Spencer Lee exalta trabalho de Picinin no Praia, mas vê Rexona favorito na final

Spencer Lee exalta trabalho de Picinin no Praia, mas vê Rexona favorito na final

Lá se vão quase dois anos desde a saída de Spencer Lee do Dentil/Praia Clube, mas a relação entre técnico e clube ainda é forte. Às vésperas da primeira final de Superliga da história do time mineiro, neste domingo (3) contra o Rexona-Ades em Brasília, o treinador gentilmente atendeu a reportagem do Saída de Rede para uma conversa, que será dividida em duas partes. Na primeira, publicada abaixo, ele falou sobre a boa relação que ainda tem com o time mineiro, em especial com o técnico Ricardo Picinin, além de fazer uma análise da grande decisão. Na visão de Spencer, o Rexona é o favorito ao título, mas o Praia pode surpreender se jogar como franco-atirador…

Depois da final, publicaremos a segunda parte da entrevista, em que o treinador fala do mais recente trabalho com o Equibrasil/Rio do Sul, sexto colocado na competição, além de contar as expectativas para a temporada 2016/2017. Aproveitem!

Mais notícias de vôlei? Melhor do Vôlei!

Rexona vs. Praia Clube: quem leva o título? Veja nossa análise!

Após a conquista da vaga na semifinal, o Ricardo Picinin lhe prestou uma homenagem. Você ficou surpreso? Ainda mantém contato com o pessoal do Praia?

Realmente eu fiquei um pouco surpreso com a homenagem que o Picnini prestou a mim depois do jogo contra o Sesi nas quartas de final, pois não é comum as pessoas fazerem isso com alguém que participou de um projeto desde o início. O mundo do voleibol é dinâmico, as coisas acontecem muito rápido e a gente nem sempre tem tempo pra recordar o passado, valorizar e reconhecer quem contribuiu para construir uma história. E o Picinin fez isso. Acho que foi muito simpático da parte dele, foi uma atitude muito nobre, já que eu estava trabalhando em outro time e fui adversário do Praia. Isso mostra muito o caráter e a personalidade do Picinin. Nós somos amigos há muito tempo, trabalhamos juntos na seleção mineira com o Marquinho Queiroga, Falcão, Daniel Brito, Marcelo Melado, enfim, a gente era um grupo de jovens técnicos mineiros que cresceu praticamente junto. Esse trabalho nos aproximou muito e ele é um amigo que eu tenho no meio. Acima de tudo, o Picinin é um grande profissional que levou o Praia até uma final de Superliga, o que mostra liderança e o trabalho maravilhoso que ele e a comissão técnica fizeram nessa temporada

Na sua opinião, quais são os diferenciais que levaram o Praia tão longe pela primeira vez?
Acho que o Praia contratou melhor, investiu mais e agregou uma americana (Alix Klineman) que é um diferencial, hoje a maior pontuadora do voleibol brasileiro. Tem também a liderança da Walewska, que é uma menina fantástica. Esse é o nono ano do projeto, então há ainda um amadurecimento muito grande das pessoas envolvidas, do projeto em si e do clube. A camisa começa a pesar um pouco mais. Elas iniciaram a fase classificatória muito bem e conseguiram se manter na segunda colocação, o que, de certa forma, diminuiu a dificuldade da semifinal: poderia ser um cruzamento contra Osasco, mas foi contra o Minas, teoricamente um caminho menos difícil para chegar a uma final. A comissão técnica fez um grande trabalho, você percebe que o time está bem treinado, joga certinho, tem um padrão de jogo. Tudo conspirou: o amadurecimento das pessoas, do projeto, o maior investimento, investimento em peças que tiveram uma eficiência muito grande nessa temporada, além de jogadoras com experiência, liderança, eficiência e qualidade técnica maior. Acho que a soma desses elementos fez com que a fase classificatória tivesse sido tão boa e colocado o Praia numa situação de que sua trajetória até a final fosse atingível. Isso tudo contribuiu.

Como você avalia as chances do Praia na final, considerando que o time perdeu três vezes pro Rexona nesta temporada (duas na Superliga e uma na Copa Brasil)?
Eu avalio o Praia como o franco-atirador. O Rexona tem um peso maior pelo fato de ter feito várias finais de Superliga e vencido dez.  As jogadoras lá estão juntas há um bom tempo, tem a liderança da Fabizinha dentro da quadra, uma comissão técnica maravilhosa e, pra mim, o melhor técnico do mundo, que é o Bernardo… isso faz o time levar uma vantagem e ser o favorito nessa final. Além disso, historicamente o Praia nunca ganhou do Rexona na Superliga nacional, eu sei porque eu estava  em sete dessas nove Superligas do Praia, uma como assistente técnico do Boni e seis como técnico.

Acho que o Praia fez o que tinha que fazer, conseguiu chegar à final, já conquistou seu objetivo de fazer a melhor campanha de sua história. Agora, o time tem que ir tranquilo, solto, com o sentimento do “ter que” é do Rexona pelo fato de todo esse histórico de dez títulos, das jogadoras e da comissão técnica que tem.  Acho um jogo difícil, mas eu acredito que o Rexona, por esse histórico, pode levar vantagem

Foto: Clóvis Eduardo Cuco/Rio do Sul