Diário dos Mundiais #10 – Cuba aposta e perde. Brasil aposta e vira

Diário dos Mundiais #10 – Cuba aposta e perde. Brasil aposta e vira

Se os resultados da semana não autorizavam Cuba a pensar que venceria o Brasil, a atuação individual de seus ponteiros fazia crer, ao menos, que a garotada da Ilha poderia dar trabalho. E deu muito trabalho. A vitória do Brasil por 3 sets a 1 foi suada, porque Cuba, com o jovem time que tem, arriscou tudo o que podia – e até mais do que podia – na última rodada da primeira fase, neste domingo, em Katowice. Arriscaram enquanto venciam, arriscavam quando o Brasil se aproximava para empatar e arriscaram quando o Brasil tinha a dianteira no jogo.

“Eles começaram arriscando no saque e saíram vitorioso no primeiro set. Sabíamos que eles não iriam manter esse ritmo e erraram bastante”, concluiu o líbero brasileiro Mário Jr.

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O técnico cubano Rodolfo Luis Sanchez culpou a inexperiência de seu time pela quantidade de erros. “Começamos bem a partida e, então, cometemos muitos erros, 45 erros. Temos um time muito jovem”, lamentou Sanchez, que perdeu, no segundo set, a chance de levar ao menos um ponto desse confronto para a segunda fase.

Cuba começou o jogo forçando o saque e quebrando o passe brasileiro. O lado ruim é que dos 22 pontos do Brasil no set, metade veio em erros do adversário. Mas como consequência positiva para o time da Ilha, os três atacantes do Brasil – Wallace, Lucarelli e Murilo -, em todo o jogo, atacaram, somados, 31 bolas e só fizeram seis pontos. Wallace e Lucarelli saíram de quadra para não voltar mais, durante o segundo set, assim como Raphael, que deu lugar a Bruno. A partir daí, se Cuba continuava apostando no saque, o Brasil apostava em seu banco de reservas e num levantador que ainda não está totalmente recuperado da contusão na mão.

“Bruno não está 100%, mas está treinando bem. Raphael não foi bem hoje, mas foi bem contra a Finlândia. Hoje, temos dois bons levantadores”, observou Bernardinho.

A entrada do trio e, principalmente, de Bruno, deu novo gás ao Brasil. De cara, Bruno fez um ponto de bloqueio. Terminaria o jogo com quatro pontos assinalados, sendo dois dois no block e dois no ataque – inclusive, o que deu o ponto da vitória ao time.

Mas o segundo set, mesmo com as mudanças, continuava equilibrado. E foi aí que Cuba fez uma jogada de apostador inexperiente. Com set point para o Brasil, Jimenez, melhor sacador do time na noite, com dois aces, não quis saber de aliviar o saque. Acertou a rede.

A vitória no segundo set trouxe o Brasil ao jogo, que ganhou a partida e os três pontos, mesmo fazendo apenas 34 pontos de ataque contra 47 do rival. Mas, nesse, caso, 47 acertos se anulam, quando um time faz 45 apostas erradas no jogo.

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AGULHAS Bruno fez duas sessões de acupuntura, uma delas na manhã deste domingo. Uma generosa oferta da comissão técnica da Coreia do Sul, que o procurou na partida do sábado para indicar o tratamento. Pelo jeito, o tratamento está dando ótimo resultado. E os coreanos, como reconheceu o levantador, “deram um exemplo que deveria ser seguido por todos nós.”

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RECORDE Reedição da final do mundial passado, Brasil x Cuba em quadra, domingo à noite, e o jogo da Polônia tendo sido à tarde, com transmissão no telão do complexo Spodek? A receita foi infalível. A partida teve 9 mil torcedores presentes, recorde de público da semana, em Katowice.

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DESPEDIDA Vai deixar saudade a festa dos torcedores finlandeses em Katowice. Classificada na terceira posição do grupo B, a Seleção Finlandesa levará consigo a torcida azul e branca para Wroclaw, onde jogará na semana que vem. Se os nórdicos de tênis e calção demoraram a engrenar contra Cuba e titubearam contra o Brasil e a Alemanha, os nórdicos de gorro viking, por sua vez, não vacilaram em momento algum, não deixaram a peteca cair, mesmo quando o time sugeria, em quadra, que já tinha caído.

A cantoria, o barulho, o clima de Helsinque que trouxeram para os jogos na Spodek Arena vão fazer uma falta danada por aqui.

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Zaytsev contusão

#FORÇAZAYTSEV Zaytsev se contundiu na derrota da Itália para os EUA. Na queda do bloqueio, o oposto italiano pisou o pé de seu companheiro, Butti, e torceu o pé. Foi substituído imediatamente. Que não seja nada grave.

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UM PONTO A Rússia também tomou um susto esta noite, mas venceu a Bulgária por 3 a 2. Mesmo com a vitória, o time russo vai à segunda fase sem o 100%, vai com um pontinho perdido para o adversário que se supunha, de fato, o mais forte, e larga atrás do Brasil, na corrida por uma das três vagas do grupo F para a terceira fase.