Sesi: da lama ao Mundial com direito a apresentação de gala

Sesi: da lama ao Mundial com direito a apresentação de gala

Tudo estava contra: não bastasse o adversário estar invicto na temporada, ele forma a base da seleção brasileira e vencera 13 dos 14 confrontos entre os times na história. Além disto, havia o desfalque da dupla de ponteiras considerada titular, Pro Daroit e Ju Costa, e a partida era na casa do rival.

Mas e daí? Com uma das melhores apresentações de suas três temporadas de história, o Sesi atropelou o Molico Osasco por 3 sets a 0 (25/21, 25/21 e 25/16) na final do Sul-Americano e será o representante brasileiro no Mundial de clubes, programado para o mês de maio na Suíça. Primeiro grande título da equipe, o troféu continental coroa a recuperação de um grupo que até pouco tempo atrás tinha tudo para desmoronar.

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A hora do Sesi?

O primeiro turno terrível do Sesi na Superliga impedia até o mais otimista dos torcedores de sonhar com vitória tão contundente em uma final diante do poderoso Osasco. Osasco que, aliás, não jogou metade do que vinha apresentando até então, culminando em um terceiro set onde o desespero foi o tom, gerando uma série de erros bobos.

Concentrado desde o início, o Sesi inicialmente bombardeou a sérvia Sanja Malagurski no saque, neutralizando uma importante arma de ataque das campeãs da Copa Brasil. Quando a jogadora do Leste Europeu foi para o banco, a vítima passou a ser a italiana Caterina Bosetti que, ao lado de outra ponteira com características mais defensivas, Gabi, diminuiu ainda mais o poder ofensivo de Osasco.

No meio Thaísa e Adenízia até que se esforçaram, mas sem o passe na mão ficou difícil fazer qualquer coisa. Para piorar a situação das centrais, a oposta do Sesi, Ivna, teve uma das melhores atuações de sua carreira e, esbanjando confiança, derrubou tudo o que quis na quadra adversária.

Sheilla, que deveria ser o desafogo do time de Luizomar de Moura, também teve uma noite para esquecer – ela, por exemplo, cedeu dois pontos só em pisadas na linha do saque, um erro infantil. Enquanto isso, sua companheira de quarto nas viagens da seleção, Fabiana, brilhou e, junto de Bia, formou outro dos pilares que levaram o Sesi à vitória.

É preciso reconhecer ainda a atuação gigante das ponteiras Suelle e Dayse no sistema de recepção do Sesi. Mesmo tendo pontuado pouco, as duas, ao lado da líbero Suelen, permitiram que Dani Lins executasse seu trabalho de forma tranquila. Dayse, a propósito, teve uma importante participação no segundo set, quando encaixou quatro pontos na sequência e desequilibrou uma parcial que prometia ir longe.

O Sesi teve a sorte de conseguir a classificação para o Sul-americano, já que o Osasco, campeão da classificatória Copa Brasil, estava garantido como cidade-sede. Porém, tal resultado não viria sem uma enorme dose de trabalho duro, que foi recompensado com uma taça de grande importância. Será o começo do fim da hegemonia que há tantos anos marca o voleibol feminino brasileiro?