Mais passador e menos atacante, Murilo afirma: “Não estou me poupando”

Mais passador e menos atacante, Murilo afirma: “Não estou me poupando”

Único jogador do atual elenco da Seleção Brasileira com dois títulos mundiais na bagagem, Murilo Endres não é mais o mesmo jogador. Se no mundial da Itália, quando foi eleito o melhor atleta do torneio, seu percentual de aproveitamento de ataque era de 47,8%, e nas Olimpíadas de Londres, quando também foi o MVP da competição, pontuava em 40% das bolas que recebia, na Polônia, seu percentual é de 28,6% – pontuou em 14 das 49 bolas que recebeu para atacar. Natural, para um atleta que passou por uma cirurgia no ombro, no ano passado.

Porém, na recepção, Murilo, aos 33 anos de idade, continua o mesmo de outros carnavais. De acordo com o site da FIVB, o ponteiro foi o segundo melhor da primeira fase do campeonato mundial neste fundamento – mesma posição em relação a 2010, um degrau acima de 2012.

“Hoje, tenho um papel completamente diferente daquele que eu tinha em 2012 ou 2010”, reconhece. “Tenho me adaptado a isso, o time também, e a gente tem conseguido os resultados”, afirma o jogador, que pode igualar-se a Dante, Giba e Rodrigão, os brasileiros com três títulos mundiais de vôlei.

Nesta entrevista ao Saída de Rede, na véspera da estreia na segunda fase, Murilo também comenta sobre o regulamento do campeonato mundial, sobre a dificuldade do vôlei mundial em encontrar bons passadores e enfatiza: “Espero terminar bem esse mundial e conseguir me preparar os próximos dois anos para as Olimpíadas.”

murilo entevista 2

CONDICIONAMENTO FÍSICO

Não tem nem como medir (em relação às Olimpíadas de 2012), é nítido dentro de quadra. Não participo tanto das ações de ataque. Nas Olimpíadas (de Londres), eu não tinha feito a cirurgia, hoje tenho um papel completamente diferente daquele que eu tinha em 2012 ou 2010. Tenho me adaptado a isso, o time tem se adaptado a isso, e a gente tem conseguido os resultados.

FUNDAMENTO ATAQUE
Eu estou normal, não estou me poupando. A questão é de conseguir fazer (o ponto de ataque) ou não. Não adianta eu arriscar uma bola que não vai ter o resultado que a gente imagina. Não tenho a mesma potência que o Lucarelli ou que o Wallace, então, não adianta ficar dando “murro em ponta de faca”, que é um termo que a gente usa. Às vezes, uma largada atrás do bloqueio não vai cair, mas a gente vai rearmar, vai ter chance para bloquear, para defender de novo. Não estou me poupando, gostaria muito de estar ajudando mais no ataque, mas, infelizmente, no momento é o que tem.

FUNDAMENTO PASSE
É um fundamento chato de treinar, de ensinar. Quando a gente é criança e começa a jogar vôlei, a gente quer atacar, quer fazer ponto. É um igual a fazer um gol no futebol. Então, ninguém dá tanta importância ao fundamento da recepção, da defesa. Com a função do líbero, tem se dado mais ênfase a esses fundamentos. Não é fácil descobrir um talento no passe, a gente precisa começar lá da base. Infelizmente, não só no Brasil quanto no mundo, o voleibol carece desse tipo de trabalho de longo prazo.

TRANSIÇÃO DA BASE AO PROFISSIONAL
Às vezes, (quem começa a jogar vôlei) na escola, não tem continuidade nos clubes e, para chegar a um time de Superliga é difícil. Então, é preciso estudar essas coisas para encurtar esses caminhos.

PARTICIPAÇÃO DA SELEÇÃO NO MUNDIAL
Acho que a gente precisa jogar melhor, precisa demonstrar mais força. Nessa (segunda) fase, a gente vai ter oportunidade de demonstrar um pouco do ritmo que a gente teve nas finais da Liga Mundial, principalmente na semifinal contra a Itália, que ficou marcado como nosso melhor jogo nesta temporada. A gente precisa jogar mais ou menos naquele nível daqui pra frente.

COMPARAÇÃO ENTRE O INÍCIO DESTA CAMPANHA E O DE 2006 E 2010
É bem parecido. Em 2006, a gente perdeu um jogo para a França e depois (na segunda fase) a gente não podia perder mais, jogou com a corda no pescoço. Foi bom, porque o time teve que se unir bastante. Em 2010, nós perdemos para Cuba por 3 a 2, um baita d’um jogo, bem disputado. Tivemos que cair num grupo bem difícil, com Polônia e Bulgária. Aqui, lógico que o jogo contra a Coreia do Sul foi (vitória apertada por ) 3 a 2, mas era um jogo que não valia tanto.

GetImage (14)

FÓRMULA DE DISPUTA DO MUNDIAL
Essa fórmula do mundial é estranha: a gente vai pra segunda fase, traz os jogos da primeira, não tem mata-mata. Fica meio que um “banho-maria”, um mundial estranho, até então. Lógico que a gente precisa ganhar da Bulgária, precisa ganhar da China, precisa brigar com a Rússia, mas vai ter time que, depois da segunda rodada (da segunda fase) vai estar classificado, e aí a gente não sabe o que é que vai acontecer. Então, é uma fórmula muito estranha e alguns times vão jogar com o regulamento.

OLIMPÍADAS DE 2016
No momento, eu gostaria de estar muito melhor (fisicamente), então, não consigo pensar em Olimpíada. Hoje eu tenho 33, nas olimpíadas vou estar com 35. Fisicamente, cada ano que passa tem sido mais difícil, então, preciso me cuidar cada vez mais. Mas é um objetivo que eu tenho na minha vida. Espero terminar bem esse mundial e conseguir me preparar os próximos dois anos para as Olimpíadas.

This article has 1 comment

  1. Belo exemplo de humildade. Eu estava estranhando os saques flutuantes dele desde a cirurgia. Agora está explicado.