Embrionárias, transmissões web de vôlei custam R$ 500 mil e tentam se consolidar no país

Embrionárias, transmissões web de vôlei custam R$ 500 mil e tentam se consolidar no país

Há um ano, a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) se deparava com a insatisfação tanto de times da Superliga que tinham pouco espaço na grade de programação da TV quanto dos torcedores que queriam, mas não podiam, acompanhar a maior parte das partidas que lhes interessavam. Ambos os problemas tiveram uma mesma solução: a transmissão web das partidas, algo bastante comum entre as principais ligas americanas, como a NBA e a NFL.

A iniciativa empolgou os fãs a princípio, mas logo falhas na qualidade técnica da transmissão, erros de nomes de jogadores e até nas regras do esporte diminuíram a euforia. Pouco e pouco, porém, a CBV foi resolvendo esses problemas através da troca de algumas das produtoras contratadas e atualmente o serviço tem atingido um bom patamar de qualidade, recebendo elogios dos fãs.

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Transmissões web da Superliga: agora vale a pena

Superintendente técnico da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), Renato D’Ávila ainda avalia o custo-benefício da iniciativa, inédita no Brasil. Em entrevista ao R7, ele revelou que a CBV é quem banca todos os gastos com a nova mídia:

— A CBV investe R$ 500 mil nisso durante a temporada inteira. Tudo ainda é muito recente e estamos vendo qual o impacto que essa nossa iniciativa vai causar na visibilidade da competição e dos clubes. A busca por visibilidade é sempre uma constante para todo mundo e a gente observou que muitas equipes e seus patrocinadores ficavam sem ter tanta visibilidade em função das escolhas das emissoras de TV

Por questões de gastos e estrutura disponível, a CBV opta pela contratação de produtoras que atendem uma determinada região do Brasil. A princípio, é feito um “período de maturação” de 20 jogos e, caso a qualidade do trabalho da empresa agrade à entidade, é dada continuidade ao processo. Atualmente, são duas as empresas que trabalham com a CBV, mas a chegada de uma terceira já está sendo viabilizada no sul do país. É possível que uma quarta prestadora seja contratada até o fim da temporada.

Apesar disso, a CBV ainda é cautelosa ao falar na expansão do serviço. De acordo com D’Ávila, um dos problemas enfrentados é a dificuldade na mensuração dos resultados das transmissões através do site da Confederação por conta da falta de parâmetros de avaliação:

— É um tiro no escuro. Nós temos empresas especializadas em fazer a mediação do retorno de mídias que temos com as transmissões da TV e as notícias de jornal, mas, hoje, mesmo quem nos presta serviço nisso tem dificuldade em saber quanto dá de retorno umas transmissão na Internet, pois o comportamento do internauta é diferente do telespectador. Ele muitas vezes não fica refém da transmissão como o da TV, pois existem vários paliativos. Mas a gente acredita que a internet seja um veículo interessante e vamos tentar achar uma forma de ver a relação custo benefício para avaliar a continuação.

Até por conta disto, ainda não há planos de imitar os sistemas de “League Pass” dos americanos, onde os internautas pagam não só para ver os jogos, mas também para ter acesso aos replays, vídeos das partidas, estatísticas elaboradas, etc – o da NBA, por exemplo, varia de R$ 33,01 (pacote mensal) a R$ 377,51 (pacote premium pra temporada inteira)

— A gente está muito embrionário para chegar nesse patamar. É preciso criar a cultura da transmissão pela internet, que as pessoas ano a ano estão descobrindo. Algumas barreiras tecnológicas às vezes também nos atrapalham. Muitos clubes, por exemplo, não tem um sinal de qualidade para oferecer para o prestador de serviço fazer a transmissão. Isso é um limitador. E, na outra ponta, muitas regiões do Brasil não tem um sinal de internet de qualidade que sustente a transmissão de uma imagem, que fica picada e consequentemente o internauta não tem paciência de ficar esperando a imagem carregar, aquela coisa.

De certo, por enquanto, somente que as partidas que passam pela TV não ganharão também a cobertura web, visto que “a nossa intenção é dar cobertura ao que não tem cobertura nenhuma”, segundo D’Ávila. Diante de todos os desafios, nem mesmo a das transmissões web em anos futuros não está assegurada:

— A CBV está avaliando as transmissões por enquanto, mas o os clubes tem todo o direito de opinar, se manifestar e isso a gente vai ver no momento em que fizermos a reunião de avaliação no final da temporada (em maio). Aí, vamos ver se damos continuidade na edição 2014/2015 da Superliga.

(Matéria originalmente publicada no Portal R7. Clique aqui para ver)

This article has 1 comment

  1. Excelente iniciativa. Seria interessante se esta “moda” pegasse. Assim, a nossa SL não ficaria refém de uma emissora de TV.