Estávamos mal acostumados: “la décima” não será nada fácil

Estávamos mal acostumados: “la décima” não será nada fácil
Brasil deve conquistar "la décima" antes do Real, mas já se tocou que não é tão "simples" como antes (Montagem sobre fotos de divulgação)

Brasil deve conquistar “la décima” antes do Real, mas já se tocou que não é tão “simples” como antes (Montagem sobre fotos de divulgação)

Quem acompanha futebol espanhol, sabe que o grande sonho de consumo do Real Madrid é “la décima”, uma referência ao título de número dez da equipe na Champions League. Maior campeão da história do torneio europeu, o time vem há 11 temporadas em busca do feito, mas falha ano após ano pelos mais variados motivos.

Dez títulos também é o que busca o Brasil na Liga Mundial. Claro que, mesmo dentro do vôlei, o torneio não pode ser comparado em importância à Champions, mas ainda assim acho possível traçar um paralelo entre os casos: depois de um período extremamente vitorioso, os brasileiros, assim como os merengues, voltam a sentir na prática que ainda terão que suar muito para alcançar “la décima”.

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Entre 2001 e 2010, foram oito conquistas brasileiras na Liga, um domínio poucas vezes visto no alto nível. O Real possui uma história parecida, faturando cinco Champions em cinco temporadas no fim da década de 60 e três entre 1997 e 2002. Tantos títulos em tão pouco tempo em um mesmo torneio podem fazer com que se estabeleça uma concepção errada de quem “é fácil”, quando a realidade está longe disso.

É preciso ressaltar que nunca um jogador de vôlei brasileiro disse que a Liga Mundial era simples, mas acho que em algum momento todo mundo viveu um certo tédio (ainda que inconsciente), como se a gente já soubesse o resultado final. Ainda que ao longo destes anos tenham ocorrido um ou outro resultado negativo e partidas extremamente emocionantes (finais de 2003, 2006 e 2009…), a sensação era que no fim o time de Bernardinho estaria lá no ponto mais alto do pódio. Só que aí veio a derrota para a Rússia na final de 2011 e o balde de água fria do ano passado, quando os brasileiros ficaram apenas em sexto lugar…

Desde então, acredito que os brasileiros em geral tenham voltado a se lembrar que a Liga é um torneio traiçoeiro. Hoje, as pessoas podem até torcer, mas ninguém olha novamente para o time verde-amarelo em quadra e possui a mesma confiança que poucos anos atrás. Os próprios resultados desta edição deixam isso claro: Brasil com uma campanha cheia de altos e baixos, dependendo de uma dupla de ponteiros com um jogador novato e outro em decadência física, alternância de opostos, um líbero contestado, entre outras questões. Depois de uma geração que estava sempre à frente dos demais, voltamos de vez a ter um time “normal”.

É estranho. Aos trancos e barrancos, porém, esse time está avançando. Perdeu no tie-break para a Rússia na estreia da fase final, mas ao contrário dos campeões olímpicos conseguiu superar os perigos de um ótimo franco-atirador como o Canadá e ainda passou para a semifinal na primeira posição do grupo. O placar de 3 a 0 nesta sexta (19) não reflete o que foi o jogo, mas este estado de alerta dos brasileiros é justamente o caminho para chegar a “la décima” bem antes do Real Madrid.

Em tempo: o Brasil joga a semifinal contra a Bulgária, time que venceu duas vezes nesta Liga, às 20 horas (de Brasília). Antes, às 16h30, italianos e russos definem o outro finalista. E aí? Você acha que o título vem agora?

ATUALIZADO: Com 3 a 1 (5-12, 25-17, 23-25 e 25-16) sobre a Bulgária, o Brasil faz a decisão da Liga neste domingo contra a Rússia, a partir das 20h00 (de Brasília)

This article has 2 comments

  1. Ai, Carol! Que pergunta difícil! Essa seleção é um incógnita. Adorei o seu texto – e olhe que não sou de curtir analogias com futebol.

    O próximo adversário do Brasil, a Bulgária, tá jogando um voleibol feio, mas sempre encrespa pro nosso lado na base de saques violentíssimos. Apesar disso, creio que passaremos por eles. Seja como for, eu espero pela Rússia na final.

    Quero mesmo é ver o Brasil conquistando”la décima” em cima do time do Tintin, que é para não se criar um bicho-papão. Façamos domingo o que a seleção feminina só conseguiu no fim do ciclo olímpico com o time dos Estados Unidos. A gente deu linha a elas para depois lhes… Hã!

    Se a vitória não vier, paciência, afinal é o início de ciclo olímpico, a casa tá toda desarrumada ainda. Além disso, ficaria mais do que evidente que Dante está com defeito e a seguradora deu perda total, que Thiago Alves apenas quer fazer frente ao passaporte do Zeca Camargo, e o Leandro Vissoto está desenganado pelos médicos, só falta desligarem os aparelhos.

    Brincadeiras a parte, eu gosto muito dos 3, mas gostaria de ver novas caras na seleção em suas posições.

  2. Parabéns pela matéria. Exatamente o que os torcedores sentem. Sinto saudade do tempo que reclamávamos do saque do Rodrigão, todos os outros iam sacar e torcíamos por “ace”, infelizmente, hoje, torcemos para que os jogadores não errem, e quem dera ter um Rodrigão para passar a bola para o outro lado.
    A geração brilhante da seleção passou, agora somos apenas mais um time.