Diário dos Mundiais #29 – Leve balanço

Diário dos Mundiais #29 – Leve balanço

Pode ser que, à primeira vista, os dias iniciais do Campeonato Mundial feminino de Vôlei não tenham servidor de parâmetro algum para nada. Brasil, Rússia, Itália, China e EUA tiveram jogos relativamente fáceis e, exceto pela primeira parcial das reservas norte-americanas contra o México, não perderam nenhum set. Os cinco eram candidatos ao título e ainda são.

Não há muito como falar em atuações desses times: se as vitórias tiverem sido fáceis, haverá quem culpe a fragilidade das seleções rivais; se as atuações, ainda que vitoriosas, tiverem sido opacas, é possível tingi-las com o aproveitamento dos times reservas ou responsabilizar o desestímulo de enfrentar seleções vencíveis sem luta.

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Masculino: FIVB injusta, derrota justa

O Japão era o sexto candidato a vencer o mundial ou, pelo menos, um dos seis prováveis na semana final, em Milão? Talvez ainda seja. O infortúnio de perder para o Azerbaijão foi um baque, sem dúvida, mas a Seleção Japonesa tem boas possibilidades no torneio e, nunca é demais lembrar, essa derrota não lhe custou três pontos, mas dois.

Nem adianta fazer muita projeção, porque ainda faltam muitos confrontos entre prováveis classificados à segunda fase, resultados que serão levados em conta quando forem distribuídos os tíquetes para o terceiro estágio.  Legal, mesmo, é ver que, em que pese o espreguiçar sonolento do campeonato, já houve quem tirasse o sossego dos estatísticos e mudasse, alguma vez, o curso aquoso dos pontos.

Azerbaijan celebrate

Pois não foi isso o que fez o Azerbaijão, quando tirou dois pontos das japonesas e perdeu um para as porto-riquenhas?

No grupo do Brasil, os jogos entre Sérvia, Turquia e Bulgária custaram pontos às três europeias e pode ter minado as chances turcas de ficar entre as seis melhores, já que o que conseguiram no triangular ideal foi só um ponto, na derrota para as búlgaras.

E não dá para esquecer a Rep. Dominicana, que teve chance de ganhar seis pontos em cima da Alemanha e da Croácia, mas só conseguiu quatro.

As duas rodadas deste fim de semana, no fundo, valem já para a segunda fase. A Itália enfrenta dois times que devem se classificar à próxima fase – Alemanha e República Dominicana –, assim como o Brasil, que encara Turquia e Sérvia. Russas e norte-americanas fazem o jogo mais aguardado da primeira semana, no domingo, e, no mesmo dia, chinesas e japonesas disputam um clássico.

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ZERO Depois de três rodadas, três times não ganharam um set, sequer. As tunisianas nem devia entrar na conta, mas como Camarões ganhou uma parcial contra o Canadá, então, as africanas do norte entram, sim. O Cazaquistão, que perdeu para os três times mais fortes do grupo C, pode ser até que se classifique à próxima fase – basta, em tese, vencer o time reserva da Tailândia e o México. Mas e Cuba?

Por mais jovem que seja a geração do voleibol cubano, por mais que as principais jogadoras estejam espalhadas por aí e alheia à seleção, o peso do país no esporte, no vôlei, deveria contar contar, ao menos, para ter vencido um set que fosse contra Porto Rico ou Bélgica. Mas nem isso.

As cubanas jogarão, no sábado, contra a China e, no domingo, contra o Azerbaijão. A desclassificação é iminente, mas uma despedida honrosa ainda está em jogo. Saltem, chicas, senão, o mundial acaba e o vexame pode ser enorme.

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NÚMEROS NÃO MENTEM? O comentário do leitor Danilo, no Diário #28, foi preciso: que raio de estatísticas são essas que a FIVB leva em conta para ranquear as jogadoras nos fundamentos?

O site do oficial do Mundial feminino estabelece percentual de aproveitamento às 55 melhores atacantes, e relaciona as restantes de acordo com a ordem alfabética dos países.

Aí, o estranhamento, por que algumas jogadoras não têm percentual medido e escalado pela entidade? Há um percentual mínimo de aproveitamento? Há um número mínimo de ataques para poder entrar na conta?

A japonesa Nagaoka atacou 39 bolas e fez 13 pontos. É a 37ª melhor atacante, com aproveitamento de 33,3%. Anastasiya Gurbanova, do Azerbaijão, atacou 48 vezes e assinalou 24 pontos, mas não teve seu percentual medido.

E aí? Dá para confiar no ranking da FIVB de “melhor jogador”? Ou é preciso, ainda, lembrar que a FIVB, no mundial masculino, desconsiderou os números e percentuais dos jogadores de seleções que não chegaram à terceira fase, para montar sua “seleção ideal”?