O lado de Fabi

(Divulgação/CBV)

Semana passada, usei este espaço para criticar o pedido de aposentadoria por mérito feito por Fabi em solenidade com a presidente Dilma Rousseff. Portanto, nada mais justo que eu usasse a oportunidade em que estive com a jogadora para ouvir o lado dela. Segue abaixo um resumo das ideias da líbero da seleção brasileira e da Unilever:

“Foi uma ideia da galera, eu só os representei ali em cima. Não foi nem um pedido, foi uma sugestão. Não tem um projeto, é só uma ideia para as pessoas pensarem. Não sei nem se isso pode ou não legalmente, de que maneira seria desenvolvido, quem seria beneficiado… A gente dedica a vida aqui, para de jogar vôlei e tem que reaprender a ser uma outra pessoa. O pessoal só olha essa coisa de quanto ganha ou não um atleta: não é o valor ou o dinheiro, é o serviço prestado. As pessoas se aposentam por serviços prestados, elas podem ganhar um milhão ou um salário mínimo, independente do que ela tenha feito. Quer dizer então que o Pelé não pode ser aposentado só por que ele é rico?”

As aspas deixam claro que Fabi, de fato, foi apenas uma porta-voz de centenas de atletas: ela mistura a ideia de aposentadoria por mérito com a de aposentadoria comum, que qualquer atleta teria direito como um trabalhador comum.

Então, vamos por partes: continuo discordando da jogadora quando a ideia é o governo garantir um valor mensal a alguém só porque ele subiu ao pódio em uma Olimpíada. Até porque, geralmente, essa conquista vem com uma série de mídia, reconhecimento público e patrocínios que significam um bom ganho financeiro ao medalhista.

Porém, quando Fabi diz que os atletas precisam de uma renda quando deixam o esporte e ela pode ser garantida ao governo, eu concordo. Porém, isso é algo que deve valer não somente para medalhistas, mas para qualquer um que tenha se dedicado anos e anos ao esporte, seja o Pelé ou o cara que só fez figuração nas Olimpíadas. Afinal, ele não deixa de ser um trabalhador e, como qualquer um de nós, pode ter mais ou menos sucesso em sua profissão. É mais um caso de se estabelecer regras bem determinadas de como isso poderia ser feito. Por exemplo: é utopia exigir 35 anos de contribuição de um atleta, já que na maioria das vezes a carreira dele não chega a tudo isso por questões físicas. Aumentar a fiscalização para que os times registrem em carteira seus atletas é outra ideia que pode funcionar…

Caso essa questão seja bem resolvida, será certamente um incentivo para que mais jovens tentem a vida no esporte. Espero que a proximidade do Rio 2016 fermente este debate.

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