O fantasma que ronda a Rússia

O fantasma que ronda a Rússia

Por incomum que seja, desde o ano passado há de se falar em rebaixamento na Liga Mundial – perguntem aos búlgaros se isso não funciona. O pior time entre os concorrentes nas chaves A e B joga, no ano seguinte, no que a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) chama de Grupo II, ou no que o brasileiro chamaria de Série B ou Segunda Divisão. Não chega a ser uma tragédia shakespeariana disputá-la, já que ela oferece uma vaga na fase final da Liga – perguntem aos australianos se, de outra forma, teriam chegado a Florença no ano passado –, mas também não é ornamento que envaideça. Nisso, com todo o currículo que tem, e em que pese o desdém que tem demonstrado pela competição, a Rússia deveria estar, ao menos, pensativa: o voleibol que tem jogado e a tábua de classificação dão causa para pensar na queda.

 

A Rússia tem escalado jogadores do naipe de Mikhaylov, Muserskiy, Sivozhelez, Spiridonov, Obmochaev, Butko, Biriukov, mas parece desinteressada da competição. O desinteresse, não bastasse o dos jogadores, passa pela imprensa e, até, pela comissão técnica.

 

Há alguns dias, o site russo Championat, ao dizer que a Seleção Alemã preferiu disputar apenas os Jogos Europeus, que se desenvolvem em Baku, e o Campeonato Europeu, que vai ser na Itália e Bulgária, em outubro, chamou a Liga Mundial de “competição comercial”, pondo em xeque o lado técnico-competitivo do torneio. Depois, foi a vez do técnico Andrey Voronkov mandar o italiano Sergio Busato em seu lugar para os dois jogos contra os EUA em Long Beach, semana retrasada – em oposição, Bernardinho, mesmo suspenso pela FIVB, faz questão de acompanhar a Seleção Brasileira nos treinos e viagens.

 

Um contraponto a ser observado é a equipe que disputa os Jogos Europeus. Com uma seleção basicamente de rostos novos e de nomes pouco conhecidos, apenas, promissores, como Vlasov, Poletaev, Kabeshov, e atletas pouco utilizados na Liga Mundial, como Markin e Bragin, a Rússia venceu os dois jogos que disputou, com direito a um 3 a 1 sobre a Alemanha – aquela que foi bronze no Mundial da Polônia e recusou a “competição comercial”.

 

Pode até ser que o menosprezo russo pela competição anual sirva de alerta à FIVB, e mostre que hoje o calendário reserva competições demais para as seleções. Isso, no entanto, é para quando o campeonato acabar.

 

Porque o produto dessa receita de descaso ao molho – seja um protesto branco, seja por outras prioridades – é que, em seis jogos, sendo dois deles em casa, os atuais campeões olímpicos amealharam apenas um pontinho e nenhuma vitória. E se sempre entram nos campeonatos que disputam (com seriedade) pensando em título, desta vez, os adversários não são os americanos, brasileiros, poloneses nem, sequer, iranianos. Os australianos, com uma vitória e três pontos, na chave ao lado, é que parecem representar verdadeiro perigo derradeiro que restou à Seleção Russa.

 

Os jogos da fase de grupo ainda estão na metade. Serão três finais de semana e seis jogos pela frente, até que se definam os classificados e o rebaixado; a Rússia ainda joga quatro partidas em casa e, quando sair, encara um time que, exceto nos jogos entre as duas equipes, não conseguiu vencer mais ninguém. Até com certa calma, dá para dizer que a Rússia tem ampla possibilidade de não passar uma vergonha histórica na Liga Mundial deste ano. Mas que a campanha, por si só, já tem sido vexatória, isso tem sido e muito.

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  1. Acho que é devido a copa do mundo de vôlei, torneio mais importante do ano que dá direito à vaga nas olimpíadas. Então mesclaremos as equipes, põe pra jogar atletas que estão voltando de lesões e da descanso pra aqueles que tiveram uma agenda cheia com clubes – champions legue é um campeonato exaustivo. Erro da FIVB em permitir diversos eventos às faltando um ano para as olimpíadas.