Paranaense que joga pela França canta hino brasileiro e realiza sonho em SP

Paranaense que joga pela França canta hino brasileiro e realiza sonho em SP
Sem chances no país, Rafael Redwitz se casou com estrangeira e agora defende seleção europeia (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

Sem chances no país, Rafael Redwitz se casou com estrangeira e agora defende seleção europeia (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

Entre os atletas da seleção francesa masculina de vôlei que encararam o Brasil pela Liga Mundial no último fim de semana em São Paulo, um chamou a atenção: Rafael Redwitz, curitibano radicado na Europa que na sexta (28) e sábado (29) viveu a emoção de enfrentar os atletas de sua terra-natal pela primeira vez na carreira.

Naturalizado francês após um processo iniciado em 2009 a pedido do antigo técnico Phillipe Blain, Redwitz provou que não abandonou as raízes durante a execução dos hinos no primeiro e no segundo jogo. Após cantar a “A Marselhesa”, ele entoou o hino brasileiro junto com o público presente no ginásio do Ibirapuera mesmo estando vestido com a camisa rival:

Mais notícias de vôlei? Melhor do Vôlei

Alerta amarelo: 5 pontos que derrubaram a invencibilidade do Brasil na Liga Mundial

- Meu coração é como de mãe, sou tanto brasileiro como francês. Amo muito esses dois países. Não tinha um motivo para não cantar o hino brasileiro, até porque foi o Brasil que me ajudou a chegar onde cheguei

Em quadra, o levantador teve atuação destacada na sexta fazendo cinco pontos e colocando a defesa e o bloqueio verde-amarelo em dificuldades. Muito por conta do bom desempenho dele, a França esteve perto de vencer o Brasil, mas acabou derrotada por 3 sets a 2 na sexta (28) – na segunda partida, que terminou com vitória europeia por 3 a 1, ele foi reserva e só entrou rapidamente nas inversões 5-1:

- Estava tranquilo, sabia que seria um bom jogo, queria aproveitar ao máximo e deu pra ver que foi uma partida bonita. Temos um grupo bom, jovem, onde todos estão tendo a oportunidade de mostrar qualidade. Colocamos um pouco de dificuldade no jogo do Brasil e não é todo mundo que vem aqui que consegue isso

Rafael, que classificou a experiência como “inesquecível”, não virou gringo apenas para ganhar uma oportunidade que não conseguiu alcançar no concorrido mercado brasileiro: há mais de dez anos jogando no Velho Continente, ele é casado com uma francesa, com quem possui uma filha.

A maior parte da família dele, porém, continua no Brasil e 25 pessoas, entre amigos e parentes, estiveram presentes no ginásio paulista para vê-lo jogar. Trata-se de uma oportunidade com a qual Rafael chegou a sonhar em ter com a camisa amarela em 2007, quando teve uma rápida passagem pela seleção brasileira, mas não foi aproveitado. São fatos assim que o jogador disse que passaram por sua cabeça durante o duelo:

Falta de público no Ibirapuera incomoda até jogadores da seleção brasileira de vôlei

Único remanescente de geração brilhante, Dante prioriza academia para continuar na seleção

- Queria agradecer todo mundo que me ajudou a chegar aqui hoje, os técnicos, amigos, minha família… É um momento único na carreira de um esportista. Foi bonito, me fez lembrar bastante coisa, tanto os dias de felicidade pelo fato de estar jogando vôlei que é o que eu mais gosto na vida, mas lembrei também de alguns momentos difíceis.

Técnico da seleção brasileira, Bernardinho disse que conhece Rafael há anos, desde os tempos em que trabalhava em Curitiba com a equipe feminina do Rexona. O badalado treinador se disse satisfeito com os rumos da carreira do compatriota, já que dificilmente poderia dar a ele uma oportunidade com entre os melhores do Brasil:

- Ele é um bom jogador, levantador da escola brasileira, e chegou a me ajudar tanto no Rexona como na seleção. Porém, nunca conseguiu se estabelecer em um time de ponta daqui, pois isso é complicado. Aí, foi pra França e fez sucesso lá. Ainda tenho amizade com a família e fico feliz em vê-lo em uma seleção. Seleção brasileira é complicado, não é como uma empresa onde você demite e, se ele for um bom profissional, arruma uma vaga em outro lugar. Aqui, se você corta alguém, querendo ou não acaba sendo o carrasco, por mais que esteja tecnicamente correto. Fico feliz que alguém pôde realizar o sonho dele de estar em uma seleção

(Matéria publicada originalmente no Portal R7 e posteriormente atualizada com o resultado da segunda partida. Clique aqui para ver)