Insatisfação com regra imposta pela TV marca lançamento da Superliga de vôlei; CBV se defende

Insatisfação com regra imposta pela TV marca lançamento da Superliga de vôlei; CBV se defende
Superintendente técnico da CBV, Renato D'Ávila admitiu que regra foi imposta, mas promete ouvir feedback dos atletas e técnicos (Foto: Divulgação/CBV)

Superintendente técnico da CBV, Renato D’Ávila admitiu que regra foi imposta, mas promete ouvir feedback dos atletas e técnicos (Foto: Divulgação/CBV)

Tive a oportunidade de, nesta quinta (5), acompanhar de perto o lançamento das edições 2013/2014 das Superligas de vôlei, realizado em São Paulo. O legal destes eventos é poder conversar com muita gente que entende do esporte para debater ideias e tirar dúvidas. E, sinceramente, a conclusão que tive é: entre jogadores e técnicos, ninguém é 100% a favor dessa ideia dos 21 pontos, ao menos por enquanto. O máximo que se encontra são pessoas que preferem esperar um pouco para emitir opinião.

Aproveitando a chance, também conversei com o superintendente-técnico da CBV, Renato D’Ávila, que deu as justificas da entidade para a imposição da nova regra (sim, foi uma imposição), mas ao mesmo tempo adianta. Os detalhes de tudo, vocês podem acompanhar no texto abaixo, publicado originalmente no Portal R7 (clique aqui para ver).

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Insatisfação com regra imposta pela TV marca lançamento da Superliga de vôlei; CBV se defende

Bons resultados internacionais das seleções, mais times inscritos, campeonato mais longo… não faltavam motivos para festa no lançamento da edição 2013/2014 das Superligas masculina e feminina de vôlei. Porém, uma mudança de regra acabou por ofuscar todas essas boas notícias, criando um clima de insatisfação geral entre clubes e jogadores: nesta temporada, os sets serão encerrados com 21 pontos, quatro a menos do que anteriormente.

Discutida há alguns meses pela FIVB (Federação Internacional de Vôlei), a alteração foi um pedido das emissoras que transmitem vôlei, como a TV Globo, devido à preocupação com a grade de programação, frequentemente bagunçada pelo longo tempo das partidas. No novo formato, que também já está sendo testado no Campeonato Paulista, um jogo de três sets pode ser até meia hora mais curto. Já um que vai para o tie-break chega a ter uma hora a menos.

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Mas quem vive o vôlei não gostou da mudança. Três vezes campeão da Superliga como treinador da extinta Cimed/Florianópolis e atual comandante do Sesi, um dos favoritos ao título desta edição, Marcos Pacheco conta que vem tendo problemas em lidar com os sets de 21 pontos durante o Estadual:

- Quebrou a estrutura do jogo. Particularmente, estou tendo muita dificuldade de me adaptar a isto porque antes eu tinha os timings da partida, de quando fazer a inversão 5-1, de quando arriscar, quando não arriscar, quando fazer uma substituição… Hoje, falando tecnicamente, eu te digo que não gostei

Pacheco está longe de ser o único. Levantador do Sada Cruzeiro, atual vice-campeão da disputa, e da seleção brasileira, William Arjona foi muito direto ao falar sobre o assunto em sua conta no Twitter:

- Vou deixar aqui minha opinião sobre o set de 21 pontos: cagaram com o vôlei. Deveriam cortar o preço das entradas pela metade! As pessoas vão demorar mais pra chegar e entrar no ginásio do que a partida em si! Terrível

Enquanto Giba, a líbero Fabi e o técnico José Roberto Guimarães dizem que preferem esperar um pouco para opinar sobre o assunto, o capitão da seleção brasileira, Murilo, mostrou preocupação com a possibilidade de o teste com os 21 pontos se restringir à Superliga, permanecendo as demais competições internacionais no formato anterior:

- Não dá para a gente testar uma coisa em um campeonato tão importante como a Superliga se isso não for levado para frente. Seria dar vantagem para as outras seleções. Espero que entre em vigor no ano que vem, senão não vai valer de nada a gente ter jogado esta Superliga. Seria um atraso na nossa liga.

Outro motivo de incômodo entre atletas e treinadores é o fato de eles não terem sido consultados pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) se queriam ou não jogar com 21 pontos. Diz Murilo:

- Como não perguntaram agora, provavelmente não vão perguntar pra gente lá na frente se foi bom ou ruim

CBV se explica

Superintendente-técnico da CBV, Renato D’Ávila admitiu que a regra dos 21 pontos foi uma imposição, podendo os clubes apenas opinar sobre alguns detalhes, como possíveis mudanças a quantidade e formato dos tempos técnicos. O dirigente, no entanto, garantiu que os atletas e seus treinadores serão ouvidos em breve:

- A mudança sempre gera algum tipo de desconforto, pois todo mundo vai ter que adaptar, as táticas das equipes mudam… Vamos avaliar e receber os feedbacks, que são importantíssimos e remeter isso à FIVB, que é quem rege as regras da modalidade no mundo.

Além da Superliga e do Campeonato Paulista, a Liga Europa testou o sistema e o Campeonato Europeu, que começa dia 20, fará o mesmo. Caso a mudança não seja aprovada, D’Ávila disse que já a Superliga 2014/2015 pode voltar ao que era antes:

- Se a FIVB entender que não é viável, vamos voltar à vida normal

Curiosamente, a Superliga não poderá usufruir, ao menos por enquanto, da grande vantagem buscada com a nova regra: ganhar mais tempo de TV. Segundo D’Ávila, a quantidade de transmissões continua a mesma da temporada passada:

- Na verdade, a gente vai concretizar e manter o que já conquistamos. O tempo de TV é sempre uma dificuldade, pois há uma disputa enorme pela grade com diversas outras modalidades e eventos, mas uma certeza nós temos: estamos no caminho de manter o que já conquistamos. Certamente, este é um passo importante nosso no sentido de conquistar mais espaço ainda, uma vez que estamos nos adaptando às necessidades dos veículos de comunicação.

This article has 8 comments

  1. …adianta o q.??? Nem mudando pra 21 pontos como a Tv Globo quer eles não transmitem os jogos, está rolando a copaSp e nda de volêi!!

  2. Até quando o esporte vai ser refém das emissoras de TV’S? Em especial a Rede Globo?

  3. Concordo com os comentários anteriores. Se o objetivo é ganhar mais espaço na TV e isso de cara não vai acontecer mesmo, a regra perde o seu sentido. No dia em que a CBV deixar de ser mandada pela TV Globo e abrir a possibilidade para outros canais transmitirem a SuperLiga isso talvez mude. Tenho certeza que outras TVs adorariam conquistar o público do vôlei.

  4. Infelizmente vivemos a ditadura imposta Rede Globo, pra não chamar de palhaçada! A Globo só transmite os jogos que lhe são convenientes e ainda assim impões mudanças tão drásticas. Na Europa e Estados Unidos as grandes emissoras transmitem com naturalidade e sem transtorno todo e qualquer campeonato independente da modalidade esportiva, já no Brasil quem manipula tudo é o mercado negro do futebol… lamentável o tratamento que dão ao volei pois é o esporte que mais orgulha e vence neste Brasil que só pensa em futebol, farra e cerveja, tomara que o Brasil perca a Copa junto com os milhões que foram investidos!!!

  5. Gente, nem Vôlei de Praia com melhor de 3 sets que nem chega a uma hora de duração eles passam!!!! nem se fosse set único, com 5 minutos de duração iria passar!!!!! A CBV deveria perceber que NUNCA vai ter espaço na TV aberta!

  6. Palhaçada… A Globo se queixa e só exibe 3 jogos no feminino e 3 no masculino (um jogo de cada semifinal e a ridícula final de jogo único) de inúmeras partidas . O SporTv é cansativo de tanto repetir os mesmos jogos de futebol. Outro agravante são os comentaristas e locutores do SporTv tentando nos “enfiar” que a mudança para 21 pontos foi boa para o vôlei. Lastimável. Por tudo que o vôlei brasileiro já conquistou merecíamos mais respeito. CBV decepcionante a postura de acatar essa medida.

  7. Quem aqui prefere ver os programinhas de sabado a tarde da globo ao invés de um jogo de volei?
    Pelo amor o Sportv reprisa umas quarenta vezes uns programas nada a ver.
    Porque não larga o osso e passa pra quem realmente se interessa pelo esporte.
    pior é ver as “autoridades” deste se entregando por dinheiro e obedecendo tudo de cabeça baixa, ou alta né.

  8. Neiva Andreolla Nunes
    domingo 15 setembro 2013, 10:15 pm

    Tá na hora da CBV,deixar de ser mandada pela Globo e caminahr com suas proprias pernas, e dar espaço para outra emissoras de TV, transmitirem os jogos de volei.Se isto acontecer é certo, que o voleibol, terá imuneros torcedores que estaraõ assistindo…Voleibol também é cultura, e naõ apenas futebol, faustaõ, angelica, Xuxa..fantastioc.etc..etc..e outros tantos programas que sinceamente dá nojo de assistir….