar um convite do técnico José Roberto Guimarães:

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- Deus me livre! Não, isso já passou e agora eu só vou torcer pelas meninas. Já não quero mais seleção faz tempo. Não tenho vontade, sonho, interesse… hoje estou muito bem resolvida, prefiro ficar torcendo para as meninas que são minhas amigas e para que tudo dê certo para o Brasil. Meu foco é jogar no clube bem e depois ter as minhas férias tranquilas, poder viajar com a minha família e conhecer o mundo.

Conhecer o mundo e estar em contato com culturas diferentes foi um sonho que Érika realizou em larga escala nos últimos anos. Além da Polônia, ela atuou no Turquia e teve uma rápida passagem pelo Azerbaijão. Em outro continente, teve a oportunidade de passear por outros países, mas chegou a hora de “sossegar em casa”. Mesmo com algumas propostas financeiramente melhores do exterior, preferiu arriscar um contrato com o Brasília, equipe ainda em formação, mas que também já fechou com a bicampeã olímpica Paula Pequeno e com a oposta Elisângela:

- Já estava querendo voltar há dois anos, mas não dava certo. Eu quero viver aqui, pois estava com saudade de casa, da família, dos amigos, da língua, de cachorro, de cavalo, de todo mundo… é um presente, pois eu estava muito precisando de colinho da mãe. Estes quatro anos foram muito solitários. Minha cabeça está muito mais tranquila agora.

Érika disse ter sofrido especialmente na Polônia, país onde chegou a enfrentar temperaturas de – 25°C e nevascas que duraram de novembro a maio. Em determinada época, o dia amanhecia às 8 horas e a noite já começava a cair às 15 h, clima que começou a afetar o psicológico da ponteira:

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- Sofri pra caramba. Acho que minha mãe segurou a onda porque ela foi minha terapeuta o tempo todo no telefone. Várias vezes eu quis ir embora. Era muita escuridão, solidão…

Apesar da experiência, ela não descartar uma volta ao exterior (“A gente precisa ganhar o dinheiro de cada dia e pagar as contas”), mas, por enquanto, a mineira de Belo Horizonte quer mesmo é focar na próxima Superliga. Além das três estrelas já contratadas, Brasília sonha em trazer duas estrangeiras, mas o fato de ter entrado tardiamente no mercado freia as intenções da equipe. Ainda assim, Érika acredita que o time do Centro Oeste pode incomodar os favoritos Sollys Osasco, Unilever, Vôlei Amil, Praia Clube e Sesi:

- Queremos ser uma equipe para brigar para ficar entre os quatro, mas como tivemos um pouco de problema com o mercado, eu, a Paula e a Elisângela vamos ter que jogar dobrado. Vai ser um ano carregado, mas eu queria voltar para o Brasil, então o resto vai ser consequência da felicidade que estou sentindo.

(Matéria originalmente publicada no Portal R7. Clique aqui para ver)

This article has 2 comments

  1. Esse time promete! Se Paula, Érika e Elisângela jogarem o que sabem, poderão chegar na fase final. Só que certamente cairão nas quartas de final, afinal serão um time sem banco. Uma pena mesmo que tenha chegado atrasados ao mercado.

  2. O banco é realmente um sério problema para esta equipe de Brasília, Perikito, e não dá para esperar grandes resultados deles. Só espero que os investidores entendam isso e não vejamos mais um time “de uma temporada só”. Abs!