Sofrendo com jogadores lesionados, Bernardinho diz que calendário do vôlei “beira o trágico”

Sofrendo com jogadores lesionados, Bernardinho diz que calendário do vôlei “beira o trágico”
Bernardinho diz que seleção não faz pré-temporada adequada há cinco anos (Foto: Divulgação/FIVB)

Bernardinho diz que seleção não faz pré-temporada adequada há cinco anos (Foto: Divulgação/FIVB)

Nas últimas semanas, temos falado muito sobre as modificações do calendário do vôlei do ponto de vista dos clubes, irritados por não poderem contar com suas estrelas por conta dos torneios de seleções. É uma reivindicação mais que justa, só que o problema vai muito além disso. Analisando a questão como treinador da seleção masculina, o próprio técnico Bernardinho falou nesta quarta (26) que não está satisfeito com o tempo de trabalho que possui para armar o time nacional: de acordo com ele, há cinco anos não é possível fazer uma pré-temporada decente.

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Confesso que esta é uma declaração que me surpreende. Pelo visto, porém, está longe disso e o problema pode até estar contribuindo com as lesões dos atletas, o que faz a necessidade de mudanças ser ainda mais urgente. Entenda melhor e veja a opinião de Bernardinho em detalhes no texto abaixo, publicado originalmente no Portal R7:

Quatro vitórias em quatro jogos disputados até agora na Liga Mundial 2013 fazem o seleção brasileira masculina de vôlei chegar com moral a São Paulo para a disputa de duas partidas contra a França, nesta sexta (28) e no sábado (29), no ginásio do Ibirapuera. Mas nem tudo está bem: a despeito dos resultados positivos, o técnico Bernardinho tem sofrido com as lesões entre os jogadores.

Por conta de operações recentes no ombro e na coluna, Murilo e Sidão sequer estão viajando com o time nacional, que ainda viu Lucão sentir dores abdominais na primeira semana de disputas e Lucarelli ter problemas na coxa na segunda rodada. Como se não bastasse, o novato Isac ainda sofreu uma fratura exposta no dedo durante o segundo duelo contra a Argentina, há cerca de dez dias.

Exceção feita a Isac, vítima de um “acidente de trabalho”, Bernardinho acredita que os problemas físicos dos brasileiros são explicados pelo calendário atribulado do vôlei. Ele, inclusive, fez duras críticas à disputa do Sul-americano de clubes, competição realizada logo após a Superliga e que era classificatória para o Mundial:

- Nosso calendário beira o trágico, pois os jogadores saíram de um Sul-americano onde haviam acabado de jogar a Superliga e depois vieram direto para cá. O campeonato foi tão mal realizado que nenhum time brasileiro se classificou para o Mundial. Era totalmente fora de propósito e atrapalhou a preparação para aquela que vai ser praticamente a única grande competição que a seleção vai disputar esse ano. Iniciar um novo ciclo sem a preparação adequada é complicado

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O problema é tão grave que nas últimas semanas jogadores, técnicos e dirigentes participaram de reuniões para distribuir melhor os torneios ao longo do ano. O mote inicial foi a reclamação dos times por não poderem contar com seus melhores atletas em boa parte da temporada devido aos compromissos com a seleção, mas Bernardinho diz que a equipe nacional sofre de igual forma – vale lembrar que ele também é técnico de um clube da Superliga feminina, o Unilever:

- Os clubes se lamentam de tempo, mas os jogadores chegaram em agosto das Olimpíadas e ficaram até abril, ou seja, nove meses. Nós ficamos dez dias com os atletas (…) A gente está trabalhando para conseguir uma coisa mais racional. Os clubes querem um espaço que eu acho justo, até porque visto os “dois chapéus”, mas a seleção também precisa ter uma pré-temporada, o que não vem acontecendo desde 2008. Tem gente chegando no meio da Liga Mundial. Qualquer equipe precisa disso.

Tentando manter a invencibilidade do ano – antes da Liga Mundial o time já havia vencido a Rússia em dois jogos-treinos –, a seleção brasileira masculina de vôlei entra em quadra contra a França às 10 horas (de Brasília) da sexta (28) e 10h10 do sábado (29), no Ibirapuera. Ainda há ingresso disponível para o primeiro duelo.