Desembarque: a Wolverine, o olé e o volta-não-volta

Se não fosse um fã falar, a estaríamos esperando até agora (Divulgação/FIVB)

A seleção brasileira feminina de vôlei já está de volta ao Brasil. O time chegou nesta manhã beeem cedo e lá estava a imprensa para recebê-las. Sorridente e de muletas, Paula Pequeno foi a primeira a aparecer e respondeu os questionamentos sobre a possibilidade de corte para o Mundial com o otimismo de quem já passou por situações mais apertadas.

Tantos problemas físicos já a fizeram virar até piada na seleção. “As meninas falam que eu sou filha do Wolverine”, revelou a jogadora quando alguém perguntou se ela se considerava a “Ronalda” do vôlei. Para quem não lembra, ou não acompanhou, o Wolverine tem uma capacidade de recuperação absurda e ossos de adamantium, uma substância ultraresistente.

Enquanto a Paula conversava com os jornalistas, a Mari saiu apressada e deu um “olé” incrível em todo mundo. Eu, particularmente, nem a vi e olha que uma mulher loira, de 1,90m e andando de muletas não é exatamente alguém que passa despercebida. Não sei como, mas nenhum veículo de imprensa sequer conseguiu pedir uma entrevista com ela. E isso que se tratava se um dos personagens mais interessantes desta pauta. Ficamos devendo essa, mas desembarque é complicado porque de repente aparece todo mundo de uma vez e cada um vai para um lado. Tentaremos compensar no futuro.

Quem também estava por lá era o médico Júlio Nardelli, que cuida da seleção feminina. De acordo com ele, tanto Paula quanto Mari estão apresentando uma evolução muito boa e o fato de a atleta do Unilever estar de muletas (e não cadeira de rodas) é um sinal positivo de que a ruptura no ligamento cruzado não foi total. Isso, na verdade, os exames na China já haviam confirmado, mas como se formou um edema grande na região é preciso fazer outra avaliação, que provavelmente será na quinta-feira.

Por outro lado, as duas correm riscos de não jogar o Mundial devido ao pouco tempo de recuperação. “Não dá para uma jogadora atuar em um campeonato deste nível com 50% da forma”, frisou Nardelli. Sinceramente, acredito que Paula conseguirá jogar, enquanto Mari vai precisar passar por uma provação tão difícil quanto a cirurgia no ombro nos tempos de Osasco…

Zé e Fofão garantem: não há chance de volta (Divulgação/FIVB)

A possível volta da Fofão, anunciada pelo Bruno Voloch, também foi tema presente no aeroporto e o Zé Roberto tratou de negar esta possibilidade. “Nenhuma”, respondeu o treinador, de forma contundente, ao ser perguntado por mim se Fofão tinha chance de voltar. “Eu já não falo com a Fofão faz uns dois meses. A última vez que conversamos foi sobre o Fenerbahce. Depois disso, nós não tivemos mais contato algum”, comentou. Ele também ressaltou que tanto Fabíola quanto Dani Lins passam por um processo de evolução, mas garantiu ter gostado da atuação das levantadoras ao fazer um balanço geral.

A Carol, do @largadinhas, falou com o marido da Fofão e ele também negou a volta. No fim da tarde foi a vez do Luiz Montes, do Lance!, ouvir da própria que isso não existe. Imagino que o Voloch tenha uma boa fonte para cravar esta informação com tanta certeza, mas o que eu posso dizer é que, em cinco anos fazendo vôlei, nunca vi o Zé ou a Fofão mentirem.

No máximo, o que eles faziam eram dar uma enrolada, como quando a Venturini pediu para jogar Pequim. E ainda assim, deixavam nas entrelinhas uma dica sobre o que iria acontecer. “Um dos meus critérios para ir a Olimpíada não é ser titular do clube? Então…”, ele me respondeu certa vez, quando perguntei sobre a possível aceitação ou não do pedido. Na ocasião, Fernanda não jogava há cerca de um ano.

O desembarque ainda rendeu algumas aspas da Fabizona, da Fabíola e da Jaque, mas deixemos isso para ao longo da semana.

This article has 5 comments

  1. Olá Carol, estou um pouco mais aliviada com as novidades e com o otimismo da Paula Pequeno. Pena que faltou ouvir a Mari, mas acho que ela está com uma boa cabeça tbm. Vamos continuar com as orações! Carol, quero saber sua opinião: Vc não acha que mesmo elas estando com 50% da forma ideal não são mais valiosas num mundial do que outras jogadoras com pouca experiência internacional como Joycinha por exemplo ou outras que o Zé Roberto possa vir a convocar? falo isso pela experiência, pelo moral e até mesmo como forma de inspiração para as outras jogadoras, assim como aconteceu com Ana Moser nas olimpíadas de Atlanta 1996. E a segunda questão que me dá até um arrepio na espinha de pensar( deixa eu bater na madeira…) caso elas sejam cortadas, quem vc acha que tem mais condições de substituí-las que não esteve nesse grupo do GP?

  2. Mais uma vez fica nítida a diferença entre Paula e Mari, tirando o fato das duas serem boas ponteiras, só há diferenças. Vejamos: as duas estão machucadas e correm o risco de ficar fora do Mundial. Enquanto Mari não quis responder mais as mesmas coisas e preferiu esperar o resultado dos próximos exames, Paula antecipou médicos, exames, prognósticos… ela cravou “vou ao Mundial, e ’1000%’ ainda”. Uma prefere a discrição, a outra AMA os holofotes. Porque será que a imprensa idolotra PP e Mari tem mais fãs?

    Acho que vou fazer uma tese sobre o assunto.

  3. Sandra, é complicado contar com uma jogadora 50% em um Mundial principalmente por conta do aspecto físico. Estar 50% significa estar sem ritmo e com o corpo desacostumado ao impacto que um jogo de alto nível provoca. No caso das duas, por exemplo, isso implica em um série de saltos durante uma partida que vão se refletir diretamente no joelho/tornozelo. Se não for bem planejado, um retorno pode criar uma nova lesão ainda pior que a primeira, prejudicando a carreira da atleta.

    Quanto à segunda questão, também bato na madeira três vezes… rs. Bom, se isso vier a acontecer, a Natália vai para a ponta e a Joycinha ganha de presente um Mundial para o qual tinha poucas chances de ir. A segunda vaga é mais complicada porque certamente iria para uma jogadora sem muita experiência internacional. A melhor escolha seria Fernanda Garay, até porque ela fez uma ótima Superliga e chegou a ser inscrita no GP 2010, apesar de não ter sido aproveitada.

    Abs,

  4. Malta, a Mari sequer teve a opção de escolher responder ou não porque nenhum jornalista conseguiu pedir uma entrevista, de tão rápido que ela passou. Ninguém a viu porque todos estavam concentrados na entrevista da Paula, que foi a primeira a aparecer na área de desembarque e por isso acabou cercada pela imprensa. Só depois que dois fãs falaram que a Mari já tinha saído que ficamos cientes da situação.

    Não posso afirmar se o “olé” foi planejado ou não até porque a Mari, apesar de muito discreta e reservada, não tem o costume de fugir da imprensa/negar entrevistas. No desembarque de Atenas-2004, inclusive, ela foi a primeira a aparecer no saguão de jornalistas para encarar o batalhão de repórteres ávidos para falar sobre o famigerado 24/19.

    Abs,

  5. É Carol, só nos resta torcer e rezar. Felizmente tem a opção da Garay,pelo menos nunca foi testada. Meu medo é que só tivesse a Regiane, pois das vezes que foi convocada decepcionou. Obrigada pela atenção em responder mais uma vez.