Diário dos Mundiais #42 – Medalha de bronze

Diário dos Mundiais #42 – Medalha de bronze

A campanha da Seleção Brasileira, embora derradeira invencibilidade a cair, raras vezes inspirou confiança no título mundial. Não bastasse a dificuldade na virada de bola e no contra-ataque, apagões regulares e a necessidade de reagir contra times do segundo escalação deixavam em xeque as possibilidades do time no torneio. E isso, mesmo com o time tendo vencido, em algum momento, todos os outros cinco times que sobreviveram até a semana final de competição.

Num campeonato longo, às vezes modorrento, com jogos e fases de grupos demais, a derrota veio na única partida em mata-mata antes da final, para um time que a própria Seleção Brasileira já havia batido num jogo entre suplentes. Foi-se a chance de ganhar um título inédito, veio a chance de ganhar uma medalha inédita.

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Pois a medalha de bronze que o Brasil conquistou, no domingo, deve ser encarada assim. A despeito do favoritismo (excessivo) que o time carregou para a Itália e dos problemas apresentados nas três semanas de certame, o bronze é uma comenda que faltava ao vôlei brasileiro em mundiais.

O time masculino tentou conquista-lo três vezes em campeonatos mundiais e o feminino, uma. Na primeira vez, em 1986, a Geração de Prata saiu da França sem um bronze, sequer, por causa de uma derrota para a Bulgária. Em 1990, o time que conquistaria o olimpo dois anos mais tarde ficou fora do pódio em casa, num jogo que deu à URSS sua última comenda em mundiais masculinos. Em 1998, a base do time que conquistaria o mundo do vôlei com Bernardinho perdeu o lugar no pódio para Cuba. No mesmo ano, as meninas e Bernardinho, que conquistaram o bronze olímpico sobre a Rússia, dois anos antes, perderam o do mundial para as russas. Agora, um bronze.

O que se há de lamentar muito, isso, sim, pelo título que não veio, é porque foi uma chance que provavelmente não se repetirá no próximo campeonato. Das titulares, Camila Brait é a mais jovem e completará 30 anos no ano do mundial que vem. Isso indica que a necessidade de montar um time capaz de conquistar o tri-olímpico em casa e a premência por rejuvenescer o plantel para Tóquio/2020 devem espremer as chances do Brasil no mundial de 2018. Vai ser difícil a Seleção Brasileira ter, em quatro anos, um time que – se não jogou tudo o que poderia ter jogado – seja tão bom física e tecnicamente quanto tinha neste mundial. Isso, sim, é que se lamenta, não a medalha de bronze.

Porque ela veio com 12 vitórias e num jogo de cinco sets. É preciso entender que ela não é prêmio de consolação por um título perdido, mas fruto cultivado e colhido em terreno árido, sendo necessário vencer o abatimento de uma derrota definitiva na véspera e uma torcida que não parecia incomodada por não ver seu time na final. Essa foi a medalha que o vôlei do Brasil ganhou para colocar na estante, e não deve ser esquecida nem desmerecida. A de ouro, no fim das contas, foi para a estante de quem, na partida mais difícil, acertou mais do que parecia que fosse acertar, jogou mais do que prometia jogar.

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  1. Parabéns vcs são GUERREIRAS!! SOU FÃ DE TODAS!!