Seleção. Murilo. Déjà vu

Seleção. Murilo. Déjà vu

Embora haja atenuantes, e estes já sejam fartamente conhecidos (início de trabalho, campeonato mais importante é o mundial, basta ficar à frente do Irã, cruzeirenses ainda não estrearam etc.) a história da Liga Mundial vai registrar nos livros que o início desta edição foi o pior de toda a história do vôlei brasileiro no torneio. Claro que também há agravantes e eles fazem o titubeio do time de Bernardinho preocupar ainda mais.

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Liga Mundial: alerta ligado, mas sem desespero

Nunca houve uma Liga em que o Brasil começasse perdendo três em quatro jogos. Todos as partidas terem sido em casa é um agravante. Dois infortúnios terem sido contra a Itália, que só havia derrotado o Brasil uma vez nos últimos 11 anos, é outro. E a uma derrota ter sido contra um time que, com boa vontade, é o selecionado “B” da Polônia, talvez seja o pior deles.

Mesmo sob o risco da precipitação, pois ainda faltam oito jogos e quatro fins de semana para os brasileiros na primeira fase, creio que seja necessário enfatizar duas impressões que encontram parâmetro em passado recente. Duas sensações de déjà vu, se preferir.

Esse início do Brasil lembra o jogo sofrível que a Seleção apresentou na Liga Mundial de 2012 – coincidentemente, ano em que o campeonato também não era o principal da temporada. O Brasil penou para se classificar como melhor segundo lugar do torneio, num grupo com Polônia, Canadá e Finlândia, contraponto oito vitórias a quatro derrotas – uma delas, contra o Canadá, três outras contra a Polônia. A classificação teve protagonismo da calculadora, dependeu de resultados de outros grupos, mas veio. Na fase final, entretanto, aí sim, o vôlei ruim cobrou seu preço: derrotas para Cuba e Polônia deixaram o Brasil na sexta posição da Liga, a pior classificação brasileira da história.

Outro fator que lembra um tempo não remoto é Murilo. Nestes primeiros jogos, ele foi o Giba de 2010: um jogador que impunha mais respeito pelo passado do que pelos passes e cortadas do presente. Aquele Giba de 2010 carecia de potência no ataque, não conseguia se firmar no time e, na hora decisiva da Liga, esteve mais no banco de reservas do que em quadra. Pois Murilo, que tem hoje os mesmos 33 anos de Giba àquele 2010, também tem se preocupado mais com contusões do que com fundamentos do jogo. Não seria exagero dizer que, neste ano, nesta Liga, talvez devesse ser poupado. Talvez. Isso para que, diferente do Giba do mundial de 2010, não seja mais um reserva, não atue mais como assistente técnico de Bernardinho do que como ponteiro passador – o desastre que tem se revelado a recepção do time, nestes primeiros jogos, mostra o quão necessário Murilo pode ser em quadra, desde que o ombro não atrapalhe.

Casos perdidos, Murilo e a Seleção? Nada disso. Pois a mesma história que aponta a Liga de 2012 como a pior do Brasil conta que, em Londres, poucas semanas depois, o time jogou uma boa Olimpíada e por muito pouco não voltou para casa tricampeão. E Giba, mal e reserva em 2010, foi, provavelmente, o melhor jogador brasileiro da Liga e da Copa do Mundo em 2011. Há esperança. Só que Murilo precisa se recuperar – e o time, jogar.

Vencer e jogar bem, sim, é que vão servir de atenuante para o começo em marcha lenta da Seleção. Não é uma classificação capenga, como a de 2012, nem Murilo aquém, como tem sido.