Natália para animar o grupo nas Olimpíadas: a decisão mais arriscada de Zé Roberto

Crédito: Luiz Doro/adorofoto

Quando José Roberto Guimarães incluiu Natália na lista de convocadas para as Olimpíadas de Londres, muita gente criticou, com razão: devido a duas cirurgias na canela esquerda, a atacante (convocação certa em “condições normais”) não atuava há meses. No Grand Prix, oportunidades de colocá-la em quadra foram sistematicamente desperdiçadas. Os mais otimistas, porém, acreditavam que ela poderia ser uma espécie de “arma secreta” na luta pelo ouro, voltando a jogar em alto nível e surpreendendo os adversários com uma volta triunfal.

Pois bem: as Olimpíadas passaram, o Brasil levou o bicampeonato de forma quase milagrosa e Natália atuou pouquíssimo. Teve pequenas participações na maioria dos jogos, mas nada relevante, terminando o torneio com apenas dois pontos marcados.

É claro que Zé Roberto não chamaria uma jogadora sem o mínimo de condições físicas para uma competição tão importante, mas a condição de Natália era essa mesma: mínima. Um mês e meio depois do ouro, durante a apresentação na Unilever, a jogadora confessou que duas semanas antes dos Jogos ainda sentia fortes dores na canela. Até a manhã da última segunda, inclusive, só tinha atacado duas bolas, segundo Bernardinho, atuando nos treinos mais como uma “terceira líbero”. A volta também deve ser aos poucos, com foco na Superliga, em novembro.

No bate-papo com jornalistas, Natália confirmou que o objetivo de sua participação em Londres era realmente mais fora da quadra:

- A minha missão em Londres não foi virar bola, não foi entrar para virar jogo: foi negócio de grupo. Por exemplo: no momento em que perdemos para a Coreia (ainda na primeira fase), as meninas saíram chorando, então eu fiquei dando força, não deixava o astral cair nunca. Tem pessoas que não entendem e perguntam: “Ah, então pra que ela foi para lá?”, mas a minha missão mesmo foi esse trabalho de animar as pessoas. E digo que esta é uma missão cumprida.

Realmente, a missão foi cumprida e taí o ouro para provar. Assim como aparece na TV, Natália é, de fato, uma pessoa bem humorada e agradável, mas não se pode negar que a decisão de Zé Roberto em levá-la foi bastante arriscada. Em um ciclo onde as ponteiras sofreram com diversas contusões e a titularidade até o último momento foi uma incógnita, convocar Natália foi um ato que poderia custar bem caro ao treinador.

Afinal, Zé Roberto teve o peito de deixar no Brasil uma jogadora como Mari. Uma das melhores do mundo quando está no auge, a loira esteve muito longe do seu melhor nos últimos dois anos, mas poderia ser decisiva graças a sua experiência e talento. A confirmação de Natália agora só mostra o quanto ela esteve sem moral diante da comissão técnica.

Não convivo com o grupo no dia a dia, mas sinceramente, eu não teria essa coragem do Zé Roberto. Talvez por isso ele seja tricampeão olímpico e eu só conseguirei atingir este feito por milagre (e olhe lá). Mas imagine só o peso que este fato teria no caminhão de críticas que cairia sobre o técnico caso os EUA tivessem entregado aquele jogo contra a Turquia…

Quero saber a sua opinião: Zé Roberto agiu certo ao levar Natália como uma espécie de “psicóloga” para Londres 2012?

This article has 12 comments

  1. Paciência. Por que o entedimento já se foi.

  2. Na minha opinião acho que quem vai sair prejudicada nessa história é a Nátália porque ela ainda não tinha recuperado bem da cirugia, isso podi trazer problema para ela no futuro, se até hj ela ainda não está atacando, a um mês e meio atraz ela ainda nao poderia nem ta treinando com bola, o problema dela é serio, osso não se recomponhe assim tão rápido, uma cirugia dessa tem que ter muita paciência.O tecnico exagerou e muito.

  3. Eu estou chocado com essa revelação. Tá, a Mari não estava bem, então porque não levar uma outra ponteira? A gente passou sufoco na primeira fase. Por mim, a Gabi, super crua ainda, teria sido levada.

    Enfim, gostei de saber dessa revelação, mas a reprovo.

  4. Nunca cheguei a torcer contra as meninas, mas o que o Zé Roberto fez, para mim, foi um absurdo! Tá certo que Mari não estava nem perto do que tem potencial pra jogar, mas era de longe melhor opção que Paula e que Natália. Deixá-la no Brasil e levar Natália foi loucura, ou melhor, não foi loucura não, sabemos bem o que foi… Outra coisa terrível foi cortar a Fabíola e levar a Fernandinha, que não havia atuado em momento algum na equipe… Ela não contribuiu em nada no processo seletivo e muito menos nas olimpíadas… E a Brait, coitada, levar a garota pra Londres e cortá-la no alojamento foi desumano. Gente, a garota estava indo pra sua primeira olimpíada, cheia de esperanças… Além do mais, Fabizinha há muito, muito tempo não tem bom desempenho, e ao contrário de Mari, ela tem sim uma jogadora melhor que ela pra atuar na equipe, a Brait.
    Sinceramente, o que o Zé fez com Mari, Brait e Fabíola não se faz! Elas se esforçaram pelo grupo, foram atuantes na classificação. Paula, Natália e Fernandinha levaram uma medalha olímpica pra casa sem terem feito absolutamente nada, isso é que eu acho horrível! Um atleta abdica de muitas coisas na vida pra chegar numa olimpíada e pra vencê-la nem se fala… Não se pode escalar alguém somente pra dar força ao grupo, pelo menos não quando se tem outras atletas com desempenho muito superior, isso é simplesmente inadmissível!!! Ele estava lidando com pessoas, com o futuro profissional dessas pessoas, não era uma simples partida com os amigos, onde se pode colocar aqueles que mais gostamos no nosso time!
    Sorte nossa que tínhamos uma boa equipe, com jogadoras decisivas como Sheilla, Garay e Fabiana, e sobre a última, confesso, pensei que ela não dava mais nada, mas no final, a capitã me surpreendeu e mostrou a importância de se confiar em atletas experientes.
    O Zé é inteligente e tem muitos méritos, não se pode negar, mas não me conformo que a vitória tenha abafado as injustiças que ele cometeu. Tenho certeza que se estivéssemos com Mari, Brait e Fabíola no elenco teríamos vencido do mesmo jeito, e talvez de forma mais coesa e com menos sofrimento… Mas fazer o que, né? The winner takes it all…

  5. Primeiramente, parabenizo pela volta do Saída de Rede ao ar! Atualizações diárias com opinião leve, descontraída e acertada. Parabéns, Carol!
    Quanto à convocação de Natália, concordo com você: foi arriscadissimo! Não teria coragem não. E não tinha só a Mari, tinha também a Pri Daroit, a Sassá, a Gabi… Natália pode ter ajudado na parte psicológica, mas virar bola também é importante. Sua entrada em quadra não contribuiu muito. Se fosse por isso, era melhor a CBV ter pagado a ida dela só como uma “psicóloga”, convocando outra no lugar dela pra compor as 12. Pra Olimpíada, tem que convocar uma jogadora em condição de jogo.

  6. Concordo com seu comentário. O Zé Roberto tomou uma decisão e trouxe o ouro. Porém algumas atletas mereciam estar em Londres. Concordo que a Mari está bem abaixo de seu jogo, porém devemos compreender que a mesma voltou de uma contusão, por seu envolvimento e comprometimento com o voleibol, e isto colocou em risco seu futuro no volei. Creio que atuou em 2011 /12 sem estar 100% recuperada e ciente disto. Mesmo assim se mostrou no grand prix, superior à Tandara…

  7. Eu não teria a coragem de convocá-lo e deixar a Mari de fora, mas o zé além da competência tem estrela, não é a toa que é tri campeão olímpico. No fim das contas ele se mostrou muito sábio pois o principal problema da seleçao nesses jogos foi psicológico e ela pode ter sido uma das responsáveis pela incrível virada.

  8. Obrigado Carllos, continue sempre aqui dando a sua contribuição! Aliás, agradeço a todos que leem e opinam neste espaço.

  9. +20 no Carlos, falou tudo correto!

  10. Isso mesmo Carllos, ele tinha mesmo que ter levado alguém que pudesse brigar por vitórias, fosse quem fosse, mas que tivesse condições de jogar!!! Talvez a intenção não tenha sido essa, mas a escolha de Natália, na minha opinião, foi o auge da altivez do técnico da SFV e um soco na cara daquelas que ficaram e sabiam que poderiam fazer a diferença… Uma lástima!

  11. [...] em um grupo que tinha uma atleta com pouca experiência internacional (Tandara) e outra com mínimas condições físicas (Natália). Pior: a decisão foi tomada em uma data próxima ao embarque para a Inglaterra de uma [...]