Possível alteração na regra do vôlei divide jogadoras

Se a regra mudar, jogadoras como Jaqueline serão ainda mais valorizadas no mercado (Foto: Divulgação/CBV)

Nas últimas semanas, os fãs de vôlei foram surpreendidos com a possibilidade de uma nova mudança nas regras: segundo o árbitro português Avelino Azevedo, a FIVB discute, a partir de 2013, considerar falta a recepção do saque com toque.

Nada ainda é oficial, já vemos polêmica entre torcedores. Quem defende, acha que o jogo vai ficar mais “limpo”, mais bonito de se ver. Já aqueles que são contrários à medida, acreditam que o uso do toque é fruto da evolução do esporte, inclusive, tornando as jogadas mais rápidas.

No último evento do Sollys/Osasco antes do embarque para o Mundial de clubes, no Catar, conversei com as responsáveis pelo passe sobre o assunto. Apesar de a “pesquisa” estar restrita a apenas um time, lembremos que ali estavam boa parte das principais passadoras do Brasil na atualidade.

As opiniões foram divididas, mas seguiram o óbvio: admiradas pela habilidade que possuem com a manchete, Jaqueline e Camila Brait gostaram da ideia. A ponteira foi até mais longe e cravou: “Passadora, para mim, é na manchete”.

Ambas, porém, concordam que há muitas jogadoras que recorrem ao toque por sentirem menos dificuldade. Na minha opinião, pelo menos uns 80%. Camila até citou nominalmente as colegas de clube e seleção que devem sentir bastante a possível mudança (e são as mesmas que a gente já imaginava): Tandara, Fernanda Garay, Mari, Paula, Natália…

Garay, aliás, se mostrou terminantemente contra a alteração, a qual até classificou de “retrocesso”. Fabíola, que não passa, mas sente as consequências de uma recepção ruim, também não gostou muito: “Querendo ou não, vai dificultar o meu trabalho porque o passe vai “estourar” mais”.

Eu, particularmente, sou contrária à mudança: do jeito que vemos o jogo hoje, acho que essa alteração iria aumentar muito o número de erros, além de diminuir as possibilidades de ataque em velocidade, tornando o jogo chato. Pode-se argumentar que a longo prazo a nova regra obrigaria as atletas a passarem com mais eficiência, melhorando os duelos, mas não acredito muito nisso, já que, pra mim, essa habilidade precisa ser construída da base. O sofrimento de Mari e Natália, só pra citar os dois últimos casos de opostas que viraram ponteiras, está aí pra nos mostrar.

E você, o que acha?

Em tempo:

- Apesar de uma dificuldade aqui e outra acolá, Osasco e Sada Cruzeiro estão fazendo um belo Mundial
- Quem me conhece, sabe que eu gosto de rivalidade e até uma provocação ou outra no esporte, mas o que vimos no primeiro jogo da final do Paulista, em Campinas, foi vergonhoso. Um show de falta de controle de parte da comissão técnico da Medley e de Lorena e Leozão.

This article has 2 comments

  1. Também considero a mudança um retrocesso, como disse a F. Garay. O jogo mudou muito nas últimas décadas, o saque tornou-se mais forçado e rápido e os(as) passadores(as) não podem ser prejudicados por essa possível alteração da regra.

    Um abraço.

  2. Eu não considero nem retrocesso, nem avanço. E sim, que as coisas foram colocadas no seu devido lugar.
    Sinceramente, essa história de jogador dizer que vai diminuir a velocidade das jogadas é desculpa de gente que simplesmente não sabe passar.
    Olhem os times asiáticos aí pra provar minha tese. Vejam videos da seleção chinesa, campeã olímpica em 2004. Olha os passes de manchete super velozes que eram entregues nas mãos da Feng.
    A questão da manchete alta pode ser resolvida com técnicos que tenham a competência de treinar o passe de manchete chutado para os levantadores.