Diário dos Mundiais #6 – Brasil vence e Bruno preocupa

Diário dos Mundiais #6 – Brasil vence e Bruno preocupa

Dizem os mais velhos que o perigo de jogo fácil, para o atleta, é o da contusão. Pois esse foi o preço cobrado pela vitória fácil do Brasil sobre a Tunísia. Vitória, diga-se, que dificilmente ajudará em alguma coisa na segunda fase: a probabilíssima eliminação da Tunísia impedirá que o Brasil acumule, para adiante, os três pontos que conquistou nesta quarta-feira. Mas é possível, também, que a contusão de Bruno, essa sim, seja o que persista desta noite de Katowice para alguma parte ou o restante do campeonato.

Bruno começou a partida como titular, cedeu lugar a Raphael no segundo e em grande parte do terceiro set e contundiu a mão na primeira bola que tentou defender, na volta ao jogo. Não parecia nada muito sério, já que ele prosseguiu na partida e, até, demorou-se na zona mista, conversando com a imprensa e atendendo torcedores. No entanto, a gravidade do caso foi exposta na entrevista coletiva pós-jogo.

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Ao contrário do costume, ele, capitão do time, não compareceu ao compromisso com a imprensa – Lucarelli e Lipe estavam em seu lugar. Quando Bernardinho explicou que a ausência de Bruno se devia à lesão sofrida em quadra, foi fácil perceber a preocupação do treinador. Ele, inclusive, recordou o problema de Marlon, fora das duas primeiras fases do mundial de 2010.

Bruno foi para o hospital da cidade fazer exames.

 

Atualização às 19h33, de 03.set.2014: os exames não detectaram fratura na mão de Bruno. De acordo com o UOL, o levantados será avaliado nos dias das partidas e deverá jogar, caso não sinta dor. Boa notícia.

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LUCARELLI Estreante em mundiais, o ponteiro Lucarelli foi o maior pontuador do Brasil nas duas partidas. Nesta quarta-feira, anotou 12 pontos contra a Tunísia, sendo sete no ataque, dois no bloqueio e três no saque. Se ele tem sido caçado pelo saque adversário e tido dificuldade no passe – na partida de hoje, foram quatro passes certos em 11 saques recebidos – o ponteiro tem compensado no ataque.

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FELIPE Outro destaque do Brasil na partida foi o líbero Felipe. Revezando-se em quadra com Mário Jr., mas entrando em quadra apenas quando o Brasil tem o saque na mão, ou seja, para tentar defender o ataque adversário, ele recebeu 14 ataques e só falhou em um.

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RÚSSIA Outra seleção que teve, na rodada de hoje, uma vitória que provavelmente deixará pelo meio da caminho é a Rússia. Sua vitória por 3 a 0 contra o Egito, na rodada desta quarta, também deverá sair no esquecimento da tabela, pois as chances de classificação dos faraós é diminuta.

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PASSE RUIM Quem olhar as estatísticas da partida entre Finlândia e Coreia do Sul, vai pensar que o saque nórdico escavacou a quadra coreana: no cômputo dos três sets, foi 9 a 1 em aces para os europeus. Entretanto, o saque que fez mais estrago na recepção asiática não foi o viagem, mas o flutuante, o saque dirigido. O levantador Mikko Esko, que lançou mão desse artifício o mais que pôde, foi o melhor no fundamento, com quatro pontos de saque.

Não é de hoje que os asiáticos, estereotipados como bons defensores, têm passe tão ruim quanto qualquer outro time de ponta. Nestes tempos em que o vôlei benificia o sacador de força, permitindo até que seu saque toque a rede, o saque alto se releva um terror para os maus passadores. E os coreanos não são os únicos que sofrem com o saque assim.

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PASSE IMPOSSÍVEL Se Esko teve sucesso com o serviço à meia força, György Grözer usou a marreta, mesmo. Com quatro aces e 19 pontos no total (dois no bloqueio e 13 no ataque), o oposto foi o maior pontuador da vitória alemã sobre Cuba, no primeiro jogo da rodada, por 3 a 0. Campeão mundial de clubes este ano pelo Belgorie Belgorod, o oposto se redimiu da atuação apagada de segunda-feira, contra o Brasil.

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A TORCIDA DOS FAVORITOS Os jogos do grupo D, nesta quinta-feira, podem ser decisivos, até, para o destino das vagas à terceira fase. Depois de enfrentarem Porto Rico, num jogo de vitória obrigatória, os norte-americanos vão para a arquibancada do Ginásio da Cracóvia para ver o que podem fazer seus adversários. Irã e França se enfrentam logo em seguida, e Itália e Bélgica fecham o dia. O curioso é que, para as pretensões dos EUA, o interessante é que a Bélgica perca. Assim como, para a Itália, o ideal é que a França seja batida pelo Irã. O motivo?

Se a Bélgica não passar de fase, o ponto que os belgas tiraram dos americanos no primeiro jogo fica sem importância. O mesmo vale para a Itália em relação à França.

É claro que, como os dois perderam para o Irã, o melhor dos mundos para a dupla seria aquele em que o time dos aiatolás voltasse mais cedo para Teerã. Mas como o bom senso não recomenda essa hipótese, melhor que os favoritos queiram descontar o prejuízo grande que já têm, até, se possível, com ajuda iraniana.

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ENFIM, OS NÚMEROS Depois de quatro dias de falhas e incertezas, parece que a FIVB resolveu o problema das estatísticas dos jogos no site. Pelo menos nos jogos de hoje, o ponto a ponto, os dados estatísticos de cada time e de cada jogador funcionaram direitnho. Não na rapidez com que trabalha, por exemplo, na Liga Mundial e no Grand Prix, mas funcionou, mesmo.