Poder, expandir, rebaixamento, renovar: algumas das ideias de Ary Graça

Esta semana o Ary Graça concedeu uma ótima entrevista para o jornal “O Globo”. Novo presidente da FIVB, ele por vezes não foi direto, mas acredito que suas intenções ficaram bem claras. Abaixo, destaco e comento algumas frases que me chamaram a atenção:

- Ao falar sobre a possibilidade de mudar a regra da FIVB que impede a eleição de um presidente com mais de 72 anos, idade que ele já terá atingido ao fim de seu mandato, em 2016:

“É como aquela música: “Deixa a vida me levar”… (risos) Nesse momento, não penso nisso(…) O Flamengo, a cada quatro ou seis anos, muda de presidente. E ai, deu solução? É preciso condicionar a permanência no cargo a resultados”

Concordo em partes. Realmente, acredito que a avaliação de um dirigente deva ser feita pelos seus resultados (não só os obtidos em quadra), mas acho que o Ary está indo para um caminho um tanto quanto perigoso de acúmulo de poder e já deu sinais que está disposto a tentar mudar a regra da FIVB. Por mais que alguém seja bom, a permanência de alguém em um cargo por muito tempo nunca é positiva, ainda mais no esporte, onde a gente está cansado de ver dirigentes se eternizarem no pode associando-se com outros que também só querem saber de ficar lá para sempre. Abre um precedente perigoso

- Sobre o conflito ético de dirigir ao mesmo tempo a CBV, a Confederação Sul-Americana e a FIVB:

“Meu mandato na CBV vai até 2016, depois das Olimpíadas, mas já me licenciei. Na Sul-Americana, da mesma forma. E assumiram estatutariamente os dois vice-presidentes”

Muito bom. Mas… alguém aí então sabe quem está comandando hoje a CBV? Isso não poderia ficar mais claro, através da divulgação de alguma nota oficial? Se alguém viu, a caixinha de comentários está aberta.

Detalhe importante: a mesma reportagem diz que o Ary transformou a galera de troféus da CBV em sala de espera do novo escritório da FIVB. É tudo grudado agora.

- Expansão do vôlei

“O desafio é vender. Hoje, o voleibol mundial está restrito. Somos fortes apenas em 20, 25 países. No resto, ficamos em níveis inferiores (…). A finalidade imediata é fazer com o vôlei de quadra o que fiz na praia, com a Continental Cup, que trouxe 143 países para disputar vaga nas Olimpíadas. A palavra é oportunidade. E para todo mundo”

Excelente, de verdade. O vôlei precisa mesmo deixar de ser tão concentrado.

- Rebaixamento na Liga Mundial e no Grand Prix

“A Liga Mundial hoje reúne 16 times. Fiz uma proposta de competição apenas com os oito melhores times do mundo. E aí, teria uma Segunda Divisão com outros oito e a Terceira, dando oportunidade para o mundo inteiro entrar. Em todas elas, um sobe e outro cai. Isso nunca houve na Liga Mundial. É uma sugestão que acho que vai ser aprovada, mês que vem”

Ideias interessante, mas que vai gerar muita polêmica. De qualquer forma, como o Ary mesmo disse, é uma maneira de evitar que estas competições fiquem esvaziadas ao serem disputadas por vários times B. E, se forem mesmo apenas oito na primeira divisão, é uma solução para que os atletas de elite não sejam muito exigidos fisicamente, além de tornar a competição mais rápida e emocionante. Vale ao menos para testes.

- Disputa vôlei x MMA pelo posto de segundo esporte do Brasil

“É uma propaganda muito bem feita, mas uma mentira absurda. Não estou dizendo que o MMA não vá adiante. Estou dizendo que há uma limitação de público, dada a brutalidade que é. É um modismo, como foram tantos outros. Quero ver consolidar. Não se pode falar em consolidação antes de dez anos. Essas coisas surgem e vão embora, são os cometas (…) O UFC, enquanto tiver brasileiro ganhando, tudo bem. Quando não tiver, acabou (…) Só que o UFC só tem americano e brasileiro. O japonês tentou entrar e não conseguiu. Na Europa, não tem. Não perturbam. Tenho estatísticas de tudo. Eles não incomodam ainda”

Concordo em partes. Realmente, ainda não dá para falar que o MMA é um esporte consolidado, até porque sua grande força hoje, o UFC, na verdade é uma empresa que, em teoria, pode falir a qualquer momento, e não uma Federação que reúne representantes de vários países. Além disto, o MMA, de fato, está restrito a certas partes do mundo, mas não acho que podemos subestimá-los

- Renovação de Bernardinho e Zé Roberto

“Com o Bernardinho já está tudo bem adiantado. Tivemos uma conversa em Londres, após as Olimpíadas. Com o Zé Roberto, ainda falta uma conversa com o diretor-técnico, Paulo Márcio, para acertarmos tudo. Realmente, a exclusividade é um desejo meu, mas não significa que seja uma obrigação. É aquilo: vou tirar por que? Só porque acham que é preciso mudar a toda hora? Mudar para quê? Se é bom, fica. Se não é bom, sai”

Que bom que o Ary resolveu abrir mão da exigência sem sentido de os treinadores da seleção não comandarem um clube também. Eles mesmos não queria se submeter a isso, seja por questões financeiras ou porque acham que rendem melhor trabalhando na beira da quadra naquele período que as seleções não jogam. A princípio, pode parecer um conflito ético, mas sinceramente até hoje não vi nenhuma convocação que teria sido influenciada pelo fato de Zé Roberto e Bernardinho estarem no clube X ou Y.

PS:  Impressão minha ou nesta resposta ele falou como se ainda fosse ou presidente da CBV?

E você, o que achou das ideias do novo presidente da FIVB? Quem quiser ler a entrevista completa pode clicar neste link aqui

This article has 6 comments

  1. Gostei. Eu concordo com o Ary. Ah e o volei está a anos luz a frente do MMA.

  2. A vaidade do Ary não vai deixá-lo desligar-se da CBV pelo menos enquanto as seleções estiverem no topo. acho algumas propostas dele bem interessantes .não sei se irão vingar.
    Concordo com vc que é um perigo essa história de mandatos longos, rarissímos dão certo.
    Quanto ao MMA não acho que seja uma febre, veio pra ficar. Mas o vôlei tem a vantagem de ser muito mais popular e abrangente.

  3. Acho que ele deveria mudar mais a questão dos locais de algumas competições como o grand prix que só vem acontecendo na Asia,
    Concordo quanto as divisoes da Liga e do Grand Prix
    e MMA nao agrada a todos…ja o volei sim..
    Quantos ao excesso de mandatos acho errado , alguem novo deveria assumir e ir aprendendo como que funciona a CBV

  4. Obrigado pela sua opinião, Wilton. Abs!

  5. Esse é o problema, Sandrinha… a vaidade é capaz de destruir até grandes trabalhos. E o Ary está indo perigosamente para este lado. Abs!

  6. Você teria alguma sugestão para este nome, Matheus? Eu, pessoalmente, acho que Ana Moser seria uma ótima sucessora, mas dificilmente acho que isso vai acontecer. E o Grand Prix precisa urgentemente sair um pouco da Ásia. Abs!