Diário dos Mundiais #21 – Queda dos russos

Diário dos Mundiais #21 – Queda dos russos

Se a Polônia só precisava de dois sets para chegar às semifinais do campeonato mundial, a Rússia precisou de dois sets para despertar. Acordou tarde. Os poloneses, ao contrário, levantaram cedo. Desde logo cultivaram uma boa campanha na primeira fase, enfrentaram intempéries no segundo estágio e estavam prontos para o duro inverno que seria a terceira fase. E a Rússia? Dormia.

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A Rússia conformou-se em perder sets aparentemente desimportantes no princípio e com uma derrota num jogo muito aguardado contra o Brasil, no último domingo. Quando abriu os olhos e percebeu que torneio já estava perto de acabar, acabou para os russos. O time de Muserskiy teve outra derrota para o Brasil e só notou que poderia ser eliminado antes das semifinais quando já estava, de fato, eliminado. Pois o time polonês foi para o Atlas Arena, em Lodz, nesta quinta-feira, disposto a ganhar logo os dois sets de que precisava e assim se fez.

Só no terceiro set, com a eliminação já propagada pela matemática do vôlei, foi que os russos deram sinal de vida – tardiu. Quando Pavlov empurrou o técnico Voronkov, para persuadi-lo a desistir de reclamar de uma decisão do árbitro, os campeões olímpicos já sabiam que um jogo medonho, no sábado, valendo o quinto lugar, os aguardava.

O placar de 3 sets a 2 para a Polônia não diz do jogo. O 2 a 0, sim. Foi por 2 a 0 que  os poloneses, com o time limitado que têm, arrastados pelo cântico da torcida, foi por 2 a 0 que os donos da casa despacharam os visitantes. Foi a vitória nos dois primeiros sets que levou a Polônia às semifinais, a meta imposta pelo treinador Stephane Antiga ao time. Talvez não esperasse que essa classificação se desse com vitórias sobre o atual campeão mundial e o atual olímpico.

Regulamento e sorteio torpes à parte – sorteio, diga-se, que não foi nada bom para a Polônia – a Rússia caiu, mas não foi só pelos problemas físicos de Pavlov e de seu reserva Moroz; caiu, mas não foi só pelo passe, que foi uma lástima; caiu, mas não por que Muserskiy, mesmo se destacando entre os mortais, não ter ido o jogador que sua estatura e capacidade permitem. A queda da Rússia parece fruto de um desânimo contagioso, de uma rendição de véspera, que só cessou depois que jogar não adiantava mais. A Rússia, quando acordou, já era hora de dormir de novo. Perdeu o bonde e vaga.

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FARDO Chegar ao mundial como favorito, por causa de um título olímpico, não costuma fazer bem. De 1990 para cá, só a Iugoslávia, em 2002, e o Brasil, em 2006, chegaram com a medalha olímpica dourada pendurada no pescoço e terminaram entre os quatro melhores, ao menos.

A Rússia de 2014 ingressa na turma onde estão os EUA de 1990, o Brasil de 1994, a Holanda de 1998 e os EUA de 2010.

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  1. A Rússia nesses últimos 2 jogos esteve estranhíssima. O Timtim era a cara do medo; me parecia inseguro. O levantador invadiu a quadra adversária várias vezes e não sabia qual o momento certo para soltar as bolas de meio. Os saques foi ineficiente. E erraram muito em momentos cruciais.

    Seja como for, a performance russa nos fez ver que eles não são o time que vai iniciar uma nova era de hegemonia no voleibol mundial, como todos esperavam. Creio que até eles imaginavam isso. Os 3 últimos campeonatos foram de insucessos para os russos, e isso é bom, porque desde a medalha olímpica, o comportamento deles em quadra se tornou arrogante.

    Daqui para frente, o Timtim vai pensar duas vezes antes de provocar-nos.