No Brasil, técnico de Camarões se empolga com Olimpíada: “Já ganhamos nossa medalha”

No Brasil, técnico de Camarões se empolga com Olimpíada: “Já ganhamos nossa medalha”

Será preciso um milagre para o estreante Camarões subir ao pódio do vôlei feminino no Rio-2016, mas quem disse que os Jogos Olímpicos são compostos apenas de vitórias, títulos e medalhas? O simples fato de dividir uma quadra com as jogadoras mais famosas do mundo e dar o seu melhor também é importante. É com isso em mente que 18 atletas da equipe africana desembarcam no país no começo de maio para iniciar os treinamentos visando superar seus próprios limites na competição mais importante da vida de todas elas.

Ex-jogador profissional, o técnico Jean-Rene Akono já está por aqui. Ao lado de David Ojong, diretor de gabinete do Comitê Olímpico Camaronês, ele veio até São Paulo para apresentar os detalhes do camping que o time fará por aqui: ao todo, serão três meses na cidade de Jaguariúna, próxima a Campinas, com direito a treinamentos e amistosos abertos ao público.

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Em entrevista ao Saída de Rede, Akono se mostrou ciente das limitações das comandadas: “A nossa maior força está na parte física. Como o voleibol começou um pouco tarde no país, ainda temos defasagens técnicas”. Ainda assim, ele garante que Camarões não quer apenas ser coadjuvante no Rio: a ideia é usar essa participação como um primeiro passo para, no futuro, fazer da seleção africana um time competitivo. “Já ganhamos a nossa medalha, que foi se classificar e trazer o time para as Olimpíadas. Agora, queremos nos manter como os melhores da África e os Jogos serão uma ótima experiência pra gente conseguir isso”, destacou.

Apesar de a tabela do vôlei feminino na Olimpíada ainda não ter sido divulgada, é muito provável um encontro entre Brasil e Camarões na primeira fase. Isso porque, por ser o país-sede, o time de José Roberto Guimarães será denominado o cabeça-de-chave do grupo A, que também deve contar com a equipe a africana, a pior posicionada no ranking mundial.

Se isso se confirmar, será um reedição da partida entre as seleções no Mundial 2014. Na ocasião, mesmo com as reservas, as brasileiras não tiveram muitos problemas para fazer 3 a 0 – mais que o resultado, porém, foi marcante a tietagem das camaronesas para com as bicampeãs olímpicas, com direito a fotos e dancinhas após o jogo.

“Espero que o time possa estar melhor que estava naquele jogo. Acredito que isso vai acontecer, pois ganhamos mais experiência desde aquela participação até hoje”, comentou o técnico Akono, que também se empolga com a possibilidade de jogar em um Maracanãzinho lotado. “É o que todo atleta que vem para a Olimpíada está esperando, uma experiência de vida que todos nós queremos ter. Será um prazer jogar assim neste país”, destacou.

Questionado sobre o motivo pelo qual vir tão cedo treinar aqui, Akono foi incisivo: “Se você quer chegar ao topo, precisa estar ao lado dos melhores e os melhores hoje são o Brasil. Então, por que não vir?”.

O período de treinamento da seleção feminina de Camarões no Brasil está sendo coordenado pelo brasileiro Paulo Pan, que já trabalhou no desenvolvimento do voleibol de outro país africano, Ruanda. Treinador do Clube Pinheiros, Paulo de Tarso Milagres também está envolvido no projeto e vai participar ativamente do camping em Jaguariúna. Além de promover um envolvimento com a comunidade local, a ideia é promover interação com a torcida de Camarões através das redes sociais e tentar marcar amistosos com outras seleções, como República Dominicana, Argentina e até mesmo o Brasil.

Segundo Paulo Pan, o projeto deve ir além das Olimpíadas, de forma que Camarões fique cada vez mais presente no cenário internacional. “Elas possuem um grande potencial físico. Se a gente conseguir introduzir as características de como se trabalha o voleibol no Brasil a isso, esse time será extremamente competitivo”, analisou.