Diário dos Mundiais #5 – O que quer, o que pode esse Irã?

Diário dos Mundiais #5 – O que quer, o que pode esse Irã?

Ghafour, Mousavi, Ghaemi, Marouf. Se o espectador ocasional de voleibol não prestou atenção à Liga Mundial deste ano ou à Copa dos Campeões do ano passado, corre o risco de não entender o que esses nomes têm a ver com o esporte. Mas o fato é que, se o Irã, já na Liga, teve uma participação mais do que honrosa, no mundial da Polônia, tem feito o bastante para ser apontado como próximo da fila no clube dos bons.

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Diário #4: vitória do Brasil

Dizer que o Irã venceu um mundial sub-19, em 2007, já é alguma coisa, mas não explica muito, pois, daquele time, só Ghaemi se destaca na seleção adulta. Dizer que é um time jovem, com 12 dos 14 jogadores abaixo dos 30 anos de idade, poderia servir para dizer que o futuro dessa seleção é promissor, mas ainda não explica o presente. E dizer que o time ganhou forma com o argentino Julio Velasco e que, agora, é treinado pelo sérvio Slobodan Kovac? Talvez aí esteja a resposta.

Os profissionais estrangeiros parecem ter enxergado no Irã um bom celeiro de jogadores e os têm feito encarar os grandes como iguais. Nem é preciso lembrar que o quarto lugar na Liga Mundial brindou uma campanha que teve três vitórias em cinco jogos contra o Brasil – uma delas, em São Paulo.

O fato é que, na Polônia, depois de vencer a Itália na estreia, o Irã bateu hoje os EUA em cinco sets. Com vitórias sobre os dois adversários mais tradicionais do grupo D, já dá para dizer que o time é fortíssimo candidato a uma vaga na terceira fase, pois vai levar esses cinco pontos computados para o segundo estágio do torneio.

Se Polônia, Sérvia e Argentina observam atentamente os gigantes desse grupo perderem pontos, também devem estar atentos para o confronto contra o Irã.

A ressalva que deve ser feita é que, agora que vai enfrentar times do segundo e terceiro escalões do vôlei, terá obrigação de vencer. Todos seus adversários em competições FIVB deste ano – Brasil, Rússia, Polônia, Itália e EUA – eram, de nome, mais fortes que os três próximos que se seguirão.

Depois de amanhã, o Irã enfrenta a França e, no fim de semana, pela ordem, Bélgica e Porto Rico. Para um time ainda médio no cenário do esporte, ainda que com aspirações legítimas de ser grande, sempre há o risco da síndrome de Robin Hood: ser o aquele que tirou pontos dos grandes, perdeu para os pequenos.

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VELASCO Salário á parte, que deve ser muito bom, o que será que o técnico Julio Velasco, hoje, pensa de ter deixado a Seleção Iraniana e ter ido para a de seu país? Se o Irã galopa no campeonato, a Argentina de Velasco, que hoje perdeu para a Sérvia, patina.

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DIFÍCIL PRESA Cuba e Finlândia disputaram um dos melhores jogos do campeonato, até aqui. E Cuba, se achavam que seria peso morto no mundial, terminou a primeira rodada tendo o direito de lamentar a inacreditável virada que tomou.

Depois de abrir 2 sets a 0 contra a Finlândia (25/18, 25/21), perdeu um set muito equilibrado (27/25), abriu 16 a 10 na quarta parcial, mas perdeu por 25 a 23 e, no tie break, não teve a menor chance contra os nórdicos, que lideraram quase o tempo todo e fecharam em 15-12.

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A cara de poucos amigos dos cubanos, ao fim da partida, mostra que o time é jovem, mas não veio a passeio nem só para aprender. As aspirações até podem ser modestas, mas existem.

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NADA GLACIAL Os torcedores finlandeses deram um show, ontem, nas arquibancadas da Spodek Arena. Visualmente, o público era menor do que foi o do jogo entre Brasil e Alemanha, mas era, sem dúvida, mais animado. Não desistiu do jogo quando Cuba vencia por dois sets de vantagem, nem quando a Seleção da Finlândia parecia entregue, no quarto set.

Aos gritos de “Suomi! Suomi!” (Finlândia, em sua língua natal), os nórdicos conduziram a virada do time e puderam comemorar a vitória, na volta da Finlândia a mundiais de vôlei depois de 32 anos.

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HORA CERTA A partir dos jogos de hoje, início da segunda rodada do mundial, o início das partidas foi atrasado em dez minutos. Assim, os jogos do Brasil contra a Tunísia (amanhã), Finlândia (sexta-feira), Coreia do Sul (sábado) e Cuba (domingo) serão às 15h25, no horário de Brasília.