Qual será o futuro de Mari?

Qual será o futuro de Mari?
Até para fazer atividades cotidianas, como ir ao mercado, Mari precisa de cadeira de rodas (Reprodução/Twitter)

Até para fazer atividades cotidianas, como ir ao mercado, Mari precisa de cadeira de rodas (Reprodução/Twitter)

Sem dúvida alguma, Mari é um dos personagens mais interessantes do vôlei. Me arriscaria a dizer até que do esporte brasileiro. Cheia de altos e baixos, capaz de despertar amor e ódio nos fãs, polêmica quando quer e quando não quer… pois bem: como todos os admiradores de vôlei estão cientes, a carreira dela ganhou mais um capítulo no último fim de semana, durante partida do Fenerbahce contra o Eczacibasi. E dos dramáticos: ruptura do ligamento cruzado do joelho esquerdo, com previsão de pelo menos seis meses afastada das quadras.

Na medida do possível, Mari já está acostumada a contusões graves. Foi assim em 2005, quando ela precisou operar o ombro direito, que já a incomodava há uns tempos e foi assim em 2010 quando ela também rompeu o ligamento, só que no outro joelho. Nas duas oportunidades, a atacante se recuperou bem e voltou a fazer em quadra a alegria dos fãs.

Será que vamos ver isso acontecer novamente? Claro que a vontade de todos é responder “sim”, mas é preciso considerar alguns fatores desfavoráveis. No caminho de completar 30 anos, Mari não é mais nenhuma juvenil, o que torna a resposta do corpo um pouco mais demorada. Além disto, ela vinha sofrendo com problemas físicos nos últimos meses: em 2012, aquele ombro operado voltou a dar problema para ela, através de uma tendinite que a impediu de participar como deveria do Grand Prix. Como se não bastasse, foi frequentadora assídua do departamento médico do FenerbahÎce nesta temporada, com lesões na perna esquerda e na coxa direita.

Certamente influenciada pelas dores, a ponta/oposta também não vinha jogando tudo o que sabe há algum tempo e nem Zé Roberto e nem Bernardinho conseguiram dar um jeito nisso. A ida para um país distante seria uma ótima maneira de se reencontrar sem sofrer tanta pressão da torcida, mas quis o destino que tudo desse errado. Complicado.

A julgar pelas primeiras declarações dela após o acidente na Turquia (“É mais uma lesão que vou tratar pra ficar boa o mais rápido possível e voltar a jogar, que é o que mais gosto de fazer”), Mari não vai desistir tão fácil. Pessoalmente, espero que ela consiga se reerguer e volte a jogar em alto nível, mas meu lado racional coloca essa possibilidade em séria dúvida. A ver.

E você? Acredita que Mari ainda jogará no mesmo nível de antes?

This article has 7 comments

  1. É agora que ela precisa mostrar se corre sangue nas suas veias e se uma fênix adormecida desde sempre acorda e faz diferente. Mari só teve duas boas fases na seleção (Atenas e Pequim), e isso é muito pouco pra 10 anos de seleção, ao passo que Sheilla, Fabiana e Jaqueline tiveram uma regularidade enorme nesse mesmo espaço de tempo. Resultado de dedicação, disciplina, foco e muito, muito treino.

    Mari pode até amar o vôlei, mas como num relacionamento amoroso dissimulado, ela não respeita os meios que viabilizam esse amor.

    O que complica é que com 30 anos uma ‘nova’ Mari regular e vigorosa possui menos chances de surgir. São poucas ATACANTES atuando nessa faixa etária em alto nível. Além disso, estas atacantes possuem um histórico de regularidade que validam suas atuações ainda muito competitivas, pois fizeram muito por seus clubes/seleções.

    Pra finalizar, eu espero me surpreender com a Mari e ver que ela é capaz de demonstrar uma vontade antes nunca vista. Vontade que envolve maior senso de grupo, uma pitada de humildade, outra de gana de competir por posição titular, uma colher de disciplina e quatro tigelas de inspiração.

    Sorte pra ela ;)

  2. Gostaria que ela voltasse em alto nível,mas se não for possível devemos ser gratos a Mari.Por tudo que fez pela seleção e até pelas polêmicas Mari merece nossa profunda admiração e sempre será uma das minhas atletas favoritas do vólei.

  3. Bruno, eu concordo em parte com o seu comentário. É notório que para que aconteça uma recuperação plena e de qualidade, a Mari terá que fazer sacrifícos maiores do que aqueles que ela tem feito até agora. O resultado futuro, daqui a uns 6 meses, dependerá mais dela do que de qualquer outro fator. Até esse ponto eu concordo com você.
    Minha discordância reside na comparação que fizestes da Mari com as jogadoras Sheilla, Fabiana e Jaqueline.

    A Sheilla, em todo o período de sua carreira, nunca apresentou uma lesão grave. Apenas desconfortos em áreas como ombro, cotovelo e costas, o que é normal devido ao movimento repetitivo. Tanto que só estamos vendo queda no rendimento dela nesses últimos 2 anos, mais em 2011 por ter sido sobrecarregada no GP2010, Mundial de 2010 e SL2010/2011. É importante ressaltar também que a Sheilla pontua em uma proporção menor à quantidade de bolas que recebe, ou seja, precisa ser bastante acionada para ter grandes pontuações.

    A Fabiana também nunca apresentou lesões graves apenas uma leve lesão na coxa no período em que jogou no Fener. Ela já não é uma meio regular e decisiva, desde que saiu do UNILEVER o que faz mais ou menos uns 2 anos.

    A Jaqueline já enfrentou em sua carreira várias lesões graves, mas teve a “sorte” de elas não acontecerem ao mesmo tempo. É fato que, por um motivo ou outro, de todas as jogadoras foi a que teve mais tempo de recuperação disponível. Atualmente é a melhor jogadora de ponta do Brasil, talvez do mundo, mas pelo conjunto dos fundamentos do que pela capacidade de decisão. Nunca foi uma jogadora muito regular! Na seleção sempre foi jogadora de composição sendo menos eficiente no ataque e bloqueio. Nas últimas 2 temporadas, cresceu muito de produção, processo que se potencializou com a saída da Natália do Osaco e lesão da Hooker no início da temporada passada.

    Porque discordei com a sua comparação? Exatamente pelos argumentos que usei acima. Nenhuma dessas jogadoras: Sheilla, Fabiana ou Jaqueline; passou pelo processo que a Mari vem passando desde 2010 quando lesionou gravemente o joelho direito e que, desde então, vem sendo acometida por várias lesões seguidas e algumas simultâneas.

    Pela seleção, em 2009, a Mari foi uma das jogadoras mais decisivas para a conquista do GP2009 e outros campeonatos. Para mim, que realmente acompanho a carreira dela, o único período no qual ela realmente jogou abaixo do esperado, digo isso porque não me lembro de ser noticiado nenhuma lesão grave, foi pelo São Caetano nas SL2008/2009 e SL2009/2010. E mesmo assim, nessas duas temporadas, foi uma das 10 melhores no ataque, na recepção e na pontuação. Ajudando uma equipe até então inexpressiva a ficar entre os 3 melhores times do Brasil, por 2 temporadas seguidas.

    Em 2010, sofreu grave lesão no joelho direito praticamente no meio do GP2010, ficando sem jogar até o returno da SL2010/2011. Onde, mesmo sendo poupada, conseguiu ser decisiva em alguns momentos. Conquistando o título nacional pelo UNILEVER na SL2010/2011.

    Em 2011 foi destaque na Copa Internacional, Campeonato Sulamericano e no PAN2011 no qual, na final, mesmo saindo na metade do jogo, foi a maior pontuadora. Começou o GP2011 relativamente bem, mas sofreu uma lesão moderada para grave no abdomen.
    Na Copa do Mundo, ainda se recuperando da lesão sofrida no GP2011 e com dores nas costas e ombro, teve um péssimo rendimento.
    Na SL2011/2012, oscilou entre jogos brilhantes, razoáveis e péssimos por estar jogando no sacrifício (cheguei a observar em alguns jogos ela saindo mancando da quadra). Ainda com dores recorrentes das lesões sofridas no GP2011 e agravadas pela Copa do Mundo 2011. Mas ainda assim, foi extremamente importante para o time, ajudando o UNILEVER a chegar até a final da SL2011/2012.

    Em 2012 com dores recorrentes das lesões, as quais não pôde tratar adequadamente afinal atleta de alto-nível tem que correr contra o tempo, correr o risco e conviver com a dor, principalmente com dificuldades para realizar os movimentos de recepção e defesa, foi transferida para a função de oposta. A qual teve que se adequar, em menos de 1 mês, depois de mais de 7 anos sem atuar nessa posição. Fazendo então uma primeira fase de GP2012, não muito boa. Na segunda fase e fase final atuou de forma mais consistente, sendo então visível a melhora crescente, formando com qualquer levantadora, a inversão do 5X1 mais eficiente que a SFV já teve, jogando com seus 30% de capacidade. No entanto, não recebia muitas bolas e ao menor erro, ou não, era substituída e nem sempre por uma opção melhor. No último treino antes do corte, jogando contra o time juvenil masculino, foi destaque junto com a Thaisa no bloqueio e ataque, mas foi cortada das Olimpíadas.

    Enfim, o que quero dizer com isso tudo que escrevi é que em 2 anos a Mari teve 8 lesões!!!! Recorrentes, acredito eu, da lesão no joelho direito.
    O seu verdadeiro motivo para estar em tão baixo rendimento é a parte física, sem dúvidas!!! Quem consegue atuar em alto-nível desse jeito!!! É impossível manter um bom rendimento!!! Definitivamente, não tem como comparar o rendimento dessas jogadoras com o da Mari!!!

    É lógico que essa parte física acaba afetando o lado psicológico, mas, para mim, tristeza e incerteza quanto ao amanhã não são sinônimos de desleixo e falta de compromisso ou responsabilidade!!!

    Eu acredito muito que ela pode voltar a atuar no volei de alto-nível, mas tenho consciência que jamais verei novamente a Mari de 20 aos que fez 37 pontos em uma única partida (marca ainda não superada em uma semifinal de Olimpíada). Para qualquer fã, ou não, é necessário procurar enxergar todos os fatores que envolvem o rendimento de um atleta antes de crucificá-lo!
    É fato que, hoje, o corpo da Mari está bastante limitado e eu imagino como deve ser difícil para ela lidar com o fato de o corpo já não conseguir acompanhar o que a mente comanda, com a eficiência desejada.

    Eu acredito, apesar disso, que ainda verei uma Mari decisiva, habilidosa e corajosa novamente em quadra! Quiçá daqui a 6 meses!!! Com todas essas qualidades que, estando bem fisicamente, a Mari nunca deixou de apresentar seja no clube(exceto São caetano, me corrijam se eu estiver errada) ou na SFV!!!

    Podem até achar exagerado, pretensioso e errado de minha parte. Eu sei, inclusive que, no momento, isso é! Mas a Mari com pelo menos 70% de sua capacidade física, espero que ela consiga mais, jogaria igual ou melhor do que muitas ponteiras ou opostas que vemos hoje em quadra!!! O “crescimento” de várias jogadoras, inclusive campeãs olímpicas, coincidiu exatamente com as suas lesões!!! Não é uma questão de ser fã ou não é apenas de entendimento dos fatos! Quem conhece e acompanha o volei sabe do que eu estou falando!!!

    Como o mundo não vive de “se” me recolho a minha insignificância apenas mantendo minha torcida incondicional por essa incrível atleta que tem tudo para voltar a brilhar!!! E eu não vejo a hora!!!!!

    #FORÇAMARI!!!!

    EU ACREDITO!!!!!

  4. Gostei muito nathqlia, resumiu mto bem o historico atletico da Mari, e digo mais se qualquer destas atletas citadas pelo blog sofresse qualquer lesao desta duvido que voltariam da forma como voltou, sofrer desta forma nao e para fraco, so gente forte e de mta fibra consegue voltar e brilhr. Sou fã incondicional desta menina.. Amo muito!

  5. Nathalia, compreendo sua vontade de justificar as más atuações da Mari em função das lesões que ela já sofreu.

    Em 2006, em plena forma e sem lesões, Mari não conseguiu se firmar como titular. Sassá jogou o ano todo ao lado de Jaqueline. Podemos até atribuir isto ao fato dela estar jogando na ponta pelo primeiro ano, mas Natália em 2010 é a prova que se uma jogadora treina, tem foco e disciplina, ela pode atuar em alto nível numa posição nova sem problema algum (claro, quando tem capacidade pra isso, e ambas têm).

    No ano seguinte, ainda em forma e sem render o que poderia pela seleção, ela foi cortada por indisciplina e desentendimentos no grupo antes do Pan do Rio. Isto já demonstrou que ela não só não estava rendendo bem como não demonstrou harmonia com o grupo.

    Em 2008, um dos seus melhores anos, ela fez atuações irrefutáveis, principalmente na reta final do GP e em Pequim.

    Em 2009 ela jogou bem também, mas foi mais fácil pois a disputa na ponta estava mais ‘tranquila’, visto que Jaqueline e Paula estavam de fora a maior parte do tempo. Mas, claro, isso não tira o seu mérito.

    De 2010 em diante, Mari só desceu a ladeira. Indisciplina, lesões, confusões no grupo, de tudo aconteceu envolvendo o nome dela. E o vôlei, a superação, a vontade de jogar, não se viu.

    Posso aqui citar a nossa grande Ana Moser, uma atleta que conviveu com dores metade da sua carreira e, até o fim, demonstrou vontade, raça e perseverança para manter seu nível de jogo num patamar diferenciado positivamente. Até mesmo a Jaqueline serve como parâmetro para vermos como a Mari conduziu sua carreira nestes últimos 4 anos (pós 2009). Ela também convive com dores, lesões, e nem por isso deixa de render o que se espera dela.

    Eu simplesmente não admito tantas justificativas pautadas em lesões para as atuações de Mari. Ela demonstra ser uma jogadora pouco cooperativa nos treinamentos e com a disciplina pouco apurada, o que lhe rendeu dois cortes por critério TAMBÉM técnico (pra não ser injusto e excluir as lesões)

    Com tudo isso, eu apenas espero que desta vez ela se recupere e mostre que corre sangue em suas veias, mas não para polemizar, mas pra de fato JOGAR, algo que todos estão esperando, em especial os seus fãs.

  6. Eu nunca vi sair na imprensa que a Mari foi cortada por indisciplina.

  7. Pessoal, obrigado a todos pela opinião, em especial à Nathalia, que fez um excelente resumo. Perikito, ela foi cortada em 2007, após o Pan, por indisciplina pelo Zé. Abs!