Itália impressiona e reforça favoritismo para o Mundial

Ortolani (8), Barrazza (11) e Del Core: ataque de respeito (Alexandre Arruda/Divulgação CBV)

Está certo que o Brasil não jogou bem, mas saí de São Carlos mais impressionada com a Itália que preocupada com as brasileiras, até porque certamente o time verde-amarelo pode e ainda vai jogar melhor do que se apresentou domingo. O problema é saber se isso será o suficiente para desbancar a Azzurra.

Para mim, a derrota italiana para o Japão e a vitória sobre Taiwan são quase descartáveis em uma análise, tamanha era a distância entre o time que atuou e o que Massimo Barbolini vai utilizar nas fases decisivas do Grand Prix e, principalmente, no Mundial. Só que, usando o que tinha de melhor em São Carlos (Rodon, Ortolani, Del Core, Piccinini, Barazza e Arrighetti, com Merlo de libero), ele dominou as titulares da seleção brasileira com certa e surpreendente facilidade.

Exceção feita a Natália, mais uma vez ótima, as atacantes do Brasil tiveram grandes dificuldades para passar a bola para o outro lado da quadra. Dificilmente o ataque era direto no chão – Jaqueline, por exemplo, marcou apenas um ponto até o fim do segundo set, o que me fez estranhar a decisão de Zé Roberto tirar Mari e Sheilla de quadra, e não ela, nas tentativas de mudar o panorama do jogo.

Nos dois sets decisivos, Jaque melhorou consideravelmente, mas ainda assim seu passe foi sofrível, causando muitas dificuldades para Dani Lins e Fabíola armarem as jogadas. Aliás, nem a líbero Fabi estava conseguindo entregar a bola nas melhores condições possíveis para as levantadora. Um dia para a defesa esquecer, enfim.

Por outro lado, como bem lembrou o Zé, a Itália teve um aproveitamento monstruoso no ataque: apenas a ponteira Del Core ficou abaixo dos 50%. A central Barazza conseguiu fenomenais 90%. E isto com treinamentos feitos apenas desde meados de julho, bem menos tempo que o Brasil, e um bom saque das campeãs olímpicas, que conseguiram 11 aces.

Para aumentar o favoritismo da Itália, nos próximos dias voltarão ao time três titulares: a sensacional levantadora Eleonora Lo Bianco, a central Simona Gioli e a líbero Paola Cardullo. O entrosamento não deve ser problema, já que as três defendem a seleção há muitos anos e Lo Bianco  joga no Bergamo, mesmo time de Ortolani, Del Core e Piccinini.

“Quando eu digo que a Itália é o melhor time do mundo, sei o que estou dizendo”, comentou o técnico brasileiro após a derrota, embasando um discurso que já vem adotando desde Pequim, quando perdeu Walewska e Fofão. Ele tem razão. Ao Brasil, resta trabalhar dobrado e torcer para que a amarelada italiana em Pequim, representada pela queda nas quartas-de-final, se repita entre outubro e novembro, no Japão.

*Corrigido às 12h22 de 14 de agosto

This article has 2 comments

  1. Carol, só corrija aí: a Cardullo nunca jogou no Bergamo, ela atua no Villa Cortese. E a mesma Cardullo também não deve voltar para o time… Certo mesmo, por enquanto, só Lo Bianco e Gioli. Abraços.

  2. Ricardo, primeiro quero pedir desculpas a você pelo tempo que demorei para aprovar este comentário. Ainda não estou muito acostumada com o WordPress e, por algum motivo que eu ignoro, ele acabou caindo no “Spam”. Só fui vê-lo hoje e já corrigi. Muito obrigado! Quanto à Cardullo, ela jogou contra os Estados Unidos, mas não diante de Porto Rico.

    Abraços!