Desafios e quem é quem na Superliga feminina 2014/15

Desafios e quem é quem na Superliga feminina 2014/15

Se o vôlei brasileiro tem lidado com denúncias contra ex-dirigentes da CBV, queixas de atletas sobre o ranqueamento e a falta de dinheiro que tem fechado portas abruptamente, a 21ª edição da Superliga feminina, que começou na sexta-feira (7) com a vitória do Rexona Ades por 3 a 1 sobre o Rio do Sul/Equibrasil, tem dois pontos chave para serem observados na quadra.

O primeiro é a premência de renovação e revelação de atletas jovens e o segundo, a necessidade de manter (ou colocar) em alta o interesse do público geral – e não apenas dos torcedores de cada equipe – por um campeonato com menos jogadoras estrangeiras do que nos últimos anos, sem um duelo entre Bernardinho e Zé Roberto Guimarães e sem três das jogadoras da Seleção Brasileira (quatro, se Jaqueline não acertar com clube algum). Curiosamente, o elemento gerador da segunda problemática pode impulsionar a solução da primeira.

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Quem luta pelo título e quem pode surpreender na Superliga masculina

Favoritos

Dos três times que, a princípio, devem lutar diretamente pelo título, só o Molico/Nestlé tem uma jogadora estrangeira no plantel, a ponteira cubana Kenia Carcases, que defendeu, até o último mundial de clubes, o Volero Zurich. Além da caribenha, o time de Osasco tem como principais reforços Mari, Dani Lins e Ivna. A oposta, de 24 anos, fez um campeonato muito bom pelo Sesi, na temporada passada, e agora volta ao clube para substituir Sheilla, que foi para a Turquia. Essa é uma ocasião exemplar, em que a ausência de uma das estrelas do vôlei nacional, mesmo sendo uma via torta, pode ser essencial para o crescimento/surgimento de atletas mais jovens. Resta ver se e como a atacante vai suprir essa ausência. Além de Dani Lins, estiveram no mundial da Itália as centrais Thaisa e Adenizia, e a líbero Camila Brait. O elenco, com suas mudanças e manutenções, deve ser o mais forte da liga, o que quase sempre tem acontecido às osasquenses.

Sem estrangeiras, o Rexona Ades aposta na experiência e qualidade de Fofão para chegar ao décimo título. Se é verdade que a levantadora tem 44 anos de idade, vale lembrar que a queda de rendimento do time no returno da temporada passada coincidiu com seu afastamento por contusão e que sua volta ao time, na reta final, foi basilar para a conquista do troféu. O time tem seis jogadoras que já defenderam a Seleção Brasileira neste ciclo olímpico: Gabi, Natália e Carol, que estavam no mundial da Itália, Andréia, vinda do Pinheiros, segunda maior pontuadora da Superliga passada, Juciely e Fabi, que, aposentada da Seleção, vai se dedicar só ao clube. Difícil acreditar que a final deste ano não retome a sequência de decisões entre as meninas do Rio de Janeiro e as de Osasco, interrompida no campeonato passado.

No Sesi, saiu Dani Lins, veio Claudinha; saiu Ivna, veio a oposta Monique Pavão. Mesmo com a permanência de Fabiana, Suelle, Pri Daroit, Dayse e a líbero Suellen, a eliminação para o São Caetano nas semifinais do paulista leva a crer que vai ser muito difícil que o time repita (ou melhore) a segunda colocação da Superliga passada.

Boas expectativas

Se o quinto lugar na última Superliga credencia o Dentil/Praia Clube, o vice-campeonato paulista traz perspectivas interessantes ao São Cristóvão Saúde/São Caetano. As mineiras de Uberlândia contarão com Tandara, Sassá, Ju Costa e a cubana Daymi Ramirez. Até pela ausência do Vôlei Amil, não é demasiado esperar que o Praia chegue, pela primeira vez, às semifinais.

As paulistas, por outro lado, não têm grandes destaques, mas, sim, um elenco bem jovem, com 11 jogadoras com 23 anos de idade ou menos. Uma boa campanha na Superliga de um time como o São Caetano talvez seja do que o vôlei nacional precise para renovar. E motivo para pensar num bom campeonato a equipe conseguiu quando surpreendeu o Sesi no Paulista.

Correndo por fora

O maior reforço do Rio do Sul/Equibrasil deve estar no banco de reservas. Spencer Lee comandou boas campanhas do Praia Clube nos últimos anos e, agora, tem o desafio de, mais do que classificar o time catarinense à próxima fase, empreender uma campanha com mais vitórias do que derrotas – na temporada 2012/13, na única vez em que o time se classificou aos play-offs, foram seis vitórias e 12 derrotas.

De quem também se pode esperar, no mínimo, a luta pela classificação à próxima fase é o Camponesa/Minas. O time ficou num decepcionante 12º colocado no campeonato passado, com 21 derrotas em 26 jogos, e, nesta temporada, se reforçou com as centrais Walewska e Carol Gattaz.

Também devem entrar nessa briga por classificação aos play-offs o Brasília e o Pinheiros. As brasilienses apostam na experiência, com Paula Pequeno, Erika, Elisângela, Verê e, agora, Michelle Pavão, enquanto as paulistanas, da líbero Léia, fizeram boa campanha no estadual, só perdendo para o Molico nas semifinais no set desempate.

Coadjuvantes

O Maranhão/Cemar talvez seja o melhor exemplo de por que o vôlei brasileiro precisa, urgentemente, investir nas categorias de base de todo o país. O único time do Nordeste na disputa da Superliga tem apenas duas jogadoras da região no elenco: a ponteira paraibana Daniele (28 anos de idade) e a central alagoana Taciane (22). Não se trata de bairrismo, mas de constatar que a região de onde são duas das titulares da Seleção Brasileira (as pernambucanas Dani Lins e Jaqueline) não consegue revelar jogadoras em quantidade.

Vindo da Superliga B do ano passado, o São José dos Campos também não deve ir muito além do ideal pregado pelo Barão de Coubertim, de que a participação importa mais do que o resultado. O que chama a atenção é a juventude do elenco – a exemplo do que ocorre ao São Caetano.

O Univaf/AFAF, de Araraquara, único time que tem uma treinadora, Sandra Leão, e o São Bernardo Vôlei, da líbero Stephany, são os outros dois times que podem ser apontados como franco atiradores do torneio.

O que você acha?

Mesmo com ausência de alguns destaques do ano passado, a Superliga 2014/15 pode chamar a atenção do público e revelar boas jogadoras?

(Foto: Alexandre Arruda)

This article has 2 comments

  1. Eu acho o SESI favorito…

  2. Eu acho que essa Superliga vai ser uma das mais chatas dos últimos 5 anos.