Seleção masculina: sinal de alerta ligado, mas sem desespero

Seleção masculina: sinal de alerta ligado, mas sem desespero

Duas derrotas por 3 sets a 1 e o pior início de Liga Mundial da Era Bernardinho. Foi assim que a seleção masculina de vôlei começou a temporada 2014, para decepção de imprensa e torcedores, acostumados a um impressionante ciclo de vitórias que, mesmo perdendo a força nos últimos anos, ainda impressiona.

Bastaram os maus resultados em Jaraguá do Sul para começar a pipocar aqui e ali pedidos de demissão do treinador. Calma, pessoal… Não é nada agradável, mas cair duas vezes diante desta forte geração italiana está longe de ser o Armageddon. Não podemos deixar de reconhecer os méritos do adversário e nem esquecer que este mesmo Bernardinho já levou muitos elencos que não despertavam confiança ao topo. Estão aí os torcedores da Unilever para provar…

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Os problemas da Liga Mundial em 2014

Eis aqui alguns motivos para não se desesperar:

1) Momento físico da seleção – Todo mundo sabe que o grande objetivo da temporada está no segundo semestre, mais especificamente a partir de 3 de setembro, na Polônia. É o Campeonato Mundial, no qual os brasileiros sonham com o quarto título consecutivo. Visando isto, o grupo está agora em um momento de trabalho físico pesado, o que invariavelmente se reflete em quadra, com uma lentidão um pouco maior nos movimentos. Contra um rival forte, chegar meio segundo depois na bola, acaba custando muito caro.

2) “Ah, mas a Itália está na mesma situação” – Sim e não. Apesar de os jogadores chamados Mauro Berruto terem encerrado a temporada de clubes junto dos brasileiros, eles não podem entrar em um momento de preparação física tão pesado quanto os atletas daqui. Isso porque as finais da Liga 2014 serão em solo italiano e triunfar em casa seria espetacular para um time que não vence este torneio desde 2000. É uma pressão parecida com a qual o Brasil sofreu em 2008, acrescida por um jejum de 14 anos.

3) Os jogadores do Cruzeiro ainda não atuaram – Inscritos na Liga Mundial, William, Wallace, Éder e Isac ganharam alguns dias a mais de folga por conta dos dias a mais que tiveram que trabalhar no clube devido ao Mundial de clubes. Com eles de volta, certamente a seleção ganha muito em poder de ataque e, principalmente, bloqueio.

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Por outro lado, é óbvio que o sinal de alerta precisa ser aceso com estas duas derrotas em Jaraguá do Sul. Tanto em um duelo quanto o outro, ficou evidente o quanto este time tem dificuldade de virar a bola (ao todo, foram 37 ações de ataque a mais, mesmo fazendo 22 pontos a menos). Terceiro maior pontuador verde-amarelo no duelo de sexta, Murilo fechou aquele jogo com apenas 17% de aproveitamento na virada de bola, um número bem ruim. Já a dupla italiana formada por Kovar e Zaytsev nunca ficou abaixo de 40% nesta rodada.

O excesso de erros de saque, fundamento que mais depende de concentração do que preparação física em si, também incomodou quem acompanhava à partida. Estes são apenas dois dos aspectos nos quais o Brasil tem capacidade de reação imediata, já para as partidas contra a estreante Polônia na quinta (29) e na sexta (30), em Jaraguá do Sul. São jogos essenciais para as pretensões nacionais em estar na fase final da disputa, na luta por um título que já não vem há três edições.

E você? O que acha que o Brasil precisa melhorar para os próximos jogos?