Diário dos Mundiais #20 – Detalhes da vitória, detalhes para a história

Diário dos Mundiais #20 – Detalhes da vitória, detalhes para a história

Foi na primeira fase, nas Olimpíadas de Los Angeles/1984, que o Brasil precisava vencer os EUA para se classificar para as semifinais e eliminar a Coreia do Sul. O jogo, dizem, foi estranho, os EUA não pareciam muito interessados na vitória – e deu Brasil. Quando a Seleção Brasileira entrou em quadra para enfrentar a França em Toulouse, no mundial de 1986, precisava vencer dois sets para se classificar às semifinais e eliminar os donos da casa – venceu o jogo. Já em Atlanta/1996, depois de largar com duas derrotas, o Brasil não podia mais falhar – venceu, em sequência, Polônia, EUA e Cuba. Depois de perder para a França, no mundial de 2006, o Brasil não podia pensar noutro resultado, que não, a vitória nos jogos restantes da primeira e segunda fases do campeonato, especialmente contra Itália e Bulgária nas rodadas finais – e venceu todo mundo. E houve aquela Liga Mundial 2007, em que uma derrota para a Bulgária na abertura da segunda fase obrigou o Brasil a vencer a Rússia para chegar às semifinais – e chegou. Mas por que ir tão longe, se na Liga Mundial deste ano, o Brasil precisava vencer a Itália, fora de casa, duas vezes para chegar às finais do torneio – e não é que chegou?

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Esse longo prólogo foi para mostrar que superar situações adversas não é novo para o Vôlei Brasileiro, nem para o técnico Bernardinho, nem mesmo para o time que joga o mundial da Polônia. Vencer os campeões olímpicos e arquirrivais de agora, depois de um jogo tenso e intenso como o de ontem, quando a derrota era eliminação, é um feito que passa para a galeria das grandes reações da história do vôlei nacional.

Num jogo em que as duas seleções tiveram aproveitamento superior a 50% de pontos nas bolas de ataque, a partida poderia decidir-se graças a uma sequência de saques ou de erros. Mas foram detalhes quase modestos que marcaram a vitória incontestada do Brasil sobre a Rússia em três sets.

O saque flutuante do Brasil causou ferida no passe russo. Isso é uma verdade, mas não uma rotina – o ataque europeu, bom recordar, funcionou. Mas uma invasão de Grankin, uma condução do líbero na recepção de um saque e um ace em serviço curto de Lucarelli definiram a vantagem brasileira no primeiro set.

Uma nova invasão do levantador russo – dessa vez, na hora de impulsionar a corrida para o levantamento -, no segundo set. com 16-15 para o Brasil, marcou o desgarre do Brasil no placar. O segundo, já que, no primeiro, depois de um 10-6, o time brasileiro viu a Rússia fazer cinco pontos seguidos.

E o terceiro set, outra parcial apertada, três bloqueios do Brasil, dois com Sidão, a partir do 20-19, definiram a vitória e a classificação do time. Um time que, até aquele 20 a 19, só tinha feito um ponto de bloqueio em todo o jogo.

Quando a história registrar que o Brasil precisava vencer a Rússia para não ser precocemente eliminado do mundial de 2014, que registre os detalhes. O jogo foi deles.

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PUXÃO DE ORELHA É provável que a Seleção Brasileira seja punida por causa de mau comportamento do time depois do jogo contra a Polônia. A FIVB convocou uma coletiva com a imprensa, mas o vice-presidente executivo da entidade, Aleksandar Boricic, conseguiu gastar todo o tempo do pronunciamento sem explicar em que pode consistir a pena – se uma multa ou suspensão -, a quem pode ser aplicada e por quê, embora tenha recordado, en passant, que Bruno e Bernardinho deveriam ter ido à coletiva de imprensa no pós-jogo da terça e não foram.

Uma coisa é certa, alguém vai ser punido. E com o Brasil nas semifinais, é bom ficar atento a respeito da extensão desse castigo.

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E LÁ EM KATOWICE Se o Brasil, derrotado na primeira partida, conseguiu a vaga às semifinais sem depender de ninguém, a Alemanha, no outro grupo, fez o mesmo. Depois de perder para a França, na terça-feira, os alemães trituraram o Irã em três sets. E como obtiveram maior saldo de pontos contra os iranianos do que ficaram devendo aos franceses, o saldo positivo garante ao menos o segundo lugar aos alemães, mesmo no caso de o Irã vencer a França por 3-0.