Em 1994, Ida já sofria com o ranking da Superliga

Em 1994, Ida já sofria com o ranking da Superliga

O drama de Jaqueline em quase não conseguir um time para jogar no Brasil durante a temporada 2014/2015 do vôlei marcou os últimos meses, mas esteve longe de ser um problema recente. Em 1994, a central Ida (à esquerda na foto acima) viveu situação semelhante, sendo obrigada a atuar no Japão por conta do ranking da Superliga feminina.

A história foi lembrada pela própria atleta pouco antes do Natal, durante o evento de comemoração dos 20 anos da conquista do título mundial de clubes pelo Leite Moça. Na ocasião, a jogadora da seleção brasileira foi um reforço pontual da equipe apenas para o curto torneio, vencido com facilidade (relembre mais aqui).

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(Depois do Mundial) Não pensei em ficar porque tinha problema de ranking, o mesmo problema de hoje. Mas eu recebi um carinho muito grande das outras jogadoras e da torcida e isso foi uma coisa que me marcou bastante”, comentou a jogadora, que deixou as quadras em 2002, após passagem pelo vôlei de praia.

Criado na temporada 1992/1993, o ranking do vôlei brasileiro classifica os atletas entre um e sete pontos, atualmente impedindo que qualquer time tenha mais que dois jogadores no nível máximo e ultrapasse os 43 pontos no feminino e 40 no masculino. A ideia é evitar que um time com maior aporte financeiro contrate os melhores jogadores, tornando o campeonato desigual e os jogos pouco interessantes.

Ainda assim, duas décadas atrás o Leite Moça possuía um elenco respeitável, contando com Ana Moser, Fernanda Venturini, Ricarda, Denise, Josiane, entre outras. Principal rival, o BCN Guarujá tinha em Marcia Fu sua maior estrela, além de Virna e Patrícia Cocco.

Em 1993/1994, a própria Ida jogou pela equipe do litoral paulista, mas o contrato dela não foi renovado e, após negociações fracassadas com o São Caetano e o Pinheiros, a jogadora partiu para o Japão a fim de defender o Ito-Yocado. Uma decisão extrema, contra a vontade de Ida.

“O momento marcante do Mundial de clubes foi o carinho que a gente ganhou e que a torcida falava “Ida, fica”, “Ida,
fica”, pois na verdade eu não queria sair do país, estava saindo porque não tinha onde jogar”, relembrou a central, deixando claro que não sofreu nenhuma hostilidade por ter vindo do BCN. “De jeito nenhum. As pessoas sabem que a gente muda de time, vai pra lá, vai pra cá e, na verdade, o Mundial era vestir a camisa do Brasil, então não tinha problema”, comentou.

A passagem de Ida pelo Japão durou apenas alguns meses, já que em 1995 mesmo ela voltou a defender o BCN Guarujá.

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  1. Sinto falta dos comentários da Ida nas raras manhãs de vôlei na Gobo. O mais legal dela é que não puxa saco de nenhuma jogadora.