O esporte é o culpado?

A morte repentina do técnico da seleção russa feminina de vôlei, Sergey Ovchinnikov, chocou o mundo esportivo esta semana. Primeiro, pela idade dele: 43 anos. Segundo, pelas circunstâncias: apesar de ainda não haver uma versão oficial, a mídia do país fala da possibilidade de suicídio por enforcamento.

Se esta hipótese for realmente confirmada, é inevitável associar o ocorrido com a eliminação dramática da Rússia diante do Brasil nas quartas de final das Olimpíadas de Londres. Se você passou as últimas semanas em Marte, uma rápida explicação: depois de passar invicta pela primeira fase, as europeias tiveram pela frente um cambalente Brasil, que só foi para o mata-mata graças à ajuda dos Estados Unidos. Porém, em quadra as brasileiras se superaram, jogaram de igual pra igual e, depois de salvarem nada menos que seis match points no tie-break, foram às semifinais. Posteriormente, ficaram com o ouro.

Declarações dadas pelo treinador da seleção masculina, Vladimir Alekno, e do ex-técnico da seleção feminina, Vladimir Kuzyutkin, deixam claro que Ovchinnikov não engoliu nada bem aquela derrota. Porém, daí a tirar a própria vida vai uma distância muito grande. Da mesma forma que é marcado por derrotas incríveis, o esporte tem uma série de exemplos de superação. Para não ir muito longe, fiquemos na seleção brasileira mesmo, que tomou doloridas viradas da Rússia na semifinal de Atenas 2004 e nas decisões dos Mundiais de 2006 e 2010.

Curiosamente, uma das duas únicas pessoas que viveram os quatro momentos é o técnico José Roberto Guimarães (a outra é a central Fabiana). Profissionais do esporte sabem que estão sujeitos a altos e baixos e justamente por isso palpito que apenas o resultado em quadra não é capaz de fazer um estrago deste tamanho. Claro que cada cabeça funciona de uma forma diferente, mas um jogo é muito pouco para atitude tão extrema. Se for por isso, toda a situação é mais triste ainda.

De qualquer forma, como já sinalizou a Cida Santos, esta tragédia serve como reflexão para a pressão às quais os atletas são submetidos. Qualquer um que tenha acompanhado as Olimpíadas pela Internet notou como as reações das pessoas são loucas. Um atleta vai do “merda” ao “gênio” em questão de minutos. Claro que eles precisam ser cobrados, mas bom senso não faz mal a ninguém.

Esta semana, durante a apresentação do Sollys/Osasco para a temporada 2012/2013, conversei com algumas jogadoras da seleção sobre o tema. Veja a matéria aqui.