França: surpresa ou novo time a ser batido do vôlei masculino?

França: surpresa ou novo time a ser batido do vôlei masculino?

Muito se tem falado da conquista da Liga Mundial pela França: depois de sair da segunda divisão do torneio, o time europeu passou por outras equipes consideradas mais fortes para o ponto mais alto do pódio. Mas como será que a conquista repercutiu na própria França? “Um espanto”, conta o brasileiro Alexandre Muller, que vive lá. Jogador universitário no país, ele já colaborou com o Saída de Rede e nos mandou o texto abaixo falando sobre o ocorrido. Confira:

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“Antes de discutir esse resultado, é necessário lembrar que o vôlei na França é um esporte com pouquíssima visibilidade. A grande maioria das pessoas com quem converso por aqui ainda confundem o esporte com o handebol. Para assistir os jogos, tive que ligar para uma dezena de bares para perguntar se iam passar os jogos da Liga Mundial. Vôlei na televisão aberta nem pensar. Nem mesmo nos canais esportivos como Eurosport, L’Equipe 21 ou Canal +. Só comprando a assinatura mais cara e tendo o canal Bein Sports é possível ver a seleção francesa em ação. 

Diante disto, qual seria a “receita magica” que trouxe essa equipe do 12° lugar no ranking da FIVB à elite do vôlei mundial? Será que a conquista da França é realmente uma surpresa tão grande assim? 

Alguns menosprezam o título por ser “apenas” a Liga Mundial. Porém, é importante lembrar que a única equipe que não participou da competição com força máxima foi a Rússia. Todas as outras seleções estavam com suas equipes completas. No seu caminho, a França se superou, venceu os campeões e vice-campeões mundiais. É uma seleção que deve ser levada a sério. 

Acredito que o sucesso da seleção francesa é a combinação de diversos fatores. 

A harmonia do grupo francês é fruto de um trabalho feito com muita seriedade desde as categorias de base. Sete dos 12 jogadores são da mesma geração e jogam juntos desde os 12 anos de idade. Poucas seleções do mundo têm essa sorte. A base desse grupo foi campeã européia sub-17 em 2008 e sub-21 em 2009.

A França ainda tem uma boa estrutura para quem deseja combinar o vôlei de alto nível com os estudos. Existem centros de treinamentos nos quais jovens atletas são reunidos por região e tem uma carga horária de estudos flexível para poder continuar estudando enquanto treinam cinco horas diárias. Essa possibilidade existe desde os 14 anos e quem desejar entrar em um desses CTs tem que passar por uma longa peneira de dois meses. 

Além disso, nenhum jogador esconde a união desse grupo. União inclusive lembrada no rap composto pelo craque do time Ngapeth, que resume muito bem o espírito do time: “Eu morro por ele e ele morre por mim, esse é o diferencial” (clique aqui para ouvir). A seleção ganhou o apelido de “Team Yavbou”, que é usado por todos os jogadores e pela mídia. O técnico Laurent Tillie lembra ainda que as características principais do time são a defesa, a cobertura e a paciência. A França também teve a melhor recepção do campeonato. 

Todos esses fatores combinados com atacantes decisivos fazem a diferença. Tillie observa que a França é o time mais baixo e mais novo do top 12 mundial, mas o que desequilibra mesmo é a respeito tático e o espírito de equipe. Ele admite que esse resultado não teria sido possível sem “alguns jogadores excepcionais” que definem as bolas mais complicadas. 

Seria impossível escrever um artigo sobre o sucesso da seleção francesa sem lembrar alguns nomes. O oposto Antonin Rouzier fez uma Liga extremamente regular e tem-se destacado há muito tempo pela seleção. Ele se encaixa perfeitamente no time e ‘desafoga’ quando o jogo aperta. Está, sem dúvidas, entre os maiores opostos da atualidade. No fundo de quadra o time é liderado por Jenia Grebennikov, que para mim é o melhor libero da atualidade. Indiscutível na defesa e eficiente no passe ele é o grande responsável por entregar a recepção nas mãos do levantador Benjamin Toniuti, que também deve ser citado por sua eficiência e simplicidade. 

Earvin Ngapeth é o destaque absoluto e grande estrela desse time. Jovem, polêmico, decisivo no ataque e equilibrado no fundo de quadra, Ngapeth seria titular em qualquer seleção do mundo. É atualmente a grande estrela do vôlei mundial e promete dar muito trabalho para as outras equipes no futuro. 

A conquista foi grande, mas o caminho é longo. O objetivo da seleção francesa é se classificar para os Jogos Olímpicos de 2016, que terá como palco o mesmo em que a “Team Yavbou” se consagrou no topo do vôlei mundial: o Maracanãzinho” 

E você? Acha que a conquista da França foi uma exceção ou esse time ainda vai longe?