Guia do Mundial masculino – Grupo B

Guia do Mundial masculino – Grupo B

Chegou a vez do grupo que mais interessa aos leitores do blog. A análise é do jornalista Jones Vieira:

Mais notícias de vôlei? Melhor do Vôlei!

Conheça a história dos Mundiais na nossa série especial

Veja a análise do Grupo A do Mundial

Brasil

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Um cartel de títulos de tirar o fôlego. Bicampeão olímpico, tri mundial, bi da Copa do Mundo, tetra da Copa dos Campeões, enea da Liga Mundial, 29 vezes do Sul-Americano, tri da Copa América, tetra dos Jogos Pan-Americanos. O Brasil circula entre as grandes forças do vôlei desde os anos 80, mas seu apogeu foi vivido no início deste século, quando levou às quadras um dos melhores times da história dos esportes coletivos. Campeão de tudo, literalmente.

Há 32 anos…  - Foi na vizinha Argentina, em 1982, que a lendária Geração de Prata se mostrou ao mundo. Comandados por Bebeto de Freitas, o time formado por Montanaro, Renan, William, Bernard e companhia bateu o Japão na semi e perdeu a final para a poderosa União Soviética. Nos campeonatos seguintes, na França e em casa, a seleção sairia derrotada nas semifinais, para EUA e Itália, e na disputa do bronze, para Bulgária e URSS, respectivamente. Em 1998, a história se repetiu: mais um revés na semi, para a anfitriã Itália, e outro na disputa do terceiro lugar, diante de Cuba. Os anos do quase estavam terminados. Na década seguinte, o Brasil assumiria o topo do pódio, não saindo mais de lá.

É tri! - Já com Bernardinho como técnico, o Brasil iniciou em 2002, novamente na Argentina, a sua época mais vitoriosa em Mundiais. Para chegar ao título, venceu em sequência os adversários mais fortes da época: a Itália, a Iugoslávia e, na final, a Rússia, por 3 a 2, com 15 a 13 no tiebreak. André Nascimento foi eleito o melhor atacante, e Maurício, o melhor levantador. Em 2006, a seleção bateu a Sérvia na semi e atropelou a Polônia na decisão por 3 a 0, Giba foi eleito o MVP. Em 2010, a campanha do tri na Itália ficou marcada pelo “jogo da vergonha”, como ficou conhecida a derrota proposital para a Bulgária por 3 a 0. O objetivo era cair num grupo mais fraco na fase seguinte, com Alemanha e República Checa, fugindo de um encontro precoce com Cuba. Mas quase o tiro saiu pela culatra: o embate contra os checos foi decidido apenas no quinto set. Outra partida duríssima se deu na semi, contra a Itália, 3 a 1. Na final, sem muitos sustos, o Brasil fez 3 sets a 0 sobre Cuba e ainda teve o MVP do torneio, o ponta Murilo.

Papa título - A seleção brasileira já disputou cinco finais olímpicas. Venceu duas, a de 1992, contra a Holanda, com a liderança de Marcelo Negrão, Maurício e Tande, sob a batuta de Zé Roberto; e a de 2004, contra a Itália, com o levantador Ricardinho, o líbero Serginho e o atacante Dante sendo os melhores em suas posições, e Giba, o MVP. Perdeu a de 1984, no ápice da Geração de Prata, a de 2008, essas para os EUA, e a de 2012 para a Rússia. Na Liga Mundial, atingiu o nono título em 2010, oito deles com Bernardinho, ultrapassando a Itália no ranking de troféus. Na década passada, o Brasil estabeleceu uma hegemonia poucas vezes vista num esporte de alto rendimento: entre 2001 e 2006, foram 20 torneios disputados, com 16 ouros, três pratas e um bronze.

Mal acostumado - Os tempos agora são outros. Desde a conquista do tri mundial, os títulos rarearam – o único relevante foi a Copa dos Campeões de 2013. Em fase de renovação, o Brasil deixou de ser imbatível e viu a Rússia despontar como o mais temido dos algozes. Nos últimos anos, os russos venceram os brasileiros em três finais: as da Liga Mundial 2011 e 2013 e a das Olimpíadas-2012. Contudo, no mais recente confronto, pela Liga, em julho passado, veio a desforra verde-amarela, um resultado que ajudou a eliminar o rival. Dias depois, o Brasil perderia o decacampeonato no torneio para os EUA.

Rumo ao tetra - Com 33 anos, Murilo é o mais experiente do time. Tem no currículo o prêmio de MVP dos Jogos de Londres e do último Mundial. Outros destaques são Wallace, 27, melhor oposto da Liga-2014; Mário Júnior, 32, melhor líbero da Liga duas vezes; e Lucão, 28, melhor central da Liga-2014. Da nova geração, Lucarelli, 22, MVP do Mundial Sub-23 do ano passado, é quem desperta mais olhares. No comando desde 2001, está Bernardinho, responsável direto pela fase hegemônica do vôlei brasileiro e agora focado no tetracampeonato.

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Cuba

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Talento não falta, mas os últimos anos têm sido sofríveis para o vôlei cubano. Nas grandes competições, é comum a deserção dos principais atletas, tentados a deixar o amadorismo reinante na ilha e partir para uma liga profissional que pague bons salários. Em Cuba, uma norma proíbe que jogadores atuantes no exterior sejam convocados para a seleção. Com Léon, Camejo, Juantorena, Simon, Hernandez e Bozulev, a seleção caribenha seria indiscutivelmente uma das potências do esporte hoje. Num futuro próximo, talvez já para 2016, especula-se a revogação dessa norma. Seria o retorno à elite, como nos anos 90 para o assombro dos rivais.Muito prazer, Cuba - Cuba só não disputou três edições do Mundial e já acumula 12 presenças consecutivas, com duas pratas e dois bronzes, além de uma quarta colocação. O terceiro lugar de 78, na Itália, foi a primeira grande campanha do vôlei masculino cubano no certame e ratificou uma ascensão iniciada no Mundial anterior, quando terminara em oitavo. A derrota na semifinal para a dona da casa, por 3 a 1, veio depois de uma trajetória invicta até então, em que enfrentou times de peso, como Japão, Checoslováquia e Polônia. Na disputa do bronze, vitória sobre a Coreia do Sul, 3 a 1 também.

A grande década - Nos anos 90, liderada por Raúl Diago Izquierdo e Joel Despaigne, Cuba atingiu o status de potência internacional, realizando três grandes campanhas em Mundiais. Em 1990, no Brasil, eliminou a União Soviética na semi e perdeu de virada, 3 a 1, a decisão para a Itália, time que já vencera na fase de grupos. Quatro anos mais tarde, o time caribenho saiu da Grécia com o quarto lugar após derrotas para a Azurra, na semifinal, e para os EUA na decisão do bronze. Em 1998, novamente em terras italianas, Cuba entrou como uma das favoritas ao título, mas perdeu para a Iugoslávia a vaga na finalíssima. A década brilhante seria encerrada com a vitória sobre o Brasil por 3 a 1 e o bronze no peito. Anos depois, em 2010, a seleção cubana chegaria surpreendentemente à final, onde esbarraria no melhor time da época, o brasileiro. O revés por 3 a 0, longe de frustrar os caribenhos, resgatou a esperança de tempos promissores.

Socialismo x Capitalismo - Em Olimpíadas, Cuba tem apenas uma medalha, a de bronze em Montreal-76, obtida em cima do Japão, com fáceis 3 a 0, depois de uma derrota para a URSS na semi. Quase conquistou outra em Barcelona-1992, deixando-a escapar para os EUA. Nas demais competições internacionais, Cuba conquistou um título em cada. Na Liga, isso se deu em 98, quando venceu Rússia, Holanda e a anfitriã Itália no quadrangular final, com Osvaldo Hernández e Alain Roca em grande fase. A Copa do Mundo de 1991 e a Copa dos Campeões de 2001, ambas no Japão, foram vencidas com 100% de aproveitamento. Se internacionalmente os Estados Unidos, algoz político e esportivo, são a principal força histórica do vôlei da América do Norte e Central, nas disputas internas é Cuba quem tem ampla hegemonia: são 15 troféus continentais contra oito dos rivais.


Com vistas para o futuro - Para Cuba, a última década não deixou lembranças positivas, exceto a do vice-campeonato mundial em 2010. São três ausências consecutivas em Olimpíadas e desempenhos irregulares em Ligas, onde hoje se encontra na “terceira divisão” (Grupo C). O bronze de 2012, conquistado sobre a Bulgária, foi sucedido pelo 13o lugar de 2013 e o 21o de 2014. No último torneio continental, terminou com o bronze. Tamanho sobe e desce causou a dispensa de Orlando Samuels, treinador entre 85 -94 e 2007-2013. Rodolfo Sanchez assumiu o cargo e teve como primeiro desafio levar a seleção ao Mundial – nada complicado, já que os adversários eram República Dominicana, Suriname e Barbados. Sem poder contar com o deserdado Simón, destaque do time de 2010, e o lesionado Bisset, Cuba tem como referência o oposto e capitão Rolando Cepeda, 25. Ao seu lado, para dividir as responsabilidades, jogam os centrais Isbel Mesa, 25, e David Fiel, 19. Os atacantes Javier Jiménez, 24, e Osmany uriarte, 18, em seu primeiro teste num torneio de alto nível, são vistos como as grandes promessas. A mídia local não acredita em medalha e vê o torneio como trampolim para 2016.

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Alemanha

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No início do Campeonato Mundial, eram duas Alemanhas, a capitalista e a socialista. A primeira nunca se destacou no esporte. Já a segunda, graças a uma geração que surge de tempos em tempos, dominou o ciclo olímpico de 72. Desde a queda do Muro, há 25 anos, elas desfraldam a mesma bandeira. Juntar talentos, porém, não fez da Alemanha um time mais forte. Os resultados ainda não apareceram. Esforços para mudar esse panorama têm sido feitos. Agora, resta aguardar.

Festa no leste de Berlim - Na época em que o país era dividido e as seleções de vôlei do leste europeu eram superiores às do oeste, a Alemanha Oriental (RDA) se estabeleceu como uma das potências do esporte, sagrando-se campeã do mundo em 1970. Na campanha, passou por URSS, Checoslováquia, Polônia e Romênia, tropeçando apenas no Japão em jogo de cinco sets. Na última rodada, a disputa pelo ouro se deu num confronto direto contra a dona da casa, a Bulgária, num dos jogos mais emocionantes da história. A Bulgária chegou a estar vencendo por 10 a 1 e 13 a 5 no tiebreak, mas permitiu a virada alemã para 15 a 13. As duas seleções terminaram com seis vitórias e uma derrota. O desempate aconteceu no saldo de sets: 14 a 13. A Alemanha Ocidental (RFA), por sua vez, disputou apenas dois campeonatos: em 1956, quando foi a 24a e última, e em 1966, classificando-se em 20o entre 22 times.

Supremacia socialista - Um momento marcante daqueles tempos se deu em 1972, nas Olimpíadas de Munique, território do lado ocidental. As duas Alemanhas se enfrentaram na fase de grupos, com a do leste vencendo por fáceis 3 a 0. Seguindo adiante, a RDA, depois de bater a URSS na semifinal, deixou escapar o ouro para o Japão, 3 a 1. No mesmo dia, horas mais cedo, a RFA vencera a Tunísia pelo mesmo placar, conquistando assim o 11o lugar. Outra façanha relevante do time oriental foi o título da Copa do Mundo de 1969, em casa. Era a arrancada da excelente geração, a melhor da história de todas as Alemanhas, formada por Siegfried Schneider, Arno Schulz e Rudi Schumann.

A união não fez a força - Depois da reunificação, a Alemanha disputou três Mundiais. No melhor desempenho, chegou à terceira fase em 2010, mas sem vencer times de ponta, terminando em oitavo. Em Olimpíadas, são duas participações, 2008 e 2012, quando, depois de passar pela Sérvia nos grupos, parou diante da Bulgária nas quartas. Em 2010, os alemães voltaram à Liga, após seis anos ausentes. Em 2012, chegaram pela única vez às finais, classificando-se em quinto. No Europeu-2013, a sexta posição ratificou o bom momento vivido pelo vôlei germânico. Na primeira fase, liderou o grupo encabeçado pela Rússia, indo direto para as quartas de final, onde cairia para a Bulgária.

Querendo ser grande - A ascensão da Alemanha é obra de dois técnicos, o argentino Raul Lozano, que exerceu o cargo entre 2009 e 2011, e do belga Vital Heynen. A vaga no Mundial foi obtida sem muito suor, num grupo com Turquia, Estônia e Croácia. Os destaques do time são o oposto Schöps, 29, que irá para seu terceiro campeonato; o ponteiro Kaliberda, 24, ucraniano naturalizado; o central Günthör, 29, melhor bloqueador de Londres-2012; e o líbero Steuerwald, 25, também premiado nas últimas Olimpíadas. Repetir a campanha no último Mundial é o mínimo esperado pelos alemães.

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Tunísia

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Na base da raça -
País africano com mais participações em Mundiais, sete, ao lado do Egito, a Tunísia foi a primeira equipe do continente a passar da primeira fase, em 2006. Para tanto,  venceu Coreia e Cazaquistão, classificando-se em quarto no Grupo D, encabeçado por Rússia, Sérvia e Canadá. Na etapa seguinte, na chave da Polônia, venceu Porto Rico, 3 a 2, e criou  dificuldades para Argentina e Japão, para quem perdeu apenas no quinto set. Terminou a campanha histórica em 15o. Em 2010, com a mudança no formato do torneio – os grupos iniciais passaram de seis para quatro times -, a Tunísia teve a infelicidade de enfrentar Cuba, Brasil e Espanha, adversários mais fortes. Saiu da Itália com um set vencido e o 19o lugar.

Território dominado - Até o início da década passada, a Tunísia era o grande bicho papão do Campeonato Africano, vencendo oito das 12 primeiras edições de que participou. Mas a fonte secou e, desde então, somou três pratas, um bronze e um quinto lugar. Esse amplo domínio caseiro, porém, não se refletiu nas eliminatórias do continente para os Mundiais, já que o país não se classificou entre 1986 e 1998, perdendo a vaga para Argélia, Egito ou Camarões. Em Olimpíadas, são seis aparições, 33 jogos e apenas uma vitória. Em Ligas, apenas uma presença, a deste ano, quando obteve o 27o lugar.

Segunda fase, por que não? - Para carimbar o passaporte para a Polônia, a Tunísia, jogando em sua capital na última fase, venceu, sempre por 3 a 0, as frágeis seleções de Congo, Seychelles, Níger e Senegal. A equipe treinada por Fethi Mkaouer tem como ponto de referência Hichem Kaâbi, de 27 anos, um exímio pontuador. O capitão é o veterano levantador Samir Sellami, 37. Taouerghi, 31, foi eleito o melhor líbero do último Campeonato Africano.

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Coréia do Sul

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Um dia, a Coreia já foi o grande oponente do Japão na Ásia. Os tempos agora são outros. Com o crescimento de Irã e Austrália, os polos da velha ordem estão ameaçadíssimos. A dupla já ficou fora do último torneio olímpico, perdendo a única vaga do continente para a Austrália.  A Coreia também não foi ao Mundial-2010. Foi deixada para trás pelo Irã.

A um degrau do pódio - De suas oito participações no Campeonato do Mundo, a de 1978, em quadras italianas, é a que mais gera nostalgia no torcedor sul-coreano. Fora o quarto lugar, melhor posto de sempre, ele viu seu selecionado terminar à frente do Japão, vizinho, rival e uma das potências do vôlei na época. A Coreia do Sul saiu invicta da primeira fase, em que desbancou Checoslováquia, Romênia e EUA. Na seguinte, mesmo perdendo para Cuba e Japão, conseguiu se classificar em segundo, à frente da campeã de 74, a Polônia. Na semifinal, perdeu para a URSS por 3 a 0, e, na disputa do bronze, para Cuba, 3 a 1. Na mais recente aparição em Mundial, em 2006, a Coreia foi eliminada logo na primeira fase, ficando em quinto no grupo D, atrás de Sérvia, Rússia, Tunísia e Canadá.

Perdendo espaço - Em 1976, dois anos antes de quase pôr uma medalha no peito no Mundial, aquela geração coreana já fizera excelente campanha nas Olimpíadas, terminando em sexto. Em Los Angeles-84, sem as forças socialistas, a Coreia brigou parelhamente contra EUA e Brasil por uma vaga na semifinal, mas ficou em desvantagem no saldo de sets – apesar do histórico triunfo sobre a seleção de Bernard e companhia. Nas últimas décadas, a seleção coreana tem se contentado em ser mera coadjuvante nos grandes torneios, isso quando os disputa. Em Ligas, por exemplo, somente uma vez alcançou as finais – em 1993, no Brasil, terminando em sexto. Na Ásia, conquistou quatro títulos, em 89, 93, 2001 e 2003, só perdendo para o Japão em número de troféus. Nos campeonatos recentes, acumulou quatro bronzes seguidos e uma prata – obtida no ano passado, após derrota para o Irã.

Holofotes em Sung-Min - Sem disputar o Mundial-2010 e as Olimpíadas-2012, a Coreia parecia seguir o mesmo rumo quando foi sorteada para o grupo do Japão nas eliminatórias, que também contava com Catar e Nova Zelândia. Piorando o quadro, todas as partidas seriam realizadas em terras nipônicas. Na última rodada, a Coreia bateu a anfitriã, que não ficava fora de um Mundial desde 1956, por fáceis e surpreendentes 3 a 0. No comando técnico, está Park Ki-Won, um dos integrantes do time de 78. Astro do vôlei coreano, o ponteiro Moon Sung-Min, de 27 anos, também modelo nas horas vagas, sofeu contusão recentemente e talvez não se recupere a tempo. Na ausência dele, o pilar do time será o capitão e levantador Han Sun-Soo, 28. A presença de Tunísia e Finlândia, equipes de nível semelhante ao coreano, aumenta as chances de uma classificação para a segunda fase no Mundial da Polônia.

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Finlândia

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No país em que o hóquei no gelo é o esporte número um, o vôlei tem atraído milhares de praticantes e já ultrapassou a marca de 10 mil jogadores registrados. Na última década, a fim de elevar o nível da seleção, os dirigentes investiram em técnicos estrangeiros, mas foi um filho da terra o responsável por recolocar a Finlândia, após longo intervalo de tempo novamente no Campeonato Mundial.

Era feliz e não sabia - Por 32 anos, desde a presença na Argentina, a Finlândia esperou ansiosamente por uma classificação para o Mundial de Vôlei. Polônia-2014 será o seu sexto.  A estreia, em 1952, na URSS, não traz boas recordações: foram sete derrotas em sete jogos e o 11o e último lugar. No mesmo local, dez anos depois, outro desempenho pífio, com nove derrotas em 10 jogos e o 18o posto, entre 19 seleções. O solitário triunfo foi contra a Áustria, 3 a 0. O panorama melhorou um pouco nos três Mundiais que disputaria na sequência. Ainda sem qualidade para ameaçar as potências da época, a Finlândia cairia sempre na primeira fase e conseguiria vitórias apenas no Torneio Consolação, terminando em 20o em 70 e em 17o em 78 e 82.

Know-how importado - Na década passada, a federação do país investiu em técnicos estrangeiros, mas não atingiu seu objetivo: retonar a um Mundial e debutar num torneio olímpico. Ao menos, a Finlândia reapareceu na Liga e nos torneios continentais. Com o italiano Mauro Beruto, treinador entre 2005 e 2010, a Finlândia se classificou para um Europeu após 10 anos e fez na Rússia, em 2007, sua melhor campanha na história: quarto lugar. Nas fases de grupos, ajudou a eliminar Itália, Bulgária e Polônia. Na semifinal, perdeu para a Espanha e, na disputa do bronze, para a Sérvia. Ainda em 2007, mesmo sem disputar a fase final, terminou em sétimo na Liga, sua melhor posição na história. Em 2009, também na Liga, a Finlândia venceu o Brasil por 3 a 2, feito aclamadíssimo no país. Em 2011, Beruto foi substituído pelo argentino Daniel Castellani, que não manteve o nível. Logo em 2013, ele abriria espaço para Tuomas Sammelvuo, segundo atleta com mais atuações pela equipe nacional e capitão dela de 1997 até sua aposentadoria.

Trabalho recompensado - A classificação para a Polônia começou a ser desenhada no Europeu do ano passado, quando foi eliminada nas quartas de final para a Itália. O oitavo lugar obtido colocou os nórdicos na terceira fase das eliminatórias para o Mundial. Enfrentando adversários de mesmo peso, como Grécia, Ucrânia e Eslováquia, país que recebeu os jogos do grupo, a Finlândia bateu a anfitriã na última rodada por 3 a 2, abraçando finalmente a vaga. No Mundial, a disputa para avançar de fase se dará com a Tunísia e a Coreia do Sul. Na base do time, estão jogadores que participaram do Europeu-2007, como o atual capitão Siltala, 30, os ponteiros Mikko Oivanen, 28, Sivula, 26, e Kunnari, 32, os centrais Matti Oivanen, 28, e Shumov, 29, e o levantador Esko, 35.

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