Seleção, decisão de hoje, temporada… O que foi dito após a final da Superliga

Seleção, decisão de hoje, temporada… O que foi dito após a final da Superliga

O Saída de Rede já trouxe mais cedo para você uma análise da final da Superliga feminina 2015/2016, em que o Rexona Ades venceu o Dentil/Praia Clube por 3-1 (25-18, 26-28, 28-26, 28-26), em Brasília. Foi o 11º título do time carioca em 15 finais, sendo a 12ª consecutiva. O Praia Clube, em sua primeira final de Superliga, vendeu caro a derrota.

O time dirigido pelo técnico Bernardinho subiu ao lugar mais alto do pódio depois de sofrer apenas duas derrotas nesta edição, uma para o Concilig/Vôlei Bauru na fase classificatória e outra para o arquirrival Vôlei Nestlé na semifinal, ambas no tie break.

A ponteira Natália Zilio foi eleita, por votação popular no site da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), a melhor jogadora da partida. Porém, a jogadora preferiu passar o troféu VivaVôlei para a oposta Monique Pavão, pois a considerou a melhor atleta em quadra. A maior pontuadora da partida final foi a ponteira Gabriela Guimarães, do Rexona, com 21 pontos.

Desta vez não foi realizada após a final a premiação das melhores jogadoras da competição. Segundo a CBV, a premiação será realizada durante uma festa, em local e data a serem definidos.

O SdR estava em Brasília e conversou com vários personagens dessa final, além de representantes do Camponesa/Minas, que estiveram no ginásio Nilson Nelson para receber a medalha de bronze da Superliga.

A final do torneio, a temporada, a torcida, a convocação para a seleção brasileira. Diversos temas foram abordados e você confere abaixo o que eles e elas disseram:
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Bernardinho (técnico do Rexona Ades)
Foi um jogo tenso, muito nervoso. Tecnicamente não foi um super jogo, mas foi uma partida de muito volume, de muitas trocas. Mas o emocional pesou muito. Acho que a maturidade acabou contando ao nosso favor. É normal, é o hábito de tantos momentos dessa natureza. O Praia (Clube) está de parabéns. Além de valorizar nossas conquistas, pois fizeram um trabalho incrível. Para ganhar uma vez, é preciso talento. Para ganhar duas, talento e determinação.

Ricardo Picinin (técnico do Dentil/Praia Clube)
Nosso time foi bem, os três últimos sets foram decididos nos detalhes e poderiam ter ido para qualquer lado. Eu vi maturidade entre as minhas atletas, em uma partida de muito equilíbrio. Não vejo a vitória do Rexona nos dois últimos sets como resultado de falhas do Praia Clube, mas como mérito do adversário.

Paulo Coco (técnico do Camponesa/Minas e assistente técnico da seleção feminina)
O Minas fez uma boa campanha e estamos orgulhosos, mas queremos mais.

Eu não sei de nada sobre a convocação da seleção, isso é com o Zé (Roberto), ele é quem manda (risos). Um ponto muito importante no caminho para as Olimpíadas é o condicionamento físico, afinal o nosso time é mais maduro, mais velho, tem que evitar o desgaste. Muito se fala de Estados Unidos, Rússia e China, mas não podemos nos esquecer de times como a Sérvia, que se classificou na Copa do Mundo tirando os EUA. O Japão é muito consistente. A Itália está se renovando em algumas posições, mas vem forte.

Natália Zilio (ponta do Rexona Ades)
Esse é meu quarto título da Superliga, foram três pelo Rio e um por Osasco. Elas (Praia Clube) vieram muito determinadas, fizeram uma mudança na posição das ponteiras, o ataque do time delas aumentou a eficiência, trocaram o lugar da Alix (Klineman) e da Michelle (Pavão) no rodízio, tivemos que lutar muito para ganhar hoje. O nosso contra-ataque rendeu abaixo do esperado, elas me marcaram muito bem, mas a Gabi (Guimarães) e a Monique (Pavão) ajudaram bastante.

Eu estou com uma expectativa muito alta para a convocação que o Zé Roberto vai fazer amanhã. Nessa mesma época, há quatro anos, eu não sabia nem se ia jogar vôlei novamente, não estava treinando e assisti a final da arquibancada. Lembro que foi a fase que eu mais chorei na vida. Me emociono agora porque não foi nada fácil. [Começa a chorar.] Me sentia impotente de não poder ajudar a equipe dentro de quadra. Mas hoje fico feliz porque pude colaborar da melhor maneira possível, mesmo que não tenha feito a melhor partida da temporada. O bom é que time é isso, quando uma não está tão bem, as outras ajudam e isso fez a diferença no final. Hoje eu me sinto muito bem, não sei se estou saltando tanto quanto saltava antes da cirurgia, mas estou bem física e mentalmente. Agora, tenho muita coisa para melhorar: golpes de ataque, passe e bloqueio, e acho que posso desenvolver esses pontos até as Olimpíadas.

Carol Silva (central do Rexona Ades)
Sou uma pessoa realizada de estar onde estou e poder trabalhar no time do Rexona Ades, com pessoas que eu admiro, tanto a comissão quanto as atletas. Fico muito feliz de estar presente em mais um título neste projeto maravilhoso. Só tenho a agradecer à comissão técnica por todo o suporte, por me ajudarem a evoluir. E queria parabenizar todo o grupo. É o meu terceiro título de Superliga. Acho que eu poderia ter jogado melhor hoje, mas estou feliz com meu trabalho ao longo da temporada. Estou super ansiosa com o anúncio das jogadoras convocadas para a seleção, vou ficar muito feliz se for convocada.

Juciely Barreto (central do Rexona Ades)
Viemos de uma série semifinal muito difícil, bastante equilibrada, e na final o Praia (Clube) veio muito forte, exigiu muito. Estou muito feliz pelo meu sexto título de Superliga (um pelo Minas, cinco pelo Rexona), mas me preocupa o momento que o país atravessa na economia e como isso pode afetar os clubes, o futuro de algumas equipes, espero que o voleibol não seja prejudicado.

A disputa por uma vaga de central na seleção é a mais difícil. Thaisa e Fabiana serão titulares, e a seleção precisa muito do talento delas. A briga pela vaga de terceira central é muito acirrada. Não apenas entre a Adenizia, a Carol e eu, mas com outras também, que vêm jogando muito bem.

Roberta Ratzke (levantadora do Rexona Ades)
Fico muito feliz com o título e a temporada que tivemos. Foi a minha primeira final como titular, a emoção é indescritível. A equipe e a comissão técnica me apoiaram em todos os momentos. O nosso time foi muito regular durante toda a temporada e merecia essa vitória.

Fabi Alvim (líbero do Rexona Ades)
Esse é o meu nono título de Superliga, todos pelo Rexona, ainda encontro muita motivação para jogar. Agora, já encerrei meu ciclo na seleção, já me despedi. Muitas pessoas me perguntam se eu volto, a resposta é não, já cumpri meu papel na seleção brasileira.

Tandara Caixeta (ponta/oposta do Camponesa/Minas)
O Camponesa/Minas cresceu ao longo da Superliga e eu cresci com o time, fizemos um bom campeonato. Agora fica uma expectativa muito grande para a convocação (da seleção brasileira), eu espero estar na lista depois da boa temporada que fiz. Ainda preciso perder quatro quilos para entrar definitivamente em forma, então a parte física é a minha prioridade para estar bem, caso eu vá para as Olimpíadas.

Courtney Thompson (levantadora do Rexona Ades)
Essa atmosfera é incrível, era tudo que eu esperava. Elas (Praia Clube) formam um time muito forte, com uma defesa sólida. Nada foi fácil desde os playoffs, mas nossa equipe, as pessoas que fazem o Rexona são especiais e eu fico feliz em fazer parte disso.

Alix Klineman (ponta do Dentil/Praia Clube)
Para mim essa derrota foi devastadora, pois queria tanto esse título. [Ela chorava enquanto falava.] Nós lutamos, fizemos o possível, mas admito que fiquei desapontada. Eu queria agradecer a todos que vieram ao ginásio, tantos fãs, nós podíamos sentir na quadra o apoio que eles nos deram.

Michelle Pavão (ponta do Dentil/Praia Clube)
O time do Rexona é muito experiente e aproveitou melhor as chances que teve no contra-ataque. Foi uma partida muito equilibrada, vejo essa vitória muito mais como mérito delas do que um eventual descuido nosso.

Walewska Oliveira (central do Dentil/Praia Clube)
Eu gostaria muito de ficar no Praia Clube, foi a minha primeira temporada aqui e ainda não tenho a definição de onde vou jogar a próxima. O Praia chegou para ficar, esta é a história que deixamos. O time hoje tem uma base e é muito difícil conseguir isso. O time do Rexona já tem essa base e se fortalece a cada temporada. Ainda falta um pouco ainda para ganhar do Rio, mas hoje elas viram que a coisa estava difícil e que poderiam perder o jogo. Isso também é importante. Hoje, contra elas, recebemos uma lição. O time do Rexona costuma dar poucas chances, como a que nos deu no terceiro set, e nós não aproveitamos. Abrimos cinco pontos e elas tiveram frieza para ir buscar. Foi realmente uma lição: o Rexona te deu uma chance, tem que matar.

Seleção? Não. Estou de férias marcadas (risos). É muito legal saber que aos 36 anos ainda poderia estar lá. O Zé (Roberto) não vai me chamar, e se chamar eu não vou. Já não sou jovem, preciso desses quatro meses entre as temporadas de clubes para recarregar as baterias. É uma decisão bastante sólida que eu tomei, não quero mais seleção. Adoro minha vida do jeito que ela está.

Foto: CBV