Será que agora Ivna embala?

(Crédito: Fabio Rubinato/AGF/Divulgação)

É inegável que as companheiras ajudaram muito, mas seria injusto deixar de reconhecer os méritos de Ivna em não fazer a torcida do Sollys Osasco sentir falta de Sheilla durante as finais do Campeonato Paulista de vôlei feminino. Se não foi brilhante, a jovem também fez o “feijão com arroz” direitinho, ganhando novo impulso para fazer decolar uma carreira que por pouco não acabou precocemente por conta de uma grave lesão no joelho.

Para quem não se lembra, Ivna viu seu joelho esquerdo quase se esfacelar ao cair de mau jeito durante uma partida do Campeonato Mineiro juvenil em janeiro de 2009: ao todo, ela rompeu os ligamentos cruzado e colateral medial, teve uma lesão no menisco e ainda um edema ósseo. Considerada a revelação da Superliga que estava sendo disputada à época e MVP do Mundial juvenil de 2008, ela demorou dez meses para voltar às quadras.

Depois disso, ela saiu do Minas, teve uma passagem pelo Pinheiros e chegou ao Osasco em meados de 2011. Falei com a atacante depois do jogo para uma matéria publicada no R7 e ela própria admitiu que, apesar de ter conquistado outros títulos desde então, considera este seu grande momento depois da lesão por todas as circunstâncias.

Diante disto, fica a pergunta: será que Ivna conseguirá embalar a ponto de um dia disputar vaga na seleção principal? Claro que ser destaque na base nem sempre significa sucesso no adulto, principalmente quando é preciso lidar com uma lesão gravíssima, mas talento ela já mostrou que tem.

Preparada para atuar tanto como ponteira como oposta, a jogadora precisa aproveitar primeiro a oportunidade que tem de aprender com Jaqueline, Fernanda Garay e Sheilla. Aliás, Garay deveria ser o grande espelho para ela no momento, visto a evolução que apresentou nos últimos quatro anos, quando deixou de ser uma jogadora mediana para virar titular da seleção.

Enfrentar diariamente os bloqueios de Thaísa e Adenízia também é um excelente desafio para ela, mas é preciso que Ivna não se acomode com a estabilidade de um grande time. Ganhar chances como titular vai ser um pouco mais difícil no meio de tantas estrelas, então o caminho é deixar Luizomar de Moura totalmente confiante em colocá-la em quadra na Superliga para dar descanso às selecionáveis. Na próxima temporada, uma boa ideia seria tentar um lugar em um time um pouco mais fraco para poder jogar sempre, se destacar e aí sim voltar a um Osasco ou Unilever como titular. Claro, tudo isso sem esquecer a seleção B e quem sabe até a principal, visto ser provável que o Brasil esteja bastante desfalcado no Grand Prix 2013 dada a demanda das estrelas por descanso.

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This article has 8 comments

  1. A Ivna tem potencial pra crescer, mas eu acho que essa deveria ser a sua última temporada no Osasco, caso não receba chances no time titular. O grande problema das revelações brasileiras é que em muitos casos elas se acomodam em ser campeãs em grandes equipes que elas nem são titulares… Com várias delas isso já aconteceu e eu espero que não seja o caso da Ivna. Ela já vai para sua terceira temporada como reserva (uma em Pinheiros e outras duas no Osasco) e já deve ter aprendido muitas coisas. Agora é tempo de colocar em prática e sonhar com as Olimpíadas de 2016, ou talvez com o próximo ciclo.

  2. A Ivna é uma execelente jogadora! Tem porte fisico, boa impulsão, bloqueia e passa bem. Há, e tem muita garra também. Acredito que, muito em breve ela estará na seleção brasileira. Penso, assim como disse o Mathues, aí em cima, que ano que vem ela deva ir para um time menor para jogar como titular pois somente aí ela vai ter como mostrar seu verdadeiro potencial.

  3. Quando a Ivna apareceu aqui no Minas, a torcida ficou muito empolgada. Na época, ela atuava apenas como “saída”. Depois, foi deslocada pra ponta e rendeu. Mas veio a contusão grave e ela não foi mais a mesma atleta. Torço por ela. E tomara que insista em atuar como ponteira, porque acho que essa é a posição mais carente do vôlei feminino hoje em dia. E, aproveitando os comentários do Matheus e do Marcílio, se ela quiser voltar pro Minas na próxima temporada, a torcida ia agradecer muito. Um abraço.

  4. Nossa! Quanta lucidez da blogueira. Disse tudo! Torço para que a Ivna se desenvolva, mas como oposto, e isso apesar da carência de ponteira novas de bom nível. Sheila tá há muito tempo carregando a responsabilidade sozinha, e eu a vejo hoje na mesma situação que a gloriosa Leila esteve apos Sidney, brilhando. So que quatro anos depois, já era velha demais para a seleção e só foi cortada porque, graças a Deus, tínhamos novos talentos.

  5. Você tem toda razão, Matheus… Ana Tiemi está aí como maior exemplo de atleta que deixou uma grande oportunidade passar. Pra mim, ela tem que pensar logo é em 2016, porque se acrescentar mais quatro anos nesta lista, não tem motivação que resista… Abs!

  6. Ela certamente se encaixaria muito bem no Minas, Halem. É uma ótima opção para ela considerar… abs!

  7. Obrigado, Perikito. Realmente, a falta de uma concorrente para Sheilla é um grande problema do vôlei brasileiro, afinal, ela se machucar às vésperas de uma competição importante é sempre um risco. Agora ainda com a improvável volta de Mari, a situação fica mais difícil, apesar de Natália sempre poder voltar a jogar na saída… vamos ver o que acontece. Abs!

  8. Marcílio, de fato, a Ivna é uma grande jogadora desde a base. Espero que realmente a contusão no joelho não tenha deixado consequência, pois, se não for este o caso, só depende dela para termos mais uma excelente atacante brilhando por aí. Abs!