Diário dos Mundiais #31 – Virar para acordar

Diário dos Mundiais #31 – Virar para acordar

Se a Seleção Brasileira precisava de um alerta para despertar seu voleibol neste mundial feminino, bem que poderia ter sido no jogo do sábado, quando perdeu dois sets de saída para a Turquia. Mas talvez tenha sido no confronto deste domingo, contra a Sérvia, adversária que a Seleção Brasileira costuma bater.

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No jogo que encerrou o grupo B, em Trieste, as sérvias pareciam dispostas a romper a escrita, ganharam um parelho primeiro set e perderam o segundo equilibrado também. Era um jogo indefinido, a moeda é que parecia que ia escolher o vencedor do confronto, pois nem brasileiras nem sérvias conseguiam desgarrar na dianteira.

Foi aí que, no terceiro set, o jogo mudou de figura. Se Mihajlovic fez dez pontos de ataque no primeiro set, seu jogo caiu a ponto de fazer apenas quatro pontos nos três sets seguintes. E quando Fabiana, na terceira parcial, notou que era hora de explorar o baque da ponteira, sacou nela seguidamente. E de uma igualdade em sete pontos, o set passou a 14 a 7 para o Brasil, vantagem que apenas oscilou até que o Brasil fechasse.

O quarto set só não seguiu a mesma toada, porque, já perto de as brasileiras fecharem o jogo, Boskovic conseguiu uma ótima sequência de saques, e o jogo, que estivera 20 a 14, ficou empatado em 21 pontos. E, ainda assim, o Brasil teve forças para segurar a reação sérvia e fechar a partida.

Foram 13 pontos de bloqueio contra seis da Sérvia. Aces, cinco a um para o Brasil. E hoje a defesa esteve tão bem, com Camila Brait defendendo tudo, que nem fez tanta diferença o ataque ter feito oito pontos a menos que o da Sérvia.

O Brasil vai para a segunda fase com apenas um ponto perdido e, ao que tudo indica, lutando com Sérvia, EUA e Rússia por três vagas. Nessa briga aí, vai ser proibido cochilar. Ou acordar tarde, como nos jogos deste fim de semana. Mas hoje, seja como for, a impressão é de que o time, na sequência de saques de Fabiana no terceiro set, despertou para o campeonato.

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TRIESTE A cidade é das mais bonitas, tem a costa banhada pelo Mar Adriático, conta cerca de 210 mil habitantes, tem significado para a literatura, já que foi onde o irlandês morou por mais de 15 anos. Mas o clima de vôlei em Trieste, nesta primeira semana de disputas, foi quase inexistente. Exceto pelos cartazes na linha de ônibus que vai do centro da cidade para o PalaTrieste, é difícil encontrar menção ao evento.

O ginásio, por sua vez, raramente teve bons públicos. Não fosse a iniciativa de conceder entrada franca aos estudantes nas partidas da manhã, era provável que esses jogos fossem disputados só para os jornalistas, arbitragem e comissões técnicas.

De acordo com o site do torneio, o ginásio tem capacidade para quase sete mil pessoas. As três únicas partidas – entre as 15 disputadas na semana – em que pelo menos 50% das cadeiras foram ocupadas foram Brasil x Turquia, no sábado, e Bulgária x Canadá e Brasil x Sérvia, neste domingo – este último, com lotação esgotada.

É provável que as disputas da segunda fase, com China e Japão jogando por aqui na quarta e quinta-feira, animem mais o triestino a acompanhar o mundial de vôlei in loco, já que, aí, são jogos que interessam diretamente aos italianos.