Diário dos Mundiais #36 – Brasil x Rússia: escaldo necessário

Diário dos Mundiais #36 – Brasil x Rússia: escaldo necessário

O Brasil não jogará, no sábado, uma final antecipada contra a Rússia. É sumamente importante dizer isso logo na primeira linha, nas primeiras palavras, no primeiro instante, para que o esquecimento fortuito, até o fim do texto, não configure erro. Atribuir a uma partida ares proféticos, expressão do futuro, é uma armadilha que precisa ser evitada a todo custo, mesmo quando é tentador fazê-lo – o que pode ter sido o caso, mas agora não é.

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Há um peso de rixas e decisões recentes em torno do confronto, há uma história que pesa sobre as duas seleções. Se o Brasil nunca venceu um campeonato mundial feminino, é culpa da Rússia, que bateu o time de José Roberto Guimarães na final das duas últimas edições. E se Gamova e cia. não têm uma medalha de ouro olímpica, as brasileiras têm duas, sendo que, na última, livraram-se das russas em jogo de cinco sets.

Se alguém ainda quiser puxar por uma triste memória de dez anos atrás, houve um 26 de agosto, em Atenas, em que o Brasil tinha 2 sets a 1 de vantagem e 24 a 19 no quarto set, a Rússia é que avançou à decisão olímpica. Motivos existem para crer que o Brasil vs. Rússia do mundial de 2014 seja jogo que se repita na final. Mas o melhor é ainda não pensar assim. Ainda.

A Seleção Brasileira está invicta no campeonato mundial, está bem perto de se qualificar para a terceira fase, porém, até aqui, não desenvolveu um voleibol confiável o bastante para crer que o título será seu. Contra adversários que não são do primeiro escalão do vôlei, a Seleção por vezes titubeou, pareceu desligar-se da necessidade de, num campeonato longo, vencer jogos rapidamente. Concedeu um set à Holanda, foi ao tie break contra a Turquia e quase precisou de cinco sets contra a Sérvia. Reagiu nos momentos difíceis, mas vacilou em sets fáceis. Talvez neste fim de semana e daqui em diante, quando vacilar será mais perigoso e reagir, mais complicado, pode ser que o time entre com concentração e voleibol suficientes para voltar para casa com o troféu.

O campeonato que as russas têm feito, por outro lado, inclui derrotas para EUA e Turquia e um set incrivelmente desperdiçado contra a Bulgária, quando venciam por 24 a 18. Não é uma campanha que lembre, nem vagamente, as duas jornadas vitoriosas no Japão, há quatro e oito anos. Se a Sérvia, no jogo que abre a rodada, vencer os EUA, uma derrota para o Brasil as elimina sumamente do torneio. Descrer das russas? De jeito nenhum – o Brasil, mesmo, esteve à beira de uma eliminação precoce em Londres e voltou com a medalha de ouro pendurada no pescoço.

Mas, pelas derrotas russas e pela instabilidade brasileira, melhor é não tachar o duelo dos times como final de véspera. Até porque, no masculino, o Brasil venceu a Rússia em duas finais antecipadas, na segunda e na terceira fase, mas perdeu a final que valia para a Polônia. Não se deixar entusiasmar demais com uma vitória nem se abater excessivamente com uma derrota é a melhor pedida para o pós-jogo.