Ironia: a melhor atuação do Brasil em 2014 pode ter sido a de maior prejuízo

Ironia: a melhor atuação do Brasil em 2014 pode ter sido a de maior prejuízo

O título deste post parece contraditório, mas não é. Por uma ironia da vida e um regulamento mal pensado, a seleção brasileira masculina de vôlei praticamente se viu punida por dar o seu melhor até agora no Mundial, sendo o único time a conquistar nove vitórias em nove jogos. Mais cruel ainda é o fato de que o melhor jogo do time na temporada, dada a força do adversário, acabou na prática valendo apenas para prejudicar a forma física de três titulares.

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Wallace (torção no tornozelo direito), Sidão (dores no joelho direito) e Murilo (fisgada na coxa direita) saíram de quadra direto para os cuidados do departamento médico – o caso do central é o menos complicado e ele deve jogar contra a Polônia nesta terça (16), mas os outros dois são dúvidas. Do lado russo, Moroz também sofreu com uma lesão e pode ser que não tenha condições de jogo até o fim do Mundial. Em resumo, os técnicos foram induzidos a sacrificarem seus jogadores a troco de nada.

Tentando olhar pelo lado bom: os substitutos dos brasileiros, Leandro Vissotto, Éder e Lipe, mantiveram o bom nível diante dos russos no terceiro e quarto sets da partida de domingo (14). Claro que os campeões olímpicos sentiram a ausência de um oposto de origem (o titular, Pavlov, tinha sido poupado) nestas parciais e abusaram dos erros, mas foi bom ver o time brasileiro se comportar com regularidade mesmo diante da pressão de também ter perdido jogadores e tomado o empate após um primeiro set muito bom. Vissotto, aliás, terminou o jogo como o maior pontuador (15 acertos), alcançando um aproveitamento de ataque de 54%.

Melhor ainda foi o saque, fundamento que já vinha se destacando. Para se ter uma ideia, no momento da segunda parada técnica do primeiro set, o Brasil contabilizava sete aces em 16 pontos. Claro que este ritmo insano não prosseguiu o jogo inteiro, mas o bom serviço incomodou os russos o tempo inteiro. Não fosse pela entrada de Savin e a força de Muserskiy, o duelo teria durado bem menos.

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Parceiro de Murilo na função de ponteiro, Lucarelli também prova que está no caminho certo para ser um grande do voleibol brasileiro. Ele ainda precisa passar por outros testes, mas vem correspondendo ao que lhe é exigido. Contra a Rússia, virou bolas importantes e ajudou na recepção. Falando nisso, o revezamento de líberos entre Mario Jr. e Felipe é certamente mais uma opção acertada do técnico Bernardinho.

O bom é que o próprio Brasil ainda tem espaço pra crescer. Contra os russos, por exemplo, o bloqueio foi extremamente explorado e colocou apenas seis bolas no chão em 56 tentativas, pouco para quem tem centrais do nível dos nossos. Resta saber o quanto essa performance sofrerá com o impacto das lesões causadas por um jogo inútil. Contra a Polônia embalada por sua fanática torcida e uma Rússia reforçada por Pavlov, todo cuidado na terceira fase será pouco.