Guia do Mundial masculino – Grupo A

Guia do Mundial masculino – Grupo A

Um leitor do blog, o jornalista Jones Vieira, se ofereceu para fazer a análise de cada um dos grupos do Mundial masculino, que começa no próximo sábado (30), na Polônia. Abaixo vocês podem curtir a primeira parte do excelente trabalho dele:

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Polônia

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Hoje uma coadjuvante perigosa, a Polônia teve um rápido protagonismo no vôlei nos anos 70, tempos em que o esporte era dominado pelos países do leste europeu, sagrando-se campeã mundial em 1974 e olímpica em 1976. Essa geração talentosa não foi acompanhada por outras, e, aos poucos, nas duas décadas seguintes, a Polônia foi desaparecendo do cenário internacional. O retorno à elite se deu no novo século, com duas conquistas que lhe faltavam: o Europeu, em 2009, e a Liga Mundial, em 2012.

Festa em Varsóvia para os campeões do mundo - A Polônia disputou 15 das 17 edições do Campeonato Mundial de Vôlei, ficando fora apenas em 90 e 94. Esteve no primeiro torneio, em 1949, realizado na Checoslováquia, alcançando o quarto lugar entre 10 seleções. O pódio esteve próximo novamente em 52 e 56, mas os poloneses só subiriam nele apenas em 74, no México, e logo no lugar mais alto. Nona colocada nas Olimpíadas de Munique, em 1972, a Polônia não entrou naquele Mundial na lista dos favoritos. A primeira mostra que poderia surpreender veio nas fases de grupo, quando bateu a maior potência da época, a União Soviética e a campeã de 70, a Alemanha Oriental. No hexagonal decisivo, fez duelos épicos, em cinco sets, contra checos, soviéticos e alemães. Passou pela Romênia por 3 a 0, no seu jogo de maior refresco. E na última rodada, contra o Japão, detentor do ouro olímpico, a vitória e o título só foram obtidos depois de um dramático quarto set: os poloneses lideravam o placar por 13 a 3, mas permitiram a virada japonesa para 15 a 14. Quando os soviéticos, sedentos por um tropeço dos vizinhos socialistas, viam suas chances de título reacenderem, o levantador Gosciniak, numa atuação impecável, devolveu a liderança à Polônia, para a festa de Skorek, Gawłowski, Bosek, do técnico Hubert Wagner e de um país inteiro. 

O ouro olímpico - Os ares do norte da América são, de fato, inesquecíveis para os poloneses. Dois anos depois do êxito no México, eles voltaram ao continente, dessa vez para disputar as Olimpíadas de Montreal, no Canadá, com status de favorito. E não decepcionaram. Saíram invictos da fase de grupos, derrotando times como Cuba e Checoslováquia. Na semifinal, vitória por 3 a 2 sobre o Japão. Na finalíssima, mais um embate histórico contra a URSS, em cinco sets. O mais tenso foi o quarto, vencido pela Polônia por 19 a 17. O time campeão ainda contava com Skorek, Gawłowski, Bosek e o treinador Wagner.

Saindo do mapa - Os anos áureos dos poloneses chegaram ao fim com a conquista em Montreal. Em 1980, perderam o bronze olímpico para a Romênia. Em 1982, alcançaram o sexto lugar no Mundial da Argentina, e, em 86, o nono na França. Depois, três ausências consecutivas em Olimpíadas, incluindo o boicote socialista a Los Angeles-84, e duas em Mundiais. E foi assim que a Polônia deixou o cenário internacional, logo quando o vôlei atingiu seus maiores índices de popularidade.

O retorno - A volta às competições de peso aconteceu em 1996, nas Olimpíadas de Atlanta. A campanha, porém, foi vexatória: cinco derrotas em cinco jogos, um set vencido e o 11º lugar no geral. Em 98, fez sua estreia na Liga Mundial e se classificou, depois de 12 anos, para o Campeonato do Mundo, disputado no Japão, de onde sairia com o 17º lugar. Nesses primeiros anos da retomada, os poloneses mais pareciam sparring das principais forças do esporte. Nos seguintes, porém, voltariam a incomodá-las. O ápice foi o vice-campeonato no Mundial de 2006, também disputado em terras nipônicas. Liderados pelo levantador Zagumny, a Polônia chegou invicta à decisão, perdendo-a para o Brasil por 3 a 0. Em 2009, veio o primeiro título europeu, conquistado sobre a França, e, em 2012, a primeira Liga Mundial, derrotando os Estados Unidos na finalíssima. Na Copa do Mundo-2011, ficou com a prata. Falta ainda um resultado de destaque em Olimpíadas – nas últimas três, terminou em quinto.

Em busca do pódio no Mundial-2014 - A Polônia receberá pela primeira vez o Campeonato Mundial. Antes, já sediara a Copa do Mundo-1965, quando sua seleção ficou em segundo, e as finais da Liga em 2001 (7º), 2007 (4º) e 2011 (3º). Se não disputasse o torneio em casa, diante de sua apaixonada torcida, dificilmente a equipe polaca seria cogitada para formar o pódio. Os resultados pós-Olimpíadas de Londres foram pífios: a Polônia não disputou as finais das duas últimas Ligas e no Europeu-2013, do qual era anfitriã ao lado da Dinamarca, perdeu nas oitavas para a Bulgária, terminando em nono. Para não fazer feio novamente em seus domínios, a Federação trocou o técnico italiano Andrea Anastasi pelo francês Stéphane Antiga, 36 anos, bronze como jogador no Mundial-2002 e com uma carreira bem sucedida no vôlei local. Ele terá à disposição nomes como Zagumny, 36, melhor levantador do Mundial-2006 e de Pequim-2008 e segundo atleta que mais vestiu a camisa alvirrubra; o ponteiro Kurek, 26, MVP da Liga-2012; Ignaczak, 36, melhor líbero do Mundial-2002, das Ligas-2011 e 2012 e passador das Olimpíadas de Londres; o ponteiro Winiarski, 30, melhor recepção da Liga-2007 e passador dos Jogos de Pequim; e o central Wiśniewski, 25.

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Argentina

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Brilhantes no futebol e no basquete, os argentinos sonham também com o dia em que poderão rivalizar com o Brasil no vôlei. Nos anos 80, enquanto aqui se aplaudia a Geração de Prata, lá se festeja a de Bronze. Duas décadas depois, ao mesmo tempo em que uma crise afundava o esporte no país, o torcedor argentino via o time de Giba, Nalbert e companhia estabelecer uma longa hegemonia.

Depois do futebol, o vôlei - A melhor exibição argentina num Mundial aconteceu em casa, em 1982, quando conquistou a medalha de bronze, a primeira em competição de nível internacional, ficando atrás da União Soviética e do Brasil, que emergia como uma nova força do vôlei. Públicos de até 18 mil torcedores deram aos ginásios uma atmosfera de estádio de futebol e empurraram os surpreendentes, e também desconhecidos, anfitriões para o pódio. Na semifinal, o talento de Conte, Castellani, Quiroga, Uriarte e Martínez não foi suficiente para neutralizar a potência da época, a União Soviética. Na disputa do terceiro lugar, o Japão foi atropelado por 3 a 0. Antes de 1982, a Argentina disputara, sem despertar interesse, os Mundiais de 60 e 78. Voltaria a desempenhar bons papéis em 1990, no Brasil, e em 2002, novamente em seus domínios, ocasiões em que caiu nas quartas de final, para Itália (3 a 0) e França (3 a 1), respectivamente.

Geração de Bronze - A Geração de 82, agora incrementada pelo novato Carlos Weber, alcançaria seu apogeu com a medalha de bronze nas Olimpíadas de Seul, em 1988. Na campanha, aquele time enfrentou as duas superpotências do vôlei na época: os EUA, na fase de grupos, perdendo por 3 a 1, e a URSS, que outra vez se saiu vitoriosa numa semifinal (3 a 0). Na decisão do bronze, um triunfo sobre o Brasil por 3 a 2 deu sabor especial àquela medalha. Nas Olimpíadas de 2000, em Sidney, com Weber, Meana e Milinkovic, eleito o MVP do torneio, a seleção argentina fez mais uma campanha de destaque, alcançando o quarto lugar, depois de perder para a Rússia na semifinal e para a Itália o bronze.

Na sombra do Brasil - Fora as medalhas de bronze, o êxito mais comemorado para o fã de vôlei argentino é o título nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, em 1995, obtido contra os EUA no tiebreak. Em Sul-Americanos, os albicelestes são amplamente eclipsados pelos brasileiros, com um troféu a favor contra 29 dos vizinhos e rivais. A solitária conquista se deu em 1964, torneio do qual o Brasil não participou.

Uma crise inesperada - Na década passada, enquanto via o Brasil assumir o protagonismo no cenário internacional, a Argentina buscava se reerguer. A realização do Mundial-2002 deveria ter impulsionado o esporte no país, aproveitando a ótima campanha em Sidney-2000, mas as expectativas foram frustradas por um conflito entre Mário Goijman, presidente da FAV (Federação Argentina de Vôlei), e Rubem Acosta, comandante da FIVB. Esta acusou a filiada de negociar contratos de patrocínio sem consentimento. Já a entidade argentina se revoltou depois de não receber sua cota nos lucros em direitos televisivos, denunciando, na sequência, inúmeros casos de corrupção e desvios de verba de Rubem Acosta. Resultado: pelos atos de desobediência, a FAV foi desligada, e a seleção excluída de duas Ligas. Desde 2004, quem administra o esporte no país é a FEVA (Federação de Vôlei Argentino). Depois do rebu federativo, o vôlei argentino entrou em processo de renovação. Em 2008, perdeu a vaga olímpica para a Venezuela, em casa, no torneio classificatório. Já em Londres, chegou em quinto, caindo nas quartas para o Brasil. Em Ligas, o quarto lugar de 2011 e o sexto de 2012, quando Mar del Plata recebeu as finais, foram seus melhores resultados recentemente.

Os filhos da Geração-82 - A vaga na Polônia veio depois do vice-campeonato no Sul-Americano do ano passado. As pretensões para 2014 são maiores que as do Mundial-2010, quando terminou em nono, caindo na terceira fase apenas. Primeiro porque, em seu grupo, apenas a Polônia está num nível acima. Segundo porque terá, finalmente, como técnico Julio Velasco, eleito o melhor do século XX, responsável pela magnífica Itália bicampeã do mundo (90-94) e por colocar o Irã como principal força asiática. A mão de obra é talentosa e inclui De Cecco, 26, melhor levantador da Copa do Mundo-2011; Solé, 23, melhor bloqueador do Mundial-2009 Sub-19; e três herdeiros da Geração-82: os ponteiros Facundo, 25, filho de Hugo Conte, e Rodrigo, 27, sobrinho de Raúl Quiroga; e o levantador Nicolás, 24, filho de Jon Uriarte. Haveria um quarto descendente, o ponteiro Iván, filho de Daniel Castellani, que lesionou o joelho direito no início do ano.

ARGENTINA

Sérvia

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Se a Rússia, após a dissolução do mundo soviético, não foi mais a mesma, o oposto aconteceu com a Iugoslávia, atual Sérvia, que emergiu como uma das potências do vôlei mundial logo após a sangrenta ruína de seu antigo Estado, em meados dos anos 90. Boa parte dos êxitos se deveu a Miljković, um dos maiores jogadores de todos os tempos. Com sua aposentadoria, o desafio da nova geração é manter a Sérvia no topo.

Surge uma nova força - Quando faziam parte da Iugoslávia, época em que os países da Cortina de Ferro polarizavam as disputas, os sérvios nunca conseguiram se sobressair. Disputaram quatro Mundiais, alcançando, no máximo, o oitavo lugar.  Logo após a dissolução pela qual passou no início dos anos 90, a Sérvia despontou como uma das potências do esporte, conquistando, de imediato, ainda como Iugoslávia, o vice-campeonato mundial em 98. O time de Miljković,  Vujević e Gerić eliminou nomes fortes na ocasião, como Rússia, Holanda e Cuba, até chegar à final contra a dona da casa, a Itália, para quem perdeu por 3 a 0. Desde então, as seleções sérvias têm se mantido no top four dos Campeonatos do Mundo, voltando a conquistar mais uma medalha em 2010, quando, após cair na semifinal para Cuba, venceu a Itália na decisão do bronze. Em 2002 e 2006, foi eliminada pelo Brasil na semi, perdendo o terceiro lugar para França e Bulgária, respectivamente.

O apogeu da Era Miljković - A maior façanha da Sérvia foi a conquista do ouro nas Olimpíadas de Sidney-2000. O vice no Mundial-98 e o surpreendente bronze em Atlanta-96 a credenciaram como uma das favoritas, mas um início cambaleante, com derrotas para Itália e Rússia, além de uma vitória sofrida, no tiebreak, sobre a Coreia do Sul, fez muitos duvidarem do potencial do time de Miljković e companhia. Nas fases eliminatórias, porém, numa crescente de produção, a Iugoslávia bateu a Holanda, ouro em 96, a Itália e a Rússia, na final, entrando para o rol das campeãs olímpicas. Na campanha de Atlanta, os sérvios, depois de eliminarem o Brasil por 3 a 2 nas quartas, pararam diante da Itália na semi, recuperando-se contra a Rússia para ficar com o bronze.

Freguês verde-amarelo - Na última década, a Sérvia fez três decisões épicas contra o Brasil na Liga Mundial, perdendo todas. A primeira, Madri-2003, é dita por muitos como um dos melhores jogos de vôlei da história. O Brasil venceu por 3 a 2, com um incrível placar de 31 a 29 no quinto set. Os encontros seguintes, 2005 e 2009, tiveram Belgrado como palco. No último, a atmosfera era de guerra: jogo de cinco sets, ginásio lotado, 22 mil sérvios inflamados, erros de arbitragem pró-anfitrião, técnicos tensos à beira da quadra. Além desses três vices, a Sérvia também perdeu a final de 2008, essa para os EUA, no Rio de Janeiro.

Para não ficar numa só geração - Entre 98 e 2012, a referência sérvia em quadra foi o seu número 14, Miljković. No último título, o Europeu-2011, ele estava em quadra, com a categoria de sempre, tanto que levou o prêmio de MVP do torneio.  Os tempos agora são de renovação e quem a conduz é o técnico Igor Kolaković. Uma vaga entre os oito finalistas já seria um sucesso. Os candidatos a craque são o oposto Starović, 25, bronze no Mundial-2010; o ponteiro Atanasijević, 22, MVP do Mundial Sub-19-2009 e maior pontuador do Europeu-2013; o central Podraščanin, 26, MVP do mais recente Campeonato Italiano; e o ponteiro Uroš Kovačević, 21, MVP do Mundial Sub-19-2011. Nas primeiras experiências desse novo grupo, campanhas medianas nas últimas Olimpíadas (nono) e na Liga, como o sétimo lugar de 2014, uma esperançosa medalha de bronze no Europeu-2013 e uma classificação tranquila para a Polônia nas eliminatórias, com vitórias sobre Portugal, Eslovênia e Macedônia.

SERVIA

Austrália

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O crescimento do vôlei na Austrália veio no bojo dos investimentos para as Olimpíadas de Sidney-2000. A seleção passou a participar assiduamente das principais competições, entrando, em definitivo, no mapa do esporte. Recentemente, na Liga Mundial, mostrou pela primeira vez que pode ameaçar os medalhões.

Saco de pancadas - A Austrália fará, na Polônia, a sua sexta participação em Mundiais. O retrospecto até agora é infame: 23 partidas e apenas duas vitórias. A estreia aconteceu na Argentina, em 1982, contra a Itália, uma força ainda em ascensão. Em poucos minutos, viu-se um atropelo da Azurra: 15/1, 15/1 e 15/8. O primeiro triunfo aconteceu no Torneio de Consolação daquele ano: 3 a 1 sobre o Chile. O segundo e último foi contra a Turquia, por 3 a 2, em 1998, edição em que terminou no 17º lugar, melhor resultado até hoje. Em 2010, quando era cotada para conseguir uma das três vagas na fase seguinte, num grupo com apenas quatro integrantes, os australianos não foram capazes de derrotar os menos experientes porto-riquenhos e camaroneses.

Em casa, uma campanha digna - No Torneio Olímpico de 2000, a campanha superou as expectativas: com vitórias sobre Egito e Espanha, a Austrália alcançou as quartas de final, quando perdeu para a Itália, terminando em oitavo. Voltaria às Olimpíadas mais duas vezes, em 2004 e 2012, mas sem avançar da fase de grupos. De Londres, saiu satisfeita, com duas vitórias, uma esperada sobre a inexpressiva Grã-Bretanha por 3 a 0 e outra surpreendente em cima da Polônia, 3 a 1.

Primeiro grande resultado - O maior feito australiano em grandes torneios é a participação nas finais da Liga Mundial-2014, na Itália. Para chegar entre as seis melhores equipes, foi preciso desbancar a França na decisão do Grupo B, espécie de zona intermediária. Mesmo com as derrotas para a dona da casa e para os EUA, a federação local comemorou a campanha. Antes, a Austrália só participara da Liga apenas uma vez, em 99. Ainda sem malícia e tarimba para enfrentar os times da Itália, da Rússia e da Polônia, o saldo não poderia ser outro: 12 jogos, 12 derrotas e apenas cinco sets vencidos.

Sem vida tranquila na Ásia - Domesticamente, a Austrália tem um ouro, conquistado em 2007, duas pratas e um bronze. No Asiático-2013, acabou eliminada nas quartas pela Coreia do Sul, finalizando em quinto. Nas eliminatórias para o Mundial-2014, a vaga foi obtida com vitórias fáceis sobre Cazaquistão, Tailândia e Kuwait. O destaque dos Volleyroos é o central Nathan Roberts, 28 anos, melhor atacante do Asiático-2011. Outros nomes fortes são o de Adam White, 24, melhor jogador australiano de vôlei em 2013, e o de Igor Yudin, que já atuou pelo Minas. O treinador vem da Argentina: Jon Uriarte, bronze olímpico como jogador em 1988. Esta é a segunda passagem dele pela seleção australiana. Na primeira, obteve a vaga para Atenas-2004. A missão agora é levar a Austrália para a segunda fase do Mundial.

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Camarões

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Camarões é uma daquelas incógnitas difíceis de serem determinadas. Apesar da parca experiência internacional e de viverem na sombra de Egito e Tunísia em seu continente, os Leões Indomáveis não se deixam humilhar em Mundiais – e até aprontam de vez em quando.

Dor de cabeça para os EUA - Camarões só tem duas aparições em Mundiais.  A première, no Brasil-1990, não foi das melhores, mas superou as expectativas para um time tão inexperiente: seis jogos, cinco derrotas, quatro sets vencidos. A única vitória, 3 a 0 contra a Venezuela, no Torneio Consolação, rendeu o 15º, e penúltimo, lugar. O feito, porém, foi ter arrancado um set dos Estados Unidos, uma das potências da época. Em 2010, Camarões surpreendeu ao avançar de fase, superando a Austrália, adversário bem mais calejado, por 3 a 1. Na etapa seguinte, voltou a desafiar os EUA, levando o jogo para o quinto set. Despediu-se com uma derrota para a República Checa por 3 a 0, finalizando em 13º, entre 24 seleções.

Treze anos na fila - A primeira participação camaronesa em torneios internacionais importantes se deu em 1989, na Copa do Mundo. Foram sete derrotas por 3 a 0. Até hoje Camarões não disputou Olimpíadas ou Liga Mundial. Para tanto, será preciso assumir o protagonismo doméstico, que ora se encontra de posse do Egito, ora da Tunísia. Em Campeonatos Africanos, são apenas duas conquistas, em 1989, batendo a Argélia na final, e em 2001, sobre a Nigéria, torneio em que as forças do continente não atuaram. Em 2011, o jejum de títulos quase foi interrompido. Camarões chegou à decisão, mas perdeu para o Egito por 3 a 1. Em 2013, na disputa mais recente, realizada na Tunísia, com apenas seis times, não passou do quarto lugar.

Austrália que se cuide novamente - Para chegar ao Mundial da Polônia, Camarões, que sediou um dos três grupos das eliminatórias africanas, superou Argélia e Ruanda no saldo de pontos. O craque do time treinado por Peter Norbert é o veteraníssimo oposto Jean Ndaki Mboulet, de 35 anos, melhor atacante do Africano-2011. O ponteiro Wounembaina, 29, atua na primeira divisão francesa.

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Venezuela

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Há 11 anos, a Venezuela vencia o Pan-Americano de Santo Domingo e vislumbrava tempos promissores, em que tiraria da Argentina o status de principal oponente do Brasil no sul da América. A vaga na Polônia só foi obtida num duríssimo jogo de cinco sets contra a inexpressiva Colômbia. Sem uma renovação a contento e de fora da Liga por questões financeiras, o presente está bem longe do imaginado.

Sempre a passeio - A Venezuela já participou de 10 edições do Mundial, mas sem grandes feitos. Seu melhor resultado é o 10º lugar de 1960, no Brasil, disputado por 14 equipes. Na estreia, venceu o Uruguai por 3 a 1. Nos últimos torneios, a melhor campanha é a de 2006, quando flertou com uma vaga na segunda fase e obteve sua primeira vitória sobre um time de peso, os EUA, na época, em fase de renovação, por 3 a 1. Em 2010, enfrentou apenas vizinhos americanos, EUA, Argentina e México, e perdeu todos os jogos por 3 a 0, voltando para casa ao fim da primeira etapa.

Contra o Brasil, a mais brilhante vitória - Ofuscada por Brasil e Argentina, a Venezuela não tem títulos sul-americanos. Já foi vice em nove ocasiões, a última em 2003. Aquele ano, por sinal, é o da conquista do Pan-Americano de Santo Domingo, na República Dominicana, maior láurea do vôlei venezuelano. Nas semifinais, uma histórica vitória em cinco sets sobre o Brasil, campeão do mundo em 2002, que contava com seus principais astros, como Giba, Nalbert, Gustavo e Giovane.  Na decisão, o time de Ernardo Goméz, Ronald Mendéz e Rodman Vera superou Cuba por 3 a 0.  Outro feito inesquecível foi a classificação para as Olimpíadas de 2008, após desbancar a Argentina dentro de casa, no Pré-Olímpico de Formosa. Em Pequim, terminou em nono.

Lenta renovação - Sem disputar o Sul-Americano-2013, que ofereceu duas vagas no Mundial, a Venezuela conquistou seu lugar na Polônia ao vencer um torneio classificatório na Colômbia, com 100% de aproveitamento, enfrentando, além do anfitrião, o Paraguai e o Chile. Em maio passado, o italiano Vincenzo Nacci, de 39 anos, deixou a Série B de seu país para assumir o comando da equipe vinho tinto, com o objetivo de levá-la à segunda fase do Mundial. Dois integrantes da Geração de Ouro, campeão em 2003, permanecem ativos: o central Fredy Cedeño e o ponteiro Ernardo Goméz, ambos com 32 anos. O craque e capitão, apesar da pouca idade, é Kervin Piñerua, de 23 anos, que atua no vôlei eslovaco.

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