Diário dos Mundiais #3 – Com dores no pescoço, Murilo é dúvida para a estreia

Diário dos Mundiais #3 – Com dores no pescoço, Murilo é dúvida para a estreia

A menos de 24 horas do primeiro jogo do Brasil no Campeonato Mundial de Vôlei, na Polônia, o técnico Bernardinho tem uma dúvida na escalação. Com dores no pescoço, Murilo ainda não teve sua escalação confirmada para a partida contra a Alemanha. O ponteiro é o único do elenco que é remanescente ainda do mundial de 2006. Caso ele não jogue, Mauricio ou Lipe deverá ocupar sua vaga. No mais, o time está escalado com a mesma formação das finais da Liga Mundial deste ano, com Bruno, Lucarelli, Sidão, Wallace, Lucão e Mário Jr.

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Imagens da abertura do mundial

Será o terceiro mundial consecutivo em que Brasil e Alemanha se enfrentam. O duelo também se repetiu nas Olimpíadas de Pequim/2008 e de Londres/2012. Se nas quatro ocasiões o placar foi favorável ao Brasil, sempre em 3 sets a 0, desta vez a situação não promete ser cômoda para os brasileiros. Com o mau momento da Seleção Cubana, e com Tunísia, Finlândia e Coreia do Sul completando o grupo, tudo indica que os alemães sejam, mesmo, os adversários mais difíceis da chave para o Brasil. Nem mesmo a freguesia alemã nos confrontos recentes tira a preocupação do técnico brasileiro para o jogo de amanhã.

– Eu preferia (enfrentar a Alemanha) mais pra frente, porque estreia é sempre estreia, tem a tensão natural do primeiro jogo, e uma equipe tão forte como a da Alemanha vai nos trazer dificuldade. Mas o regulamento é esse, vamos fazer o nosso melhor na primeira partida. Estamos preparados, trabalhos bem, esperamos jogar o nosso melhor já na estreia – disse o Bernardinho ao Saída de Rede, logo a após a coletiva dos técnicos e capitães das seleções do Grupo B.

A estreia do Brasil será às 8h, horário de Brasília, na Spodek Arena, em Katowice.

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Bernardinho coletiva imprensa 2014

PARA O FUTURO Bernardinho também comentou o fato de, entre os 22 pré-convocados, ter havido nove jogadores com 25 anos de idade ou menos, nove com 30 anos ou mais e apenas quatro entre 26 e 29 anos – idade na qual se costuma dizer que o atleta atinge o melhor de sua forma.

“Está havendo no voleibol brasileiro uma reflexão ao investimento feito na respeito da base, por isso esse número elevado (de atletas) abaixo de 25 anos. Nós estamos tentando puxá-los para que esse lapso que tenha acontecido não se repita. Caso a Confederação tenha freado seus investimentos (nas categorias de base), a consequência é um número menor de jogadores nessa faixa (com mais de 25 e menos de 30 anos de idade).

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COM EFEITO… Dos 14 jogadores inscritos para o torneio, metade do elenco tem 30 anos de idade ou mais. O curioso é que três deles – Raphael (35), Lipe (30) e Éder (30) – só agora disputam seu primeiro campeonato mundial. Por outro lado, se em 2010, apenas Bruno e Lucão não tinham menos de 26 anos ainda, neste, Lucarelli (22), Felipe Silva (24), Renan (25) e Mauricio (25) são apostas para um futuro que não deve estar muito longe.

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CUBA É SEMPRE CUBA A coletiva com os treinadores e capitães de Cuba, Alemanha e Finlândia durou meia hora. Mas o técnico cubano, Rodolfo Luis Sanchez, e o capitão do time, Rolando Cepeda (foto), ainda ficaram na sala por mais 25 minutos, atendendo a mídia pacientemente.

Até a imprensa finlandesa estava mais interessada em questionar os caribenhos do que seus próprios representantes. Era como se os dois não representassem um time que jogou a terceira divisão da Liga Mundial, mas, apenas, os atuais vice-campeões do mundo.

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E OS ESTRANGEIROS? Depois de haver sido noticiado, no início do ano, que Cuba estaria disposta a convocar seus atletas que atuam no exterior, o técnico Rodolfo Sanchez explicou ao Saída de Rede que não convocou nenhum desses jogadores, porque a federação de seu país “não se pronunciou sobre isso.”

Ele também acredita que, se os jogadores “aguentarem a pressão que é estar num mundial e jogarem como vêm jogando, podem estar entre os dez ou oito (melhores)”,

Pelo jeito, o vôlei cubano continuará desfalcado de seus melhores valores e perderá os que bons que por ventura formar, ainda por um longo tempo. Vai demorar mais um bocado para que o time anseie por algo além do oitavo lugar na tábua de classificação.

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CONCISÃO E RISOS A entrevista coletiva desta tarde, em Katowice, foi bilíngue. Dois assessores se dirigiam aos repórteres e aos membros das delegações em inglês e polonês, e faziam as devidas traduções das perguntas e respostas, conforme o caso. Contudo, em se tratando do capitão sul-coreano Han Sun-Soo, o treinador Kiwon Park ainda precisou lhe traduzir a conversa.

Um dos assessores fez uma quilométrica pergunta em polonês, que foi longamente traduzida para o inglês pela outra assessora. A pergunta, em suma, era se ele já havia jogado na Polônia alguma vez – certamente, esperasse ouvir um afago ao público nacional, tão receptivo ao vôlei. Kiwon Park se dirigiu para o atleta, gastou mais umas palavras, agora, em sua língua nacional, ao que Sun-Soo respondeu, na linguagem universal da pressa, um convicto e resumido “não”, o que foi também gentilmente traduzido por seu treinador-porta voz. Depois dos risos na plateia de jornalistas, ninguém mais se aventurou a perguntar nada ao jogador.