Por que quase ninguém liga para o vitorioso vôlei de praia?

Por que quase ninguém liga para o vitorioso vôlei de praia?
O fim de semana que passou foi histórico para o vôlei de praia brasileiro: no Mundial da modalidade, que só perde em importância para a Olimpíada, o país levou cinco das seis medalhas possíveis. Enquanto Ágatha/Bárbara Seixas e Alison/Bruno Schmidt se sagraram campeões na Holanda, a dupla formada Fernanda Berti/Taiana levou a prata. Pedro Solberg /Evandro e Juliana/Maria Elisa completaram a festa com bronze.

De quebra, tais resultados ainda asseguraram ao Brasil o direito de ter mais uma vaga em cada naipe no Rio 2016, totalizando quatro duplas nacionais na disputa. Ainda assim, o resultado pouco repercutiu entre aqueles que não curtem esportes olímpicos. Até mesmo entre os fãs de vôlei indoor, a notícia teve menos impacto do que poderia.

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Não quero cair na alternativa fácil de apenas lamentar o fato de as pessoas pouco ligarem para o vôlei de praia porque são alienadas. É preciso tentar entender o porquê isso acontece. Pode ser doloroso admitir, mas o próprio esporte tem sua dose de culpa. E ela não é pequena.

Vamos falar da própria configuração do calendário do vôlei de praia: é Circuito Brasileiro, Circuito Mundial, Campeonato Mundial, etapas Open, etapas Grand Slam… isso sem contar no AVP, o Circuito Americano. Ao invés de se unirem em busca da atenção do público, os campeonatos competem entre si e é difícil um novato entender a diferença de importância entre eles. A impressão é que um monte de jogos simplesmente vão surgindo e isso dificulta a fidelidade de um potencial fã.

Os critérios de pontuação nos Circuitos também poderia ser mais claro, deixando o público ciente sobre o que cada dupla precisa fazer na disputa do título da temporada. Afinal, é muito chato ter que ficar fazendo contas para entender o que está acontecendo.

Há um outro complicador com o qual nada se pode fazer: o fato de um país ser representado por várias duplas, que frequentemente se enfrentam. Enquanto no cenário internacional indoor há apenas um time da nação X ou Y, a torcida aqui se divide naturalmente. Para piorar, os atletas acabam virando meros nomes, pois com tanta concorrência pouco se sabe sobre eles. Quando mudam os integrantes de uma parceria, é mais confuso ainda.

Se quiser valorizar seus atletas adequadamente, o vôlei de praia precisa se repensar. Que tal chamar jogadores, técnicos e até mídia para discutir mudanças com os dirigentes? Quem se esforçar lá na areia merece mais atenção.

This article has 6 comments

  1. Nunca tinha pensado sobre isso. Acompanho somente o vôlei feminino, nem ligo para o masculino, apesar de acompanhar alguns jogos.

  2. Brilhante matéria sobre o nosso Vôlei de Praia! Realmente a preocupação da equipe do Saída de Rede procede! Parabéns, pois!

  3. Não acho que seja assim, quase ninguém liga. Repercutiu entre todos que amam o esporte. Muitos dos meus colegas que curtem vôlei de quadra tb acompanharam o de praia. Eu viro por o tudo no voleibol, exceto seleção masculina, por questões pessoais. Esportes olímpicos sempre foram renegados desde sempre, o vôlei de quadra com as conquistas ganhou fama, adesão e simpatia. Queria mais reconhecimento no geral, por todo o país, mas aqui só se olha p futebol. Mesmo este estando uma MERDA.

  4. Acho que a confusão de campeonatos mencionada por você (além da concorrência entre eles) é um complicador mesmo. Mas o fato de haver várias duplas de um mesmo país no mesmo torneio, na minha opinião, é algo bastante razoável. Pensemos no exemplo do tênis, em que compatriotas se enfrentam o tempo todo (recentemente, em Wimbledon, Serena Williams teve que enfrentar a própria irmã!). Essa divisão das torcidas que você menciona poderia atuar até a favor das duplas e do esporte – e nesse ponto o papel da imprensa esportiva é fundamental. Um abraço!

  5. Edson e Luiz Carlos: obrigado pela participação! Continuem nos visitando. Abs!

    Bruno: Fico feliz que entre as pessoas que você conhece a repercussão tenha sido maior. É uma boa notícia. Você também tem razão quanto ao futebol, mas não há muito o que fazer quanto a isso, trata-se de algo muito enraizado culturalmente. Abs!

    Halem: Sim, de fato, até por isso disse no texto que “nada se pode fazer”. Afinal, pior do que isso é ter poucas duplas competitivas no país! E um mea-culpa: a imprensa esportiva fica devendo muito neste aspecto… Abs!

  6. E tem algo mais a considerar. As duplas tidas como referência, não chegaram às finais.
    A confederação deve ter ficado de cabelos em pé em ver Talita e Larissa fora das finais.
    Será que elas voltam a corresponder como nossa dupla numero 1?